04
Set 18

Castros Alves e outros: de novo o plural

Era só isto

 

      «Às crianças das escolas do nosso Brasil, deveriam dizer-lhes a verdade pura: e a verdade é que os meninos da região amazónica, por exemplo, não falam como os meninos do Rio-Grande-do-Sul; e sendo a Amazónia, o Rio-Grande-do-Sul, etc., etc., tudo partes constituintes de um mesmo Brasil, torna-se necessária uma língua comum, que é a língua escrita, — a que se lê nas obras dos Castros Alves, dos Josés de Alencar, dos Joaquins Nabucos, dos Machados de Assis, dos Euclides da Cunha: e é essa a língua que se aprenderá na escola, como se aprendem as contas, os animais, as plantas, os elementos da física, a geografia, a história...» (Em tôrno do problema da «língua brasileira» (palavras de um cidadão do mundo, humanista crítico, a um estudante brasileiro seu amigo), António Sérgio. Lisboa: Seara Nova, 1937, p. 24).

 

[Texto 9856]

Helder Guégués às 15:29 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Léxico: «gelamonite»

O senhor da construção civil

 

      «O comando territorial de Castelo Branco encontrou, na habitação de um homem de 45 anos, gelamonite, um explosivo essencialmente usado na construção civil para rebentamento de zonas rochosas. [...] Tiago Pombo [oficial de Comunicação e Relações Públicas do Comando Territorial de Castelo Branco] explicou que os explosivos eram usados pelo homem para pescar: “O senhor trabalha na construção civil e numa obra onde trabalhou conseguiu apoderar-se deste material que usava para a pesca. Fabricava uns engenhos explosivos improvisados, arremessava-os para a água e depois recolhia o peixe que era morto com a ativação do engenho”» («A planta de canábis que denunciou o dono de explosivos», Sara Beatriz Monteiro, TSF, 3.08.2018, 15h42).

      Em Castelo Rodrigo, um biólogo mostrou-me uma planta que, depois de moída e transformada em pasta, também serve para pescar — deixando os peixes entontecidos. Com gelamonite, porém, ficam mais do que tontos. E por tontos, que dicionário regista o vocábulo gelamonite? Alvíssaras. Registam amonite, cordite, amonal, lidite, etc.

 

[Texto 9855]

Helder Guégués às 15:24 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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Léxico: «torça»

Diferente de força

 

      Em Escalhão, mostraram-me a torça da porta da casa de um judeu. Creio que a melhor definição de torça — vocábulo que nunca ouvi no Sul — a encontramos em Cândido de Figueiredo: «pedra quadrilonga e esquadriada, verga de porta; padieira». Bem, melhor do que a definição do dicionário da Porto Editora, porque há outras boas definições. «Tórça (d’uma porta ou janella). — A pedra que fecha o rectangulo no alto, a pedra opposta á soleira. — Immediatamente por trás da torça, fica a contra-torça» (Revista Lusitana, vol. 5, 1899, p. 107). A pessoa que me falou da torça pronunciou esta palavra com o fechado, «tôrça», ao contrário do que se lê nas entradas do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora e da Revista Lusitana.

 

[Texto 9854]

Helder Guégués às 15:22 | comentar | favorito
04
Set 18

Léxico: «bitola ibérica»

Também seria útil

 

      «Portugal apenas pode alugar comboios a Espanha, uma vez que ambos os países têm a mesma distância entre carris, a chamada bitola ibérica» («CP aluga mais quatro comboios à Renfe», Rádio Renascença, 3.09.2018, 6h10).

      Os dicionários deviam registar a expressão bitola ibérica com uma definição breve e clara, que não podia deixar de indicar as medidas dessa bitola (1668 mm). Para saber mais sobre esta questão, e em especial as razões históricas, vejam este estudo.

 

[Texto 9853]

Helder Guégués às 15:18 | comentar | favorito
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