26
Set 18

O pobre verbo «haver», de novo

Cultura...

 

      Incêndio em Travassos, Póvoa de Lanhoso. Há habitações em risco? «Já houveram, já houveram. Ardeu um pequeno barraco, mas era mesmo só um pequeno barraco», declarou à Antena 1 Avelino Silva, o presidente da Câmara Municipal da Póvoa do Lanhoso. Não sei qual a profissão ou formação do autarca, mas posso adiantar que detém o pelouro da Cultura.

 

[Texto 10 002]

Helder Guégués às 17:08 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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O «mau estar» jornalístico

Indocíveis, já disse

 

      «Ana Pinho contou, sem revelar o conteúdo, que João Ribas comunicou por por e-mail que renunciava ao cargo. Sobre as acusações de que há um mau estar generalizado em Serralves desde que assumiu a presidência do conselho de administração, Ana Pinho recusou responder, lamenta que estas notícias tenham um impacto negativo e mostrou-se disponível para prestar todos os esclarecimentos ao Conselho de Curadores da Fundação de Serralves» («“Em Serralves não há censura, nem complacência com a falta de verdade”», Rute Fonseca, TSF, 26.09.2018, 13h49).

 

[Texto 10 001]

Helder Guégués às 14:36 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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O AOLP90, mais uma vez

Faziam falta os Dez Mil

 

      Quis o destino, e eu não me opus, que o texto n.º 10 000 deste blogue fosse sobre essa maldição chamada Acordo Ortográfico de 1990. Ainda ontem, pelo Messenger, um professor universitário (!), que nunca vi na minha vida, manifestou a sua estranheza por ter encontrado um livro que seguia o AO90 e fora revisto por mim. (Afinal, concluiu-se depois que não, embora não faltem por aí, evidentemente, mas isto tem tão pouca importância, que fica aqui entre parênteses.) Que queria este académico? Pois isso, manifestar a sua estranheza, acabando por dizer que achava que os revisores resistiam à aplicação das novas regras ortográficas. «Resistir», respondo-lhe, incrédulo com tanto alheamento da realidade. «Resistam os leitores: não comprem os livros com o AO90. Se não os comprarem, os editores não os publicam, tão simples quanto isto.» Insiste: «Tinha, porém, ideia de que resistiam. Ou resistiam por terem autores que escrevem em português e não acordês.» Não estará a confundir revisor com accionista? Francamente.

      O AO90, então. Todos os dias vejo disparates relacionados com a aplicação das suas regras, regras simplicíssimas, diga-se, e isto em pessoas cujo instrumento de trabalho é a escrita, professores, tradutores, revisores, jornalistas. Uma amostra encontrada hoje: «Criou – sempre acompanhado – a primeira secção de higiene mental num centro de assistência maternoinfantil, os centros psicopedagógicos do Colégio Moderno e de A Voz do Operário, o Centro Infantil Helen Keller (figura com quem conviveu), a Liga Portuguesa dos Deficientes Motores, a Associação Portuguesa de Surdos. Foi diretor do Centro de Saúde Mental Infantil de Lisboa» («João dos Santos, o bom doutor», Mariana Pereira, Diário de Notícias, 17.09.2018, 14h38). Ah, eu sei, lembro-me de aqui falarmos no caso, há dicionários que registam esta grafia avariada. Felizmente, consegui que fosse corrigido num dicionário e num vocabulário. E, todavia, persiste.

 

[Texto 10 000] 

Helder Guégués às 10:49 | comentar | ver comentários (5) | favorito | partilhar
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Espécies de atum

No mar, mas fora dos dicionários

 

      «Há cinco espécies de atum (gaiado, voador, patudo, albacora e rabilho) e todos chegam em quantidades diferentes. Grande parte do atum pescado nos mares da Madeira é para exportação: o Japão é o destino principal, e os japoneses estão disponíveis para pagar muito, garante o Chef Cordeiro, curador do Festival Gastronómico Rota do Atum, organizado pelo Hotel Vila Baleira» («Atum que vale ouro. Os portugueses que arriscam tudo nos mares da Madeira», Miguel Midões, TSF, 26.09.2018, 9h11).

