14
Jun 18

Como se responde nos EUA

Ai é?

 

      «O ritual da votação da proposta que institui o dia de Portugal no Estado [da Califórnia] seguiu o ritual habitual nos EUA mas mais [sic] muito diferente do português: o secretário da Câmara chama cada um dos 39 senadores, que para indicar a votação positiva responde: “Aye”. Ouviram-se 39» («Aye! Dia de Portugal na Califórnia aprovado por unanimidade e com oração», Hugo Neutel, TSF, 14.06.2018, 18h53).

      Um bom ritual tinha de incluir arcaísmos. Sim, aye é uma interjeição, embora não se saiba exactamente a origem, mas talvez seja variante do pronome pessoal I, ou então uma alteração de yes, ou ainda, e por fim, do advérbio aye, «sempre». Para meu relativo espanto, está no Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora.

 

[Texto 9407]

Helder Guégués às 20:15 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Léxico: «dispensação»

E interessa saber

 

«Recorrendo a um termo da teologia protestante, Mark Lilla diz que houve dois momentos dispensação (revelação de um sentido da história [sic], do ponto de vista religioso, ou capacidade de oferecer uma imagem do que podia ser a nossa vida partilhada, na sua transposição para a política) no século XX norte-americano: o de Roosevelt, que se baseava em ideias como a solidariedade, a oportunidade partilhada, o dever público e a proteção comum contra o risco; e o de Reagan, em que o governo foi apresentado como um problema, o Estado como empecilho à prosperidade e a nação como um conjunto de indivíduos autossuficientes que quanto [sic] muito estão inseridos nas suas famílias, igrejas e pequenas comunidades» («Do vermelho ao arco-íris, à esquerda das políticas identitárias», Daniel Oliveira, Expresso Diário, 14.06.2018).

      Na verdade, até tem mais de um sentido teológico-religioso, mas o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não regista nenhum.

 

[Texto 9406]

Helder Guégués às 19:54 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «excepcionalismo»

Não é excepção

 

      «A China sempre fez cinema nacionalista, mas a novidade é que este nacionalismo está a ser dirigido para o exterior. O império do meio [sic], outrora fechado sobre si mesmo, está a criar uma narrativa nova: o excecionalismo chinês deve atuar no mundo, até porque a força chinesa pode ser uma medicina indispensável para a ordem internacional. A hubris chinesa está ao virar da esquina?» («Rambos chineses», Henrique Raposo, Expresso Diário, 14.06.2018).

      No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: ✘. No VOLP da Academia Brasileira de Letras: ✔.

 

[Texto 9405]

Helder Guégués às 19:19 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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Léxico: «quartelada»

Um trabalho que não acaba

 

      «À noite, ainda sem dormir, porque teve de dar apoio ao movimento, [Sousa e Castro] foi jantar ao restaurante João do Grão: “Olhei para as pessoas e pensei: esta gente não sonha o que vai acontecer. Aí tive a noção do que é o verdadeiro poder. O verdadeiro poder é conhecimento.” A convicção com que toda aquela gente recebeu as últimas ordens para o levantamento imprimiu-lhe um sentimento inebriante. “Dali não havia volta a dar. Havia a questão de libertarmos os camaradas que estavam presos. Tínhamos dezenas de oficias [sic] presos. Entre os quais os que se tinham envolvido naquela quartelada das Caldas da Rainha”, a 16 de março do mesmo ano» («O papelinho com códigos secretos do 25 de Abril», Cristina Margato, Expresso Diário, 24.04.2018).

      No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, faltam pelo menos duas acepções de quartelada, e uma delas é a deste texto.

 

[Texto 9404]

Helder Guégués às 14:40 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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14
Jun 18

Como se fala na rádio

O valor das palavras

 

      No Portugal em Directo, da Antena 1, a repórter Cláudia Costa, que está em Pedrógão Grande, falava há minutos no «grandioso incêndio do ano passado» — como se fosse um espectáculo memorável.

 

[Texto 9403]

Helder Guégués às 13:35 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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