31
Ago 18

Léxico: «efêndi»

Estamos condenados

 

      Efêndi. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: ✘. No VOLP da Academia Brasileira de Letras: ✔. Caramba, até se lê em jornais. Eu conhecia-a nas obras de Eça de Queiroz. E não acontece o mesmo com sirdar?

 

[Texto 9841]

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31
Ago 18

Tradução: «Parthian shot»

Nada de pártico

 

      Não abandonou o campo de batalha sem «getting in a Parthian shot». Para o tradutor, foi «disparando uma flecha partiana». Os dicionários bilingues também não ajudam muito. No Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora, regista-se a expressão Parthian shaft/shot, e a explicação — não a tradução — é «frase ou palavra rápida de despedida mas para ferir». Lá se vai a metáfora. Para começar, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora nem sequer regista o vocábulo pártico. (No VOLP da Academia Brasileira de Letras: ✔.) Os Partos eram guerreiros e cavaleiros exímios: disparavam por cima do ombro, com grande precisão, flechas enquanto cavalgavam — o famigerado disparo parto.

 

[Texto 9840]

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30
Ago 18

Léxico: «cantautor»

Castelhanismo, reconheçam

 

      «Quando a Sociedade Portuguesa de autores propôs a trasladação dos restos mortais de José Afonso para o Panteão Nacional a família do cantautor recordou estas palavras» («A canção em que Zeca Afonso dizia “quero campa rasa”», Carolina Rico, TSF, 23.08.2018, 10h37).

      «De cantor × autor», diz-nos o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, errando no símbolo. Será assim tão difícil reconhecer que se trata de um castelhanismo?

 

[Texto 9839]

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30
Ago 18

Os Braganças, os Sabóias e todos os outros

Não me calo

 

      «Nascida a 16 de outubro de 1847, D. Maria Pia pertencia à Casa de Saboia, que católica e com créditos de liberal se perfilava como parceira ideal para uma aliança por casamento com os Bragança portugueses (havia também o ramo brasileiro). Casou em 1862 com D. Luís, que no ano anterior ascendera ao trono português por morte do irmão, D. Pedro V. [...] Humberto II, último rei italiano, o último dos Saboia monarcas, reinou apenas um mês em 1946 e exilou-se depois em Cascais, nesse Portugal que foi pátria da sua tia-avó Maria Pia, que terá chegado a conhecer em Turim, pois tinha sete anos quando ela morreu» («Rainha portuguesa nasceu na cidade da Juventus», Leonídio Paulo Ferreira, Diário de Notícias, 24.08.2018, 12h24).

      Leonídio Paulo Ferreira costuma ser mais cuidadoso. «Os Césares gostavam de teatro, como os Braganças da dança» (Vale Abraão, Agustina Bessa-Luís. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2004, p. 206). «Nele me recolho, comovido, junto do túmulo de Rafael, quase modesto se comparado à retórica dos túmulos dos Sabóias» (Aventura Interior, João Bigotte Chorão. Coimbra: Almedina, 1969, p. 69).

 

[Texto 9838]

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29
Ago 18

«Canyoning»...

Antes de Espanha

 

      «De acordo com aquela força policial, o homem “caiu numa fenda de difícil acesso, em Corga de Frecha, em Ourense, na Galiza”, localidade que faz fronteira com Terras de Bouro, no distrito de Braga, “quando praticava ‘canyoning’ com mais três pessoas, dois homens de 29 e 51 anos e uma mulher de 30 anos, entretanto resgatados e que se encontram bem”» («Português desaparecido em Espanha», Rádio Renascença, 22.05.2016, 23h52).

      Não é a palavra canyoning que se usa habitualmente? Entendeu-se que o termo inglês era insubstituível. Aqui ao lado, em Espanha, porém, usam o termo barranquismo: «Deporte de aventura consistente en descender por los barrancos del curso de un río salvando los diversos obstáculos naturales» (in DRAE). Também podia ser a nossa opção, já que temos o vocábulo «barranco».

 

[Texto 9837]

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29
Ago 18

Léxico: «sinização»

Há muito, muito tempo

 

      «Como sempre acontece com os vencedores e vencidos, são estes que vão desencadear a sinização da aristocracia manchú [sic]» (A Quinta-Essência, Agustina Bessa-Luís. Lisboa: Guimarães Editores, 1999, p. 331).

      Sinização. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: ✘. No VOLP da Academia Brasileira de Letras: ✔. E, contudo, encontramo-la — mas há incongruidades lexicográficas ainda maiores — em textos de apoio da Infopédia.

 

[Texto 9836]

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28
Ago 18

Como se escreve por aí

Vamos melhorar

 

      «Um grupo de cientistas anunciou ter encontrado vestígios de uma mulher da pré-história, filha de mãe Neandertal e de pai de um outro grupo de humanos extinto conhecido como Denisovans» («Cientistas descobrem menina descendente de duas espécies diferentes de humanos», Rádio Renascença, 23.08.2018, 7h10). Podemos fazer melhor: «Um grupo de cientistas anunciou ter encontrado vestígios de uma mulher da Pré-História, filha de mãe neandertal e de pai de outro grupo de humanos extinto conhecido como Denisovanos.»

 

[Texto 9835]

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28
Ago 18

Como se escreve por aí

The Best or Nothing

 

      Não é o mais recomendável, mas tive de comprar umas bolachas artesanais (e se pusermos aspas?) de aveia com chocolate e noz. Nada más, na verdade. São fabricadas na Confeitaria Alvorada, em Guimarães. Na embalagem, que podemos nós ler? Isto: «Produzido por/Powered by». Preferia que fosse powered by Mercedes-Benz.

 

[Texto 9834]

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27
Ago 18
27
Ago 18

Tradução: «algal bloom»

Evitar a salgalhada

 

      «A entidade tutelada pelo Ministério do Ambiente refere também que as previsões de temperaturas elevadas para o distrito de Castelo Branco “poderão determinar a ocorrência de ‘blooms’ algais e assim também contribuir negativamente para a degradação da qualidade da água” do rio» («APA. Água do Tejo sem oxigénio suficiente», Rádio Renascença, 22.08.2018, 20h41).

      Então não é florações ou eflorescências algais o nome que se dá, em português, a este fenómeno? Ou tudo em inglês ou tudo em português.

 

[Texto 9833]

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