16
Set 18

O que nos escondem

Descobrir o Minho

 

      «O prato de feijão tarrestre e uma posta de cachena grelhada obrigam a prolongar o descanso, tarde fora, à sombra dos carvalhos que contornam o rio Vez, na vila dos Arcos. [...] Os prados de lima (sistema de irrigação medieval) são palco de pastagem para rebanhos e manadas autóctones, de onde derivam as carnes dos tradicionais cozidos, grelhados ou pratos mais complexos e inverneiros, como as tão minhotas papas de sarrabulho» («Por entre serras e praias», Secundino Cunha, «Sexta»/Correio da Manhã, 23-28.08.2018, p. 31).

      Ó lexicógrafos da minha terra, quantas riquezas nos escondem!

 

[Texto 9928]

Helder Guégués às 15:19 | comentar | ver comentários (5) | favorito | partilhar
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Tradução: «paddle»

À pazada

 

      «Neste caso, a punição tem algumas regras. “A palmatória não poderá ter mais de 60 centímetros de comprimento, 15 centímetros de largura e 19,05 milímetros de espessura. Além disso, o uso da palmatória tem o limite máximo de três palmadas. O estudante será levado para um escritório de porta fechada. O estudante vai colocar as mãos sobre os joelhos ou uma mobília e será atingido com a palmatória nas nádegas”, lê-se no documento que regula a punição na referida escola norte-americana [Georgia School for Innovation and the Classics]» («“Acho facílimo que se volte aos castigos físicos nas escolas portuguesas”», «Life»/Diário de Notícias, 16.09.2018).

      Se calhar não se lhe deve chamar palmatória, não? É que a palmatória — o nome não mente — serve para castigar nas palmas das mãos. Nos EUA, dá-se o nome de paddle a este instrumento de castigo/tortura, uma espécie de pá. Paddle, «a flat, wooden stick for administering punishment by beating» (in Collins).

 

[Texto 9927]

Helder Guégués às 14:32 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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O lugar do pronome

Alucinações auditivas?

 

      «Nos anos 1940, os ardinas apregoavam em certos dias, ao vender o jornal República: “Fala o Rocha! Hoje fala o Rocha!” Era a homenagem de garotos quase analfabetos, armados, e bem, em fazedores de manchete. O homenageado era Rocha Martins, jornalista de pena afiada e o gosto pela liberdade que levava-o, sendo monárquico, a escrever num jornal titulado República» («Hoje apetece-me fazer de ardina», Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 16.09.2018, 10h07).

      Sou só eu que ouço o pronome a pedir aos gritos que o levem para a frente do verbo? Estarei a sofrer de alucinações auditivas? A enlouquecer? Montexto, está a ouvir o mesmo?

 

[Texto 9926]

Helder Guégués às 13:37 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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Léxico: «supertufão»

Maior, mas não um qualquer

 

      «Duas enormes tempestades, uma no Pacífico, outra no Atlântico, destroem tudo o que se apresenta no seu caminho. O supertufão Mangkhut, que a Organização Meteorológica Mundial classificou como a mais poderosa tempestade deste ano na região, deixou um rasto de caos e destruição ao passar pelo Norte das Filipinas, e já fez pelo menos 16 mortos. O Florence, apesar de já ser apenas uma tempestade tropical, tem um risco maior de provocar inundações do que quando era ainda um furacão, por causa da chuva que traz» («Tempestades Florence e Mangkhut espalham o terror em dois oceanos», Público, 16.09.2018, p. 17).

      Não é apenas um qualquer tufão mais forte, há um conceito científico, e por isso, como fez recentemente com megacidade, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora devia acolhê-lo, sob pena de estarmos sujeitos a subjectivismos.

 

[Texto 9925]

Helder Guégués às 10:40 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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16
Set 18

Dissertação/tese

Não é tudo igual

 

      «Há vícios bem virtuosos. A tara coleccionista, por exemplo. Graças a ela, podemos admirar hoje em Lisboa, no Centro Cultural e Científico de Macau, um assombroso acervo de objectos do ópio. Cachimbos e lamparinas, fornilhos e agulhas, contentores de estanho, caixas de marfim, escarradores hediondos, camas de chuto e relaxe, são às dezenas os artefactos que o coleccionador António Sapage reuniu pacientemente durante décadas, estando agora à disposição de quem os queira admirar e estudar. Foi o caso de Alexandrina Costa, que lhe dedicou a sua tese de mestrado na Faculdade de Letras de Lisboa, publicada numa bela e muito ilustrada edição conjunta do Centro Cultural de Macau e da Fundação Jorge Álvares» («Colóquio das drogas para os simples», António Araújo, Diário de Notícias, 16.09.2018, 6h20).

      Não é a primeira vez que relembro que o termo dissertação se usa para qualificar os trabalhos destinados à obtenção do grau de mestre e o termo tese para os que se destinam à obtenção do grau de doutor. Não inventei nada, decorre do Decreto-Lei n.º 107/2008, de 25 de Junho. Espanta-me esta tão generalizada falta de rigor.

 

[Texto 9924]

Helder Guégués às 09:10 | comentar | ver comentários (6) | favorito | partilhar
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