27
Set 18

Ortografia: «sesoto»

Fatal

 

      «Foi o maