24
Set 18

Léxico: «info-entretenimento»

Para evitar males maiores

 

      «O sistema de infoentretenimento conta com mostradores específicos, incluindo gráficos em tempo real do desempenho das motorizações» («DS7 Crossback E-Tense: Autonomia para 50 km sem emissões poluentes», Pedro Junceiro, Motor 24, 24.09.2018).

      Pois, pode ser um mostrengo, mas, se não o pusermos no dicionário, ainda pode acontecer alguma coisa pior — como ser escrito em inglês. Repare-se que é usado todos os dias.

 

[Texto 9986] 

Helder Guégués às 19:25 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Léxico: «inadivinhável»

Pode dar jeito

 

      «O homem tomou conta dos próprios destinos, quer na esfera de acção, quer na do pensamento, mas, em face da infinita, inadivinhável complexidade do real, reconhece a impossibilidade de a dominar» (A Contribuição Portuguesa para a Mundividência de Quinhentos, Hernâni Cidade. Lisboa: Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras, 1951, p. 19). Já a li em Fernando Pessoa, por exemplo, e há menos de cinco minutos num artigo que está a caminho da gráfica.

 

[Texto 9985]

Helder Guégués às 15:26 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «Negra-Mole»

Fora dos dicionários

 

      «Na adega, João Mariano tira o vinho da enorme cuba onde está armazenado. “É mesmo rosadinho, cor de salmão.” Apresenta o vinho rosé que cai para o copo, feito com a casta Negra Mole, uma casta única no mundo e exclusiva do Algarve. “A casta é típica, só existe em quantidade no Algarve e é a segunda casta portuguesa mais antiga”, diz Carlos Gracias, presidente da Comissão Vitivinícola do Algarve. [...] A casta Negra Mole tem uma característica especial: uma única cepa pode ter uvas de todas as cores» («Negra Mole: há uma casta algarvia que é única no mundo», Maria Augusta Casaca, TSF, 24.09.2018, 10h40).

 

[Texto 9984]

Helder Guégués às 15:14 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Como se escreve por aí

Nem tudo melhora

 

      «O mayor da cidade de Veneza, Luigi Brugnaro, propôs uma multa que pode ir até aos 500 euros para quem se sente fora dos locais apropriados para esse efeito» («Veneza: Multa até 500 euros para quem se sente fora de um banco», Carolina Rico, TSF, 24.09.2018, 11h23).

      Carolina Rico, porque não disse que Luigi Brugnaro é the current Mayor of Venice? Ou o sindaco di Venezia?

 

[Texto 9983]

Helder Guégués às 15:12 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «transnistriano»

Têm azar, está visto

 

      «Como em qualquer cidade a que se chega sem saber o que ver, a viagem por Tiraspol, a capital da Transnístria ou Pridnestróvia (já vamos perceber a diferença...) começa pelo posto de turismo. Sim, o país e naturalmente a sua capital não é reconhecido por nenhum dos cerca de duzentos países que oficialmente existem no mundo ou por qualquer organização internacional, nomeadamente pelas Nações Unidas, mas tem um posto de turismo para responder à ténue procura por um Estado que existe sem, na verdade, existir. [...] A independência da Transnístria, onde vivem transnistrianos de origem russa, ucraniana e moldava, foi declarada em 1990, depois da independência da Moldávia em relação à URSS e do governo moldavo ter proibido a língua russa. [...] Apesar de conhecida por Transnístria (palavra romena), a população de origem russa que domina o país e declarou a independência prefere chamar-lhe República Moldava da Pridnestróvia (palavra de origem eslava). Além da origem linguística diferente, os diferentes nomes têm um outro peso: para os moldavos, em romeno Transnístria significa literalmente “para lá do rio Dniestre”, o curso de água que separa o território do resto da Moldávia» («Viagem a um país que não existe (e que faz 28 anos)», Nuno Guedes, TSF, 24.09.2018, 9h03).

      Mais um país para José Luís Peixoto descobrir. E os lexicógrafos, sim, porque nem esse reconhecimento os pobres Transnistrianos têm merecido, e a palavra anda há muitos anos em livros publicados cá. Azar.

 

[Texto 9982]

Helder Guégués às 15:08 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «arábica»

Para ficar melhor

 

      Arábica: «diz-se de ou variedade de café (Coffea arabica), que se desenvolve a altas altitudes e possui um aroma intenso, contendo cerca de 1% de cafeína em relação ao total do seu peso», lê-se no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Pode melhorar-se a redacção, sobretudo as «altas altitudes». A «grandes altitudes» já seria melhor. E será mesmo assim? O que leio aqui e ali é que esta variedade se cultiva entre os 500 m e os 2500 m. Enfim, em terras altas, ao contrário do robusta, cultivado em terras baixas. Também seria útil que, na segunda acepção de cereja do mesmo dicionário, que diz «fruto que se assemelha ao das cerejeiras», passasse a dizer «fruto que se assemelha ao das cerejeiras, como o do café quando maduro». Mais: no verbete pergaminho, seria bom que se acrescentasse uma acepção: «nome dado ao endocarpo do grão de café». Se quisermos (queremos?) ser generosos, diremos: «nome dado ao endocarpo do grão de café, uma casca protectora creme e rija em forma de feijão». Por último, porque registam somente as variedades robusta e arábica? O que fizeram da libérica, por exemplo?

 

[Texto 9981]

Helder Guégués às 15:07 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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24
Set 18

Léxico: «videoinstalação»

Anda por aí

 

      «Nascida em Belgrado em 1946, Marina Abramovic é “uma das artistas seminais do nosso tempo”, como sublinha a organização da Bienal de Veneza. Em 1997 ganhou o Leão de Ouro na Bienal, com a videoinstalação Balkan Baroque» («Artista sérvia Marina Abramovic agredida com tela em Florença», Diário de Notícias, 23.09.2018, 15h07).

 

[Texto 9980]

Helder Guégués às 15:05 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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