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Jul 18

Léxico: «cenoura-negra»

Para atletas (e lexicógrafos)

 

      A criancinha bebeu um iogurte da nova gama da Nestlé, a Lindahls Kvarg, rico em proteínas (23 g), minerais, como cálcio, e vitaminas. Só isto? Não. Tem cenoura-negra (Daucus carota subsp. Sativus, rica em antocianinas), que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora desconhece.

 

[Texto 9601]

Helder Guégués às 20:06 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Léxico: «liofilizadora»

Queremos uma

 

      «A compra da liofilizadora e o regresso do pórtico exigem competências de que a diminuta equipa do CNANS [Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática] — dois arqueólogos, dois assistentes técnicos e um conservador restaurador — não dispõe» («Pela primeira vez a arqueologia náutica vai ter casa própria», Lucinda Canelas, Público, 11.07.2018, p. 29).

      Liofilizadora, ou seja, uma máquina que procede à liofilização, «processo de desidratação que decorre numa câmara onde as madeiras são primeiro congeladas e depois aquecidas em vácuo para sublimar a água sem que esta passe pela fase líquida». No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: ✘. No VOLP da Academia Brasileira de Letras: liofilizador.

 

[Texto 9600]

Helder Guégués às 19:32 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Léxico: «junta de dilatação»

Assim não

 

      «“Eu tinha verificado os pneus antes de partir”, assegura, mostrando-se convicto de que foi um objecto qualquer na auto-estrada que originou o rebentamento. Ou isso ou a junta de dilatação à entrada da ponte» («Disseram-lhe que nunca mais voltava a andar. Hoje pede meio milhão à Brisa», Ana Henriques, Público, 11.07.2018, p. 16).

      Junta de dilatação. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: ✘. No Dicionário de Francês-Português da Porto Editora: ✔.

 

[Texto 9599]

Helder Guégués às 19:12 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Léxico: «chapéu»

Mais chapéus

 

      «Com três grandes chapéus — desenvolvimento social, com educação e cuidados de saúde, desenvolvimento económico e desenvolvimento cultural — a rede Aga Khan mede o impacto da sua acção» («Mais de dois milhões de pessoas utilizam o nosso sistema hospitalar [na Ásia Central e do Sul]», Lurdes Faria, Público, 11.07.2018, p. 12).

      Não sei se é uma acepção atendível, digna de se dicionarizar. Sei que se usa com alguma frequência, como também sei que ao Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora faltam várias, muitas, acepções de chapéu. Ontem vimos aqui uma, para traduzir o termo inglês lob.

 

[Texto 9598]

Helder Guégués às 18:38 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Léxico: «saíbe»

Ora, também temos

 

      «O que eles te ensinarão não sei, mas o padre escreveu-me dizendo que nenhum filho de sahib em toda a Índia será melhor ensinado que tu» (Kim, Rudyard Kipling. Tradução de Maria Madalena Esteves. S/l: Bibliotex Editor/Diário de Notícias, 2003, p. 124).

      Saíbe. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: ✘. No Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora: ✔.

 

[Texto 9597]

Helder Guégués às 16:48 | comentar | favorito | partilhar
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Léxico: «patane»

É muito simples

 

      «Exceptuando Mahbub Ali, e ele é patane, eu não tenho nenhum amigo senão tu, Santo» (Kim, Rudyard Kipling. Tradução de Maria Madalena Esteves. S/l: Bibliotex Editor/Diário de Notícias, 2003, p. 123).

      Patane. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: ✘. No VOLP da Academia Brasileira de Letras: ✔. Porquê em itálico, se é um aportuguesamento? Bem, mas esse será um mal menor: entre erros grosseiros de tradução e erros ocasionados pela digitalização, se esta edição não existisse, o mundo seria menos mau.

 

[Texto 9596]

Helder Guégués às 16:36 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Canábis, canábis, canábis...

Poupem-nos

 

      «Marcelo promulga uso de cannabis para fins medicinais», titula hoje o Público. Esta teimosia é simplesmente antipedagógica e ridícula. É como se, em vez de escreverem, como todos os mortais, «alface», preferissem o científico Lactuca. Poupem-nos.

 

[Texto 9595]

Helder Guégués às 14:42 | comentar | ver comentários (3) | favorito | partilhar
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Léxico: «dorsal»

Do dorso, sim, mas...

