02
Jul 18

São tantos

Entre muitos outros

 

      Finalmente, uma imagem da autoria de João Petronilho, na obra Arouca Geopark: Retratos de Uma Viagem, mostra-nos um chapim-de-poupa (Lophophanes cristatus), que se costuma ver nos pinhais. Ora, o chapim-de-poupa (crested tit, para a legião de anglófonos que nos segue) também não está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Escrevi «finalmente», mas no livro figuram muitos outros que o dicionário da Porto Editora não acolhe: aranha-vespeira (Argiope bruennichi), gavião-da-europa (Accipiter nisus), rato-do-campo (Apodemus sylvaticus), melanargia-ocidental (Melanargia occitanica), tritão-marmorado (Triturus marmoratus), rã-ibérica (Rana iberica), petinha-dos-campos (Anthus campestris), águia-calçada (Hieraaetus pennatus), anémona-dos-bosques (Anemone trifolia), etc. E tudo isto só em Arouca. Vivemos num país admirável, essa é que é essa.

 

[Texto 9539]

Helder Guégués às 22:09 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «zigaena-dos-cinco-pontos»

Uma borboleta

 

      Também da autoria do fotógrafo David Guimarães, no mesmo Arouca Geopark: Retratos de Uma Viagem, uma imagem da zigaena-dos-cinco-pontos (Zygaena trifolii), uma belíssima borboleta (five-spot burnet, para a legião de anglófonos que nos segue), comum em Portugal, mas jamais avistada no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

 

[Texto 9538]

Helder Guégués às 19:47 | comentar | favorito
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Léxico: «lagartixa-ibérica»

Um sáurio

 

      Bela imagem, da autoria do fotógrafo David Guimarães, de um «juvenil de lagartixa-ibérica, Podarcis hispanica», no livro Arouca Geopark: Retratos de Uma Viagem (Arouca: AGA – Associação Geoparque Arouca, 2014). O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora é que não conhece esta lagartixa.

 

[Texto 9537]

Helder Guégués às 19:40 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Prefixo «ciber»

Ainda há trabalho

 

      «Ciberbullying, cibersexo, ciberdiplomacia, ciberguerra, ciberfraude, ciberdefesa, cibercrime, ciberterrorismo, cibersegurança, ciberataque, ciberjogo, ciberguerra, [sic] são alguns dos muitos neologismos criados como resultado da transformação digital a que assistimos e que consiste em usar o prefixo “ciber” em inúmeros contextos» («O prefixo “ciber”», Pedro Veiga [Professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa], Público, 2.07.2018, p. 45).

      Assim é, e agora veja-se quantos estão nos dicionários gerais da língua. Bem, mas não apenas isso: e as definições? Deixa-me muitas dúvidas a definição de cibersexo no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «(internet) situação em que o utilizador participa virtualmente em jogos sexuais com outro(s) utilizador(es)». Se for mera exibição do corpo, que componente de jogo há nisso?

 

[Texto 9536]

Helder Guégués às 13:13 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Como se escreve nos jornais

Eles sabem lá

 

      «Em fevereiro de 2015, o TRL [Tribunal da Relação de Lisboa] confirmou a sentença de absolvição do ex-militar da primeira instância, à qual o Ministério Público deu visto. Conta Brandão Ferreira que, [sic] este acórdão que o absolvia foi anulado, com o argumento de que Alegre não foi notificado. Acontece que este mudou de advogado e para o lugar de Nuno Godinho de Matos foi Afonso Duarte, por acaso seu filho» («Alegre reclama 75 mil a tenente-coronel», Sónia Trigueirão, Correio da Manhã, 2.07.2008, p. 20).

     «Por acaso seu filho» — é então assim que se escreve no moderno jornalismo. Isto é o quê, uma ofensa à mãe?

 

[Texto 9535] 

Helder Guégués às 10:27 | comentar | favorito
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02
Jul 18

Léxico: «badameco»

A maioria não a regista

 

      «Nos dias seguintes Ricardo Reis pôs-se à procura de casa. Saía de manhã, regressava à noite, almoçava e jantava fora do hotel, serviam-lhe de badameco as páginas de anúncios do Diário de Notícias, mas não ia para longe, os bairros excêntricos estavam fora dos seus gostos e conveniências, detestaria ir viver, por exemplo, lá para a Rua dos Heróis de Quionga, à Moraes Soares, onde se tinham inaugurado umas casas económicas de cinco e seis divisões, renda realmente barata, entre cento e cinco e duzentos e quarenta escudos por mês, nem lhas alugariam a ele, nem ele as quereria, tão distantes da Baixa e sem a vista do rio» (O Ano da Morte de Ricardo Reis, José Saramago. Lisboa: Editorial Caminho, 1984, 10.ª ed., p. 201).

      No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, e noutros dicionários, valha a verdade, faltam várias acepções de badameco, e, entre elas, a do livro de Saramago. O leitor que saiba que badameco é corruptela de vade-mécum está na posse da chave para decifrar a frase. Orlando Neves, no seu Dicionário da Origem das Palavras, explica isto muito bem.

 

[Texto 9534]

Helder Guégués às 07:40 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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01
Jul 18

Léxico: «molengo»

Claro que se usa

 

      «(Rui pensa: ¿Não valerá a pena regressar ao homem primitivo? Força, gozo, carne. A luta! Mas uma luta brutal que rompa serena e potente. Êle, Rui, era um chocho e um molengo. ¿Ou não teria isto nada que ver com o romance de Fernando?)» (O Caminho Fica Longe, Vergílio Ferreira. Lisboa. Inquérito, 1943, p. 50).

      Molengo. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: ✘. Na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira: ✔.

 

[Texto 9533] 

Helder Guégués às 15:36 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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01
Jul 18

Léxico: «crocância»

Nada de arrojado

 

       «Falha na “Tempura de espargos com guacamole” (€8,90) pela ausência de ‘crocância’, característica do polme japonês, e pelo excesso de cozedura dos espargos, molengos e sensaborões» («A união dos “átonos”», Fortunato da Câmara, «Revista E»/Expresso, n.º 2383, 30.06.2018).

       Eu também tenderia a dizer que não precisamos dela, mas não é o que a generalidade dos falantes pensa e, afinal, de «estaladiço» também não temos substantivo. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que já acolhe crocante, terá de se render, mais tarde ou mais cedo, a crocância. (Fortunato da Câmara, não gaste tantas aspas.)

 

[Texto 9532]

Helder Guégués às 14:16 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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