13
Set 18

Como se fala por aí

É como se vê

 

      «“A alegação que a TAP tem tarifas pornográficas é inaceitável”, disse [Antonoaldo Neves, presidente executivo da TAP] em resposta ao deputado do PSD Paulo Neves» («TAP rejeita discriminação e tarifas “pornográficas” para a Madeira», Judith Menezes e Sousa, TSF, 13.09.2018, 18h19).

      Se eu já torço o nariz ao uso que se faz do adjectivo «obsceno» em casos semelhantes, quanto mais ao «pornográfico». Pobre língua nestas bocas.

 

[Texto 9913]

Helder Guégués às 19:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito (1) | partilhar
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Como se escreve nos jornais

Está a reinar

 

      «A letra do “Advance Australia Fair”, o hino australiano, data de 1878, embora só tenha sido adotado como hino oficial em 1984, substituindo o “God Save the Queen”[,] o hino do Reino Unido. Colónia britânica até 1901, a Austrália continua a pertencer ao reino da Commonwealth» («Austrália. Criança de nove anos recusa cantar o hino por desrespeitar os indígenas», Diário de Notícias, 13.09.2018, 11h59).

      Calma, calma, não despeçam já o jornalista. Era quase meio-dia, estava com pressa para ir almoçar, e agora ainda não voltou do almoço.

 

[Texto 9912]

Helder Guégués às 15:09 | comentar | favorito | partilhar
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Os novos migrantes

Depois falamos

 

      Migrante: «pessoa que migra, que muda de uma região ou de um país para outro, para aí se estabelecer, geralmente por motivos económicos ou sociais» (in Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora). Não tardará muito que se possa dizer que é geralmente por motivos climáticos. «As alterações climáticas podem forçar a deslocação de 120 milhões de pessoas em idade ativa e suas famílias, num total de 200 milhões, ao longo do século XXI, mas menos de 20% serão migrações internacionais» («“Migrantes climáticos” podem ser 200 milhões no século XXI», Rádio Renascença, 13.09.2018, 7h39).

 

[Texto 9911]

Helder Guégués às 14:44 | comentar | favorito | partilhar
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Léxico: «triar»

É muito menos frequente

 

      «Sobre este caso, o Centro Hospitalar [do Tâmega e Sousa], em resposta à ERS[,] indicou que o doente, na primeira ida à urgência, foi medicado, tendo melhorado e tido alta. No dia seguinte, foi triado com a cor laranja “por agravamento clínico”, tendo sido verificado o óbito, situação que o hospital diz lamentar» («Urgências. Quase 200 reclamações recebidas por falhas do acompanhamento de doentes», Rádio Renascença, 13.09.2018, 12h31).

      Encontramos frequentemente o substantivo, triagem, mas o verbo verbo, triar, é de uso mais muito menos frequente. Está tudo bem, existe, use-se.

 

[Texto 9910]

Helder Guégués às 13:42 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Léxico: «estuarino»

Nada de cerimónias

 

      «Um grupo de cientistas identificou a presença de 32 fármacos nas águas do estuário do Tejo, no âmbito de uma investigação que ainda decorre, anunciou a Universidade de Lisboa. [...] O principal objetivo do Biopharma, iniciado em 2016, é avaliar os efeitos da exposição a fármacos em organismos estuarinos» («Foram detetados 32 fármacos nas águas do Tejo», Rádio Renascença, 13.09.2018, 10h00).

      O habitual: só está num bilingue. Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, nada de cerimónias, pega nele. 

 

[Texto 9909]

Helder Guégués às 10:53 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Léxico: «dirigismo»

Pensem nisto

 

      «Antes de chegar ao clube do coração [Pinto da Costa, presidente do FC Porto], trabalhou no Banco Português do Atlântico e foi vendedor de tintas e resinas. Mas depois disso tem uma vida inteira dedicada ao dirigismo – é sócio do FC Porto desde 1953» («Varandas é médico. E o que fazem os outros presidentes da I Liga?», Bruno Pires, Carlos Nogueira, David Pereira, Nuno Fernandes e Rui Frias, Diário de Notícias, 13.09.2018, 6h21).

      Então, não tem nada que saber: à frente do dirigismo político estão dirigistas e o dirigismo desportivo é conduzido por dirigentes. Não temos aqui um caso semelhante ao «ajuizar»: esta acepção de dirigismo anda por aí há décadas, podemos encontrá-la na imprensa, em livros, na boca dos falantes. Mas não nos dicionários. Valha, por todos (até o Houaiss e Sacconi), o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «POLÍTICA doutrina e política em que o Estado gere e controla a economia do país». Poderão os lexicógrafos continuar a ignorar esta realidade?

 

[Texto 9908]

Helder Guégués às 09:01 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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13
Set 18

Léxico: «papel-bíblia»

O catálogo é mais vasto

 

      «Para Lobo Antunes[,] esta publicação numa coleção tão especial, desde a encadernação ao papel bíblia, tem um valor comparável ao prémio da Academia Sueca: “Estar na Pléiade é como receber um Nobel.” Acrescenta: “É uma biblioteca onde se encontram vários Nobel da Literatura.”» («António Lobo Antunes: “Estar na Pléiade é como receber o Nobel”», João Céu e Silva, Diário de Notícias, 12.09.2018, 18h26).

      É papel-bíblia. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora tem um escasso catálogo: papel-alumínio e papel-carbono. Dêem uma olhadela no VOLP da Academia Brasileira de Letras.

 

[Texto 9907]

Helder Guégués às 08:35 | comentar | ver comentários (4) | favorito | partilhar