 

      «A PRP [Prevenção Rodoviária Portuguesa] recomenda o incentivo à utilização de equipamentos de segurança por parte do condutor, como luvas, blusão, dorsais ou equipamentos com sistemas de airbags, bem como a utilização no veículo de sistemos ativos de segurança, incluindo controlo de tração e repartidor de travagem. A PRP também reclama que a infraestrutura deve utilizar materiais adequados para as marcas rodoviárias no pavimento, nomeadamente passadeiras e linhas contínuas, de forma a evitar a perda de aderência com chuva, e balizas de sinalização flexíveis em vez de pilaretes rígidos junto das faixas de rodagem)» («Acidentes mortais de motociclistas mais que duplicaram em 2017», Motor 24/TSF, 11.07.2018, 13h18).

      Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, não tem nada que saber: como adjectivo, dorsal significa «do dorso ou a ele referente»; como substantivo, é a «cordilheira oceânica submarina que se estende longitudinalmente nos grandes oceanos e cujos picos podem emergir como ilhas vulcânicas». Sendo assim, faltam, pelo menos, duas acepções.

 

[Texto 9594] 

Helder Guégués às 13:39 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Léxico: «perliquitete(s)»

Afinal, não é bem assim

 

      «Era todo perliquitete de maneiras, perfumava-se, tinha mui honrosas relações na Vila, na Póvoa, no Pôrto, só pensava em erguer mais altos voos, — e queria lá saber de águas passadas de enjeitados e velhas mendigas tontas!» (Histórias de Mulheres, José Régio. Lisboa: Portugália, 1946, p. 181).

      Isto é como a pega de cara(s): provavelmente até se usa mais no plural, mas o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora só o regista no singular. Também só acolhe perliquitetes, quando na literatura, como acabámos de ver, em vocabulários e até na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira se registam ambas as formas, perliquitete e perliquitetes.

 

[Texto 9593]

Helder Guégués às 13:08 | comentar | favorito | partilhar

Léxico: «lusito»

Dos 7 aos 10 anos

 

      «(Ocorre-me: castanho e verde eram as cores da minha farda de lusito da Mocidade Portuguesa.)» (Já não Se Escrevem Cartas de Amor, Mário Zambujal. Lisboa: Clube do Autor, 2018, p. 12).

      O itálico é que não se percebe — e ainda menos se percebe porque não o acolhe o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Mistérios. Faltam então lusito, infante, vanguardista e cadete, os quatro escalões da Mocidade Portuguesa.

 

[Texto 9592]

Helder Guégués às 12:24 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Léxico: «descompensar»

Têm de nos compensar

 

      «Nesta formação destinada aos Guardas Prisionais da Clínica de Psiquiatria de Santa Cruz do Bispo, [o técnico superior de reeducação] Helder Sousa dá um módulo sobre o doente mental em meio prisional. “Como reagir quando descompensam, como falar com eles? A arma de quem lá trabalha é a palavra”, diz Helder, explicando que, no fundo, se pretende ajudar a comunicar “com pessoas que têm problemas psíquicos”» («Como deve o guarda prisional reagir quando um inimputável descompensa?», Bárbara Baldaia, TSF, 10.07.2018, 20h37).

      Falta esta acepção do verbo descompensar no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Agora têm de nos compensar redigindo uma definição clara, precisa, rigorosa.

 

[Texto 9591]

Helder Guégués às 09:09 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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11
Jul 18

Léxico: «novelização»

E, contudo, usa-se

 

      «Quando foi inventada – no tempo em que só havia jornais – a comunicação social servia para informar o leitor acerca dos principais factos novos de interesse público. Na era presente da híper-informação [sic], o conceito de notícia é tão amplo e maleável, ao sabor de agendas e lobistas, voyeurismo e infotainment (a mistura da informação com entretenimento), que as redes sociais, as televisões e o online não têm barreiras à “novelização” da informação, ou seja, a lançar um isco e a pisá-lo e repisá-lo, vezes sem conta, servindo requentado um “prato”, leia-se, um tema, que de repente faz manchete, mas que, na verdade, tarda a ser uma notícia, entendida como algo novo e, por isso mesmo, relevante» («“Estar por horas”: a não-notícia», José Miguel Sardica, Rádio Renascença, 11.07.2018).

      Anda há muitos anos por aí, e até está em alguns dicionários, mas não no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. (Atenção, José Miguel Sardica, escreve-se «hiperinformação».)

 

[Texto 9590]

Helder Guégués às 08:56 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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