25
Jun 18

«Defesa nacional/segurança nacional»

Para a História

 

      «Pode parecer um detalhe, mas o facto do [sic] general se ter inspirado no sistema francês levou-o a adotar o termo Defesa Nacional, partindo de “défense nationale”, mas, como [o] próprio reconhece, a “expressão tem um sentido mais amplo do que a portuguesa, que se refere apenas à questão militar”. Explica o general: “Eu adotei a terminologia francesa, transferia-a para a nossa lei e, como resultado, essa confusão mantém-se e, por isso, me sinto de certa maneira culpado. Foi um erro”. Acrescenta Luísa Meireles: “Confessa que, na altura em que começara a colaborar na elaboração da lei e não tinha [sido] ainda nomeado vice-CEMGFA, nem se tinha apercebido suficientemente da doutrina NATO que postula a ‘national security’”» («Quem pediu a pena de morte no dia 11 de março de 1975?», Anabela Natário, Expresso Diário, 25.06.2018).

 

[Texto 9497]

Helder Guégués às 20:43 | comentar | favorito
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Léxico: «cagalheta»

Um dicionário asseado

 

      «No Inverno, os caminhos da aldeia [Vilela do Douro] estavam sempre cobertos de mato, onde as cabras iam fazendo as caganitas. Com a chuva e a passagem das pessoas fazia-se a “cagalheta”, que depois de ensacada era vendida para fora ou para adubar os campos. Só no Verão era tudo varrido. A divisão do estrume era pacífica: separava-se o caminho ao meio, metade pertencia às casas de um lado, metade às do outro» (excerto da obra General Loureiro dos Santos: biografia, de Luísa Meireles, que será apresentada amanhã na Assembleia da República, citada no Expresso Diário, 25.06.2018, «Quem pediu a pena de morte no dia 11 de março de 1975?», Anabela Natário).

      Cagalheta. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: ✘. No VOLP da Academia Brasileira de Letras: ✔.

 

[Texto 9496]

Helder Guégués às 20:26 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «cantoneiro»

Explica lá isso melhor

 

      «Se bem me lembro, como escrevia Vitorino Nemésio, quando era miúdo, na década de 1950, princípios de 60, existiam, dedicados à limpeza das bermas das estradas, os chamados “cantoneiros”. Conheci nessa altura o Joaquim da Veiga, que todos os dias saía com a sua lancheira, e com a sachola e a foice e lá ia caminhando de terra em terra desbastando ervas, matos e silvados e cortando ramadas de pinheiros e azinheiras que se debruçavam por cima das estradas. Também plantava árvores dos viveiros da junta» («Memórias e cantoneiros», Carlos Pereira da Silva, Público, 25.06.2015, p. 45).

      A definição de cantoneiro no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora é pouco menos que esotérica: «encarregado da conservação de um cantão (secção de estrada)». Também a definição de cantão merecia ser revista e passar a indicar-se a extensão (está estabelecida em legislação do século XIX) do cantão.

 

[Texto 9495]

Helder Guégués às 16:22 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Como se escreve por aí

Tudo como dantes

 

      «A Igreja Católica vai oferecer aos residentes e turistas que se desloquem em Julho e Agosto ao leste algarvio a possibilidade de se confessarem e praticarem esse sacramento em várias línguas, anunciou a diocese do Algarve. A iniciativa inédita “Aproveita as Férias e Reconcilia-te com Deus” é organizada pela vigaria de Tavira (conjunto de paróquias associadas geograficamente), decorrendo em seis igrejas da zona do Sotavento, nas quais os fiéis se podem confessar, sempre às 21h» («Confissões católicas em várias línguas no Sotavento», Público, 25.06.2015, p. 12).

      Vem assim da Lusa e vá de colar nas páginas do Público, onde não há uma alminha que leia o que recebem. Temos vigararia e vigariaria, tinham de usar uma terceira forma errada. A explicação do que é uma vigararia também não está correcta.

 

[Texto 9494]

Helder Guégués às 15:32 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Como se escreve por aí

Ainda há dicionários

 

      «Não terá sido por acaso que Pedro Passos Coelho, em 2014, deu a entender que Marcelo Rebelo de Sousa seria um “catavento” ou que Manuel Maria Carrilho o apelidou de “gelatina política”. Já Paulo Portas preferiu dizer que Marcelo é como o Lucky Luke: “Intriga mais depressa que a sua própria sombra.” Para esta fama contribuíram sucessivos episódios, dos quais a famosa frase “nem que Cristo desça à Terra” é um exemplo. [...] Sobre António Guterres, Marcelo passou de achar que o seu calcanhar de Aquiles era a “falta de sentido de autoridade de Estado” (1996) para dizer que ele “é a figura mais brilhante” da sua geração e o primeiro-ministro “mais-amado de Portugal” (2016)» («Ziguezagues dos políticos ou quando a memória atrapalha», Sónia Sapage, Público, 25.06.2015, p. 8).

      Não se percebe em todos os casos, mas parece que são citações do livro Ziguezagues na Política, de Pedro Prostes da Fonseca (Lisboa: Desassossego, 2018), e sendo assim estamos mal, pois a ortografia sai um pouco maltratada. É «cata-vento»: nos compostos em que o primeiro elemento é um verbo ou forma reduzida por supressão de fonemas ou sílabas, usa-se o hífen. Como é «mais amado»: deve haver aí confusão com formas como «bem-amado», «mal-amado» e até «mais-que-tudo».

 

[Texto 9493]

Helder Guégués às 15:14 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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25
Jun 18

Léxico: «lealista»

O pior é o plural

 

      «Filho do último Xá – ou imperador – do Irão, Reza Pahlavi vive no exílio desde a revolução islâmica de 1979, que destronou o seu pai e mudou o destino do seu país, pondo fim a cerca de 2.500 anos de monarquia ininterrupta. Depois de terem vivido por uns tempos exilados no Egito, onde o seu pai morreuo [sic], tornando-o, aos olhos dos lealistas, o legítimo governante do Irão, os Pahlavi mudaram-se para os Estados Unidos e por lá estão» («O que é feito da família do Xá do Irão? Príncipe herdeiro não esquece o país, apesar do exílio e da tragédia», Filipe d’Avillez, Rádio Renascença, 25.06.2018, 9h45).

      Filipe d’Avillez queria escrever «os Pahlavis», mas o dedo não pressionou bem a tecla do s, não foi assim? Lealista. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: ✘. No VOLP da Academia Brasileira de Letras: ✔.

 

[Texto 9492]

Helder Guégués às 12:06 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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