15
Jun 18

Em francês ou em português?

Comprenez-vous?

 

      «A decisão do Tribunal de Recurso em Paris sobre o processo judicial que opôs Paulo Branco ao realizador Terry Gilliam, por causa do filme “O homem que matou D. Quixote”, foi favorável ao produtor português, como disse à Lusa» («Paulo Branco vence batalha judicial contra Terry Gilliam», TSF, 15.06.2018, 17h11). «Paulo Branco discorda: “A partir de agora, se alguém se atrever a explorar o filme sem o nosso acordo... eu não correria esse risco”, disse ao telefone ao PÚBLICO horas depois da decisão do Cour d’Appel de Paris» («Dom Quixote: Paulo Branco vence batalha judicial, mas Terry Gilliam vai recorrer», Joana Amaral Cardoso, edição digital do Público, 15.06.2018, 12h46). Agora vamos ver como vai, se for, para a edição em papel.

 

[Texto 9416]

Helder Guégués às 18:19 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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Léxico: «saldo migratório/saldo natural»

Um bem, outro assim-assim

 

      «O saldo migratório obtém-se a partir da diferença entre as pessoas que entraram no país e as que saíram. Os dados mostram, assim, que o número de imigrantes superou (em 4.886) o número de pessoas que emigraram, contrariando a tendência dos últimos anos. [...] O saldo natural (óbitos e nascimentos) manteve-se negativo (-23.432), próximo do verificado em 2016 (-23.409)» («Portugal continua a perder população, mas imigrantes atenuam quebra», Rádio Renascença, 15.06.2018, 14h01).

      Para explicar o que é o saldo migratório, ainda o jornalista teve paciência; para o saldo natural é que já não teve paciência. Digamo-lo nós: é a diferença entre o número de nados-vivos e o número de óbitos, num dado período de tempo. Estranho é os dicionários continuarem a ignorar tudo isto.

 

[Texto 9415]

Helder Guégués às 15:17 | comentar | favorito
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Léxico: «geração»

5 x 25?

 

      «Uma família portuguesa de fracos recursos socioeconómicos pode demorar 125 anos até que os seus descendentes consigam alcançar um salário médio, revela um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) sobre mobilidade social. [...] “Tendo em conta a mobilidade de rendimentos de uma geração para a seguinte, bem como o nível de desigualdade salarial em Portugal, pode demorar cinco gerações para que as crianças de uma família na base da distribuição de rendimentos consigam um salário médio”, lê-se na avaliação sobre Portugal» («Em Portugal demora-se 125 anos a sair da pobreza», Rádio Renascença, 15.06.2018, 10h43).

      No relatório, o que se lê que «it could take 5 generations». Logo, a afirmação de que são 125 é resultado das contas do jornalista. Estarão certas? Não se sabe pela consulta dos dicionários de língua portuguesa — não se querem comprometer. Para o historiador Oliveira Martins, era fácil: «Calcula-se que em média uma geração dura trinta e três anos, três gerações por século, e todos os observadores têm reparado que cada geração se caracteriza politicamente de um modo original» (A Província, vol. 3 das Obras Completas. Lisboa: Guimarães Editores, 1958, p. 157). Nos English Oxford Living Dictionaries: «The average period, generally considered to be about thirty years, in which children grow up, become adults, and have children of their own.»

 

[Texto 9414]

Helder Guégués às 14:58 | comentar | ver comentários (2) | favorito

«Códega» ou «côdega»?

Um problema

 

      «De resto, podemos saborear este Bastardo porque o produtor Rui Lino é, aos 62 anos, um grande fã da casta, de tal modo que, podendo, recupera vinhas com as castas da região (o Bastardo, a Tinta Amarela, a Côdega do Larinho e o Moscatel Branco)» («Bastardo Puro. A casta tem peso em Trás-os-Montes», Edgardo Pacheco, «Sexta»/Correio da Manhã, 15.06.2018, p. 43).

