14
Set 18

Léxico: «enoturístico»

É ir até ao fim

 

      «Wine Lounge [em Reguengos de Monsaraz]: um novo conceito de espaço enoturístico» (Diário de Notícias, 11.09.2018). Vejamos, Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: registas enoturismo, por isso, natural é que passes a acolher enoturístico. E vejo que tens, por exemplo, ecoturismo/ecoturístico/ecoturista. Então, vê lá o que fazes.

 

[Texto 9918]

Helder Guégués às 18:48 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Tufões e furacões

Mais precisão

 

      «Os meteorologistas dizem que é um fenómeno raro, mas está a acontecer neste momento — o final desta semana vai ficar marcado por fenómenos meteorológicos extremos dos dois lados do globo, no Atlântico e no Pacífico. Furacões, um tufão (que são o mesmo fenómeno, mas com um nome diferente segundo a região do globo onde ocorrem) e várias tempestades tropicais ficam bem patentes numa imagem de satélite divulgada pelo site de meteorologia Jamaica Weather» («“Vai ser um final de semana de loucos”. Há 9 tempestades perigosas em curso no globo», Diário de Notícias, 14.09.2018, 17h04).

      A distinção está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, mas não é um primor, valha a verdade. Tufão: «ciclone tropical da região do Pacífico ocidental; furacão». Furacão: «tufão ou ciclone das regiões tropicais».

 

[Texto 9917]

Helder Guégués às 18:31 | comentar | favorito

Léxico: «algoritmo»

Falta o principal

 

      «A palavra “algoritmo” deriva do nome do brilhante matemático, astrónomo e geógrafo árabe al-Khwarizmi, que viveu nos séculos VII e VIII na cidade que agora se chama Bagdad. Al-Khwarizmi descreveu em grande detalhe os passos necessários para resolver diversas equações matemáticas, sendo considerado um dos fundadores da álgebra. Devemos-lhe também o conceito de algoritmo, um conjunto de passos simples e bem determinados que, aplicados de forma sistemática, conduzem à solução de um problema. Um algoritmo pode ser visto como uma receita para atingir um dado resultado, receita esta que pode ser executada por um ser humano ou por um computador» («Computadores, algoritmos e ética», Arlindo Oliveira, presidente do Instituto Superior Técnico, Público, 14.09.2018, p. 50).

      A definição do presidente do Instituto Superior Técnico mostra, e o Aulete confirma, que não tem de estar aqui envolvida necessariamente a matemática ou a informática, erro em que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora nos deixa cair. Falta-lhe uma acepção geral.

 

[Texto 9916]

Helder Guégués às 12:36 | comentar | ver comentários (2) | favorito

Guelfos e Gibelinos

Faça-se

 

      «Quando grande parte das nossas polémicas e controvérsias estiverem esquecidas, quando já ninguém se lembrar de palavras como “Brexit” ou trumpismo, alguém no futuro vai olhar para o nosso tempo como nós hoje olhamos para os guelfos e gibelinos. E quem eram os guelfos e os gibelinos, perguntam vocês? Excelente questão. Dedicarei a ela a próxima crónica» («Dez anos de crise: o tempo dos guelfos e gibelinos (I)», Rui Tavares, Público, 14.09.2018, p. 52).

      Dediquemos nós já hoje uns minutos a vermos como são tratados no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Gibelino: «HISTÓRIA membro de um partido italiano favorável aos imperadores da Alemanha, oposto ao dos Guelfos, partidários dos papas, durante a Idade Média». Guelfo: «membro de um partido político que apoiava o papa e que se defrontou com o dos Gibelinos». Há aqui um trabalho de uniformização que precisa de ser feito.

 

[Texto 9915]

Helder Guégués às 12:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
14
Set 18

Como se escreve nos jornais

Quando passamos a reler?

 

      «Depois de o português ter durante décadas perdido terreno em Goa, onde o inglês foi-se afirmando a par do konkani como língua do estado, hoje há, porém, um número crescente de indianos a aprender português e não só na antiga colónia, fico a saber durante a conversa» («“Indianos acham que português é língua que cria boas oportunidades de carreira”», Leonídio Paulo Ferreira, Diário de Notícias, 31.08.2018, 7h48).

      Se fossem descuidos do convidado/entrevistado do jornalista, ainda se admitia, pois é indiano, Shiv Kumar Singh, autor de um dicionário de hindi-português-hindi. Se é convicção, estamos muito mal. Mais um exemplo: «A diversidade é a regra na Índia, que nos últimos anos tornou-se um caso de sucesso económico, com taxas de crescimento semelhantes às da China ou superiores.» E não vimos há dias que a grafia correcta é guzerate? «Discordo de Singh quando diz que não parece português, basta pensar em tantos milhares de portugueses que há de origem indiana, desde o próprio primeiro-ministro até figuras da cultura ou dos negócios, muitos deles goeses, outros de origem gujarate.» A par destes erros, o texto tem muitos outros descuidos, o que é lamentável e inadmissível.

 

[Texto 9914]

Helder Guégués às 09:05 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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