28
Jun 18

Léxico: «eléctrica»

Uma forma de dizer

 

      «As elétricas justificam o comportamento do preço com o facto de a subida da produção hídrica não ter compensado a queda da produção eólica e a paragem de duas centrais nucleares em Espanha, factos que obrigaram inclusivamente a uma maior importação de eletricidade de França e ao uso reforçado de centrais termoelétricas a carvão e gás natural» («Chuva engorda lucro da EDP em €200 milhões sem baixar a fatura da luz», Miguel Prado, Expresso Diário, 28.06.2018).

      Eu já chamei a atenção de todos, há uns tempos, para esta particularidade: nos últimos tempos, para se referirem às empresas de certos sectores, dizem «as tecnológicas», «as eléctricas», e por aí fora. Mais tarde ou mais cedo, isto tem de ir para os dicionários, ou vamos ter — teremos sempre, mas enfim, ajudemo-los — muitos falantes à nora. Foram os jornalistas económicos (em ambos os sentidos) que inventaram isto.

 

[Texto 9518]

Helder Guégués às 20:43 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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Léxico: «búzio-canilha»

Mas está a tempo

 

      «As especialidades da casa [Marisqueira Rui, Silves] incluem, além dos esperados camarões, navalheiras, lingueirão, lagosta, amêijoas, sapateira e cataplanas mistas. Sempre que disponíveis, aposte nas conquilhas (€12) ou nas canilhas (€14)» («Algarve: a arte de mariscar em oito restaurantes», Paulo Brilhante e Fernando Brandão, Expresso Diário, 28.06.2018).

      Referem-se ao búzio-canilha (Bolinus brandaris), que tem concha com espiral globular e curta e voltas com espinhos normalmente bem desenvolvidos? O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não sabe o que é isso.

 

[Texto 9517]

Helder Guégués às 20:23 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «mariscar»

Uma arte

 

      «São oito, mas poderiam ser muitos mais. O Algarve é uma região privilegiada para mesas fartas e cheias de sabor a mar. Da zona rochosa de Sagres até às areias quentes do Sotavento, siga a rota dos melhores restaurantes e marisqueiras, a partir da seleção elaborada para o guia “Marisqueiras & Esplanadas” já à venda (reserve o seu exemplar através da Loja Expresso). Dos percebes às ostras, sem esquecer as amêijoas, as conquilhas, os camarões e os carabineiros, mariscar é uma arte no Algarve» («Algarve: a arte de mariscar em oito restaurantes», Paulo Brilhante e Fernando Brandão, Expresso Diário, 28.06.2018).

      Mariscar é petiscar, comer marisco? O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não sabe o que é isso.

 

[Texto 9516]

Helder Guégués às 20:14 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «pastinaga/cherovia»

Corrigir, uniformizar, melhorar

 

      Pastinaga, lê-se no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, é a «planta herbácea, da família das Umbelíferas, de raiz carnosa comestível e de sabor intenso, cultivada na região da Serra-Da-Estrela [sic]; cenoura branca». Está bem, mas mostrem uma à minha sogra e ela dir-lhes-á que é uma... cherovia. Então, consultem agora o verbete cherovia no mesmo dicionário, e verão que é a «(Pastinaca sativa) planta herbácea, da família das Umbelíferas, de raiz carnosa, comestível e de sabor intenso, tem caule erecto, com cerca de 12 centímetros de altura, folhas grandes e pequenas flores amarelas; cherivia, pastinaga». Corrigir, uniformizar, melhorar.

 

[Texto 9515]

Helder Guégués às 15:56 | comentar | ver comentários (2) | favorito

Léxico: «raposa-voadora»

Quase perfeito

 

      Aos domingos, o Diário de Notícias também traz, para quem quiser fazer colecção, a réplica de um animal em perigo de extinção. Serão vinte, dos quais apenas um — isto vai melhorando — não está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: raposa-voadora (Pteropus vampyrus), que, na verdade, não é nenhuma raposa, só voadora. É um morcego, o maior do mundo. Não, vendo bem, faltam dois, pois também não regista urso-panda, mas, como é uma falta comum a muitos dicionários — e, afinal, é mais comum dizer panda —, mas é compreensível. Mas não está tudo bem: tubarão-branco e mandril, por exemplo, não têm, no dicionário da Porto Editora, nome científico.

 

[Texto 9514]

Helder Guégués às 15:28 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Concerto das Nações

O desconcerto da imprensa

 

      «Quando o cadáver do pequeno Aylan Kurdi ficou prostrado na areia de uma praia turca, em setembro de 2015, a União Europeia acordou para o drama dos refugiados. A rápida e consertada atuação dos estados-membros permitiu uma resposta à altura da dimensão da tragédia» («A última fronteira», Paulo João Santos, Correio da Manhã, 28.06.2018, p. 2).

      Será que nunca leu a expressão Concerto das Nações, a ordem internacional surgida, no início do século XIX, após a derrota de Napoleão? Não é que os Estados-membros não precisem de conserto também, mas este obtém-se, em última instância, por meio da concertação, da harmonização de interesses. Este erro não é muito diferente do coser/cozer, que ontem vimos na biografia do General Loureiro dos Santos, mas a milhas do «pelintro», o mais ridículo e analfabeto que vi nos últimos anos.

 

[Texto 9513]

Helder Guégués às 14:02 | comentar | favorito
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28
Jun 18

Léxico: «claretiano»

Fillos do Corazón de María

 

      «O Papa vai ainda criar três cardeais com mais de 80 anos: D. Sergio Obeso Rivera, arcebispo emérito de Xalapa (México); D. Toribio Ticona Porco, bispo emérito de Corocoro (Bolívia); padre Aquilino Bocos Merino, missionário claretiano» («Consistório. A festa em tons de vermelho que vai criar 14 novos cardeais», Rádio Renascença, 20.05.2018, 13h29).

      Não é no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora que vão encontrar claretiano, isso é certo. Têm de pedir ajuda ao dicionário da Junta da Galiza: «1 adx Relativo ou pertencente aos claretianos ou ao seu instituto. 2 s RELIX Membro da congregación de Misioneiros Fillos do Inmaculado Corazón de María.»

 

[Texto 9512]

Helder Guégués às 08:35 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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