 

[Texto 9999]

Helder Guégués às 10:06 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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Pesca de salto e vara

Se é ancestral...

 

      «Meia dúzia de barcos ainda resistem na pesca do atum no Porto Santo, mantendo a técnica ancestral de salto e vara. A TSF acompanhou estes pescadores e foi descobrir como procuram fazer frente à concorrência dos barcos espanhóis» («Atum que vale ouro. Os portugueses que arriscam tudo nos mares da Madeira», Miguel Midões, TSF, 26.09.2018, 9h11).

      Nos dicionários, mais virados para o desporto, só temos salto à vara. Já se sabe: se é ancestral, é para esquecer. Leiam aqui mais sobre a pesca de salto e vara.

 

[Texto 9998]

Helder Guégués às 10:03 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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A língua nos últimos dias II

Até nos arrepiamos

 

      «Maravilhar é a palavra certa, confirma o biólogo brasileiro Luiz Rocha, curador da coleção de peixes da Academia de Ciências da Califórnia e colíder da expedição. “É um dos peixes mais bonitos que alguma vez vi”, confessa. “Quando mergulhámos, estávamos tão encantados com eles que ignorámos tudo o resto à volta”, conta divertido» («Peixes psicadélicos descobertos em recifes profundos no Brasil», Filomena Naves, Diário de Notícias, 26.09.2018, 6h16).

 

[Texto 9997]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Húbris, hamartia e némesis

A tragédia nacional

 

      «Húbris... Mais uma vez a Polícia Judiciária (PJ) deu a uma das suas operações um nome enigmático. A detenção de sete militares, quatro da Polícia Judiciária Militar (PJM), entre os quais o próprio diretor, e de três elementos da GNR, bem como do presumível autor do roubo, levou o nome de código Operação Húbris» («Tancos: um crime, uma farsa e uma investigação difícil», Valentina Marcelino, Diário de Notícias, 26.09.2018, 00h10).

      Enigmático porquê, Valentina Marcelino? A jornalista consultou um dicionário, aleluia: «“Orgulho ou autoconfiança excessiva: arrogância; insolência” é o significado. Para os gregos, húbris era uma conduta desmedida considerada um desafio aos deuses e que acarreta a ruína de quem assim age. O DN questionou a PJ e a Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o porquê da escolha. “Foi o que se passou”, é a tese da PJ e do Ministério Público, justificada por fonte diretamente envolvida na investigação. Tudo atribuído à PJ Militar.» Ou seja, copiou as duas acepções do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, acrescentando apenas, na segunda, a palavra «húbris». Parece-me que a PJ consultou outro dicionário, e por isso a jornalista não chegou à hamartia (infelizmente, só termo médico para a Infopédia) e à némesis. Só uma dúvida não linguística: de certeza que termos uma Polícia Judiciária Militar não é inconstitucional?

 

[Texto 9996] 

Helder Guégués às 09:13 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
26
Set 18

A língua nos últimos dias

Resistir ou deixar andar?

 

      «Enquanto foi possível obter acôrdo entre os principais dirigentes, não se tornava difícil resolver os casos litigiosos, os imprevistos, as omissões do Alcorão e da Suna» (Árabes e Muçulmanos. Greis Sarracenas e o Islão Contemporâneo, quinto livro, Eduardo Dias. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1940, p. 7).   

      Agora, os linguistas instantâneos afirmam, categóricos, que «líder» é o termo genérico, nem vale a pena resistir. É a evolução. Nas traduções e nos jornais, mete nojo: é «líder», «liderança» e «liderar» a torto e a direito. Oponho-me quanto posso, mas são muitos e eu sou só um.

 

[Texto 9995]

Helder Guégués às 08:47 | comentar | ver comentários (3) | favorito | partilhar
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