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Set 18

Léxico: «juiz de linha»

Haja vontade

 

      Muito, muito a propósito: juiz de linha está assim definido no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «DESPORTO (futebol) pessoa cuja principal função é auxiliar o árbitro, assinalando infracções, saídas de bolas, etc., com uma pequena bandeira, árbitro auxiliar». Ora, não vimos hoje mesmo, a propósito de sopinha-de-massa, que não se refere apenas ao futebol? Ou temos também a futebolização da língua? Em documentos da Federação Portuguesa de Ténis (FPT) que acabo de consultar, vejo também «juiz de cadeira». Ora aí está, faltam muitas nos dicionários. Haja vontade.

 

[Texto 9899]

Helder Guégués às 14:58 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar

Depois da saudade, o facilitar?

Não facilitemos

 

      «Não conheço equivalente noutras línguas[,] mas é um dos verbos mais úteis e polivalentes da língua portuguesa. Usam-no os arrumadores (o amigo não me facilita uns trocos?), um cliente que queira fiado (ó dona Lurdes, eu até levava uns bifes, mas só se facilitar...) ou qualquer utente de um serviço público quando tenta acelerar um processo (veja lá se me facilita isso, é que amanhã tenho consulta)» («A vida é difícil mas a gente facilita», Nuno Camarneiro, Diário de Notícias, 11.09.2018, 6h21).

      Há-de haver verbos equivalentes noutras línguas, não é? Não contribuamos nós para mais um mito de intraduzibilidade (Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, também te esqueceste desta) como em relação a «saudade».

 

[Texto 9898]

Helder Guégués às 09:28 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Ortografia: «sopinha-de-massa»

Houve uma troca

 

      «Jorge Dias conhece Carlos desde os tempos em que era juiz-de-linha. O primeiro não britânico a dirigir a final de Wimbledon (em 2001) reconheceu-lhe, desde logo, algumas qualidades para ser um bom árbitro: boa apresentação e educação, sabia comunicar bem, tinha bom espírito de equipa, sabia ouvir e gostava de aprender, mas era “sopinha de massa” e quando falasse poderia ser alvo de gozo. “Certo é que resolveu ser operado e lembro-me que teve que aprender a falar de novo. Isto só para demonstrar a força de vontade e a personalidade que ele tinha em querer mudar para ter futuro na arbitragem”, recorda Dias, que, em 2007, viu Ramos suceder-lhe numa final de Wimbledon, aquela em que Roger Federer conquistou o quinto título consecutivo no torneio» («Inflexibilidade faz de Carlos Ramos um dos melhores do mundo», Pedro Keul, Público, 11.09.2018, p. 40).

      Pedro Keul, é sopinha-de-massa (e esqueça as aspas). Não é consensual, mas eu escrevo juiz de linha. Se quiser fugir à polémica e à dúvida, escrevo juiz auxiliar.

 

[Texto 9897]

Helder Guégués às 09:11 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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11
Set 18

Léxico: «concani»

E por aí fora

 

      Se de concanim se remete para concani, porque não se remete deste para aquele? Um erro recorrente. Sim, refiro-me ao Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Também gostava que se dissesse mais sobre a língua de um território que foi nosso: «língua falada em Concão, antigo território indiano na costa do Malabar, onde se situa Goa». Só a palavra «antigo» deixa logo o leitor novato de pé atrás. Escusadamente. Menos passado, mais presente. Devia dizer-se a que grupo linguístico pertence, que é a língua oficial (a par do marata) de Goa deste 1987. Não devia dizer-se, mas convém saber, que o concani tem cerca de 2000 palavras de origem portuguesa, que o concani literário da comunidade católica recebeu influências sintácticas do português, que há alguns concanismos na nossa língua, que —

 

[Texto 9896] 

Helder Guégués às 07:12 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar