06
Jul 18

Léxico: «imanado»

Antes que alastre mais

 

      Como nos próximos anos vamos ouvir falar muito disto, convém já preparar o terreno e avisar os jornalistas: é imanado que se diz, e não «imanato», ou «imamato», como escreveu Helena Bento no Expresso Diário de ontem. Vá, esforcem-se lá um bocadinho que não vão morrer por isso. Sim, imanado como emirado. Ainda que na nossa língua se usem os sufixos -ado e -ato para designar a dignidade ou cargo e instituição ou jurisdição, é preferível o primeiro, por ser mais tradicional.

 

[Texto 9571]

Helder Guégués às 08:06 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «ilhéu»

Como é possível?

 

       «Escondidas da cidade desde o século XIX, as envergonhadas ilhas do Porto continuam ocultas do olhar dos turistas da nova Invicta. No arquipélago de 957 ilhas residem 10.400 ilhéus em 4900 fogos, na esmagadora degradados, quase todos nas mãos de privados. Governo promete ajuda, Rui Moreira também, mas a oposição desconfia» («Ilhas do Porto vieram à tona. Para moradores ou turistas?», Isabel Paulo, Expresso Diário, 5.07.2018).

      Só pode ser por distracção: o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não regista esta acepção de ilhéu.

 

[Texto 9570]

Helder Guégués às 07:52 | comentar | favorito
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Léxico: «agacão»

Falta o melhor

 

       «O palacete que será a futura sede do Imamato [sic] Ismaelita, no Palácio Henrique Mendonça, onde se situava a sede da Nova School of Business & Economics (o investimento terá rondado os 12 milhões de euros), em Lisboa, será um dos pontos de paragem do Príncipe Karim al-Hussaini – de título Aga Khan IV e dito descendente do profeta Maomé – que está de visita a Portugal para celebrar os seus 60 anos enquanto líder da comunidade religiosa que congrega 15 milhões de muçulmanos xiitas em todo o mundo» («“Quando o rei ia para Évora, ia toda a gente para Évora. Com Aga Khan vai ser igual”», Helena Bento, Expresso Diário, 5.07.2018).

      É raro ver-se escrito correctamente. Ainda ontem li algures «Príncipe Aga Khan». Enfim, o cuidado e o saber habituais dos jornalistas. Como já uma vez lembrei, também se pode –  e deve, visto tratar-se de um título – optar pelo aportuguesamento: agacão. Qual a tristeza disto tudo? Nem sequer os dicionários o registam. «Avisto a ilha Botânica, frondosa e repleta de plantas exóticas, depois, a Elefantina, com a velha fortaleza, e, ao fundo, a recortar o horizonte, o mausoléu de Agacão III» (Viagens, Almas e Vidas, Maria Assunção Avillez. Lisboa: Prime Books, 2004, p. 83).

[Texto 9569] 

Helder Guégués às 07:46 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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06
Jul 18

«Pau de selfie»

É o que se ouve e lê

 

      «Importarmo-nos com possuir o tipo apropriado de pau de selfie» (A Arte Subtil de Saber Dizer Que Se F*da, Mark Manson. Tradução de Fernanda Semedo. Lisboa: Desassossego, 2018, p. 12).

      Quando se recomendou — vimo-lo aqui — que se dissesse «bastão de selfie», logo me pareceu que os falantes não iam por aí. O que me parece, eu, que não uso nem nunca usarei isso, é que «pau de selfie» se ouve mais. Aliás, até vai estando fora de moda, agora usam-se uns suportes que colam o telemóvel em praticamente qualquer superfície.

 

[Texto 9568]

Helder Guégués às 07:39 | comentar | favorito
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