      É a grafia que vemos em Cândido de Figueiredo, mas não no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que regista códega, tal como o Vocabulário da Língua Portuguesa de Rebelo Gonçalves. E, contudo, em documentos do Instituto da Vinha e do Vinho é também por côdega que optam, assim como no portal da Comissão Vitivinícola Regional de Trás-os-Montes. Seja como for, os dicionários não acolhem uma acepção de códega, que é também o nome que se dá à casqueira, isto é, à tábua costaneira, de contorno e espessura irregulares, quase sem espessura numa das extremidades.

 

[Texto 9413]

Helder Guégués às 11:58 | comentar | favorito
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Léxico: «ciberespionagem/ciberespião»

Essa é que é essa

 

      «A ciberespionagem está na ordem do dia do Mundial de futebol. Telemóveis, computadores ou qualquer outro aparelho eletrónico poderão estar na mira de ciberespiões ao serviço do Kremlin durante o mundial de futebol que começa esta quinta-feira na Rússia, advertiu um alto-responsável dos serviços de informação norte-americanos» («Espiões. FBI lança alerta», Rogério Chambel, Correio da Manhã, 15.06.2018, p. 8).

      Na ordem do dia, sem dúvida — mas ainda não foram registados no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

 

[Texto 9412]

Helder Guégués às 10:28 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «hinterland»

Mais breve e claro

 

      «Mas o grande impacto do investimento é mesmo o alargamento do hinterland (zona de influência do porto) da Figueira da Foz e um maior uso da ferrovia, dado que, em média, só dois comboios de mercadorias servem diariamente o porto — trata-se de um transporte de pasta de papel da Altri que vem de Vila Velha de Ródão» («Figueira da Foz vai ter navios maiores e quer mais operações ferroviárias», Carlos Cipriano, Público, 15.06.2018, p. 34).

      É impressão minha ou é uma definição melhor do que as que vemos nos dicionários? No Brasil, parece que preferem o aportuguesamento, que encontramos no VOLP da Academia Brasileira de Letras, hinterlândia.

 

[Texto 9411]

Helder Guégués às 10:16 | comentar | ver comentários (3) | favorito

Léxico: «acentuassomo»

Ciência sem palavras?

 

      «Em experiências com embriões de ratinhos macho [sic], a equipa de cientistas removeu geneticamente uma pequena parte do ADN não codificante chamada “acentuassomo 13” (enhancer 13, em inglês), que se situa a meio milhão de bases (“letras”) de distância do gene Sox9» («Como um pedacinho de ADN não codificante tem o poder de mudar os genitais», Público, 15.06.2018, p. 41).

      Sim, é mesmo a tradução do inglês enhancer — vejo-o em traduções e em obras de autores portugueses. Acontece que não encontramos acentuassomo no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora nem enhancer (nesta acepção) no Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora.

 

[Texto 9410]

Helder Guégués às 09:27 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «codificante»

Ai a concordância

 

       «Quando uma equipa de cientistas retirou uma pequena região do ADN não codificante a ratinhos macho [sic], eles desenvolveram ovários em vez de testículos. Liderado por investigadores do Instituto Francis Crick (Reino Unido) e publicado hoje na revista Science, este trabalho poderá ajudar a explicar alguns distúrbios do desenvolvimento sexual nos humanos» («Como um pedacinho de ADN não codificante tem o poder de mudar os genitais», Público, 15.06.2018, p. 41).

       Codificante. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: ✘. No VOLP da Academia Brasileira de Letras: ✔. (Senhor jornalista, veja como é simples: rato macho, ratos machos. Não tem de quê.)

 

[Texto 9409]

Helder Guégués às 09:18 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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15
Jun 18

Léxico: «foca-cinzenta»

Também a queremos

 

      «Uma foca-cinzenta, de nome científico Halichoerus grypus, terá aparecido na zona há cerca de uma semana e deverá pertencer a uma população do Nordeste Atlântico, de acordo com Nuno Gomes Oliveira, biólogo e fundador do Parque Biológico de Gaia» («Foca instala-se no estuário do Douro (e parece não querer sair)», Público, 15.06.2018, p. 55).

      No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora é que ainda não se instalou nenhuma foca-cinzenta.

 

[Texto 9408]

Helder Guégués às 09:04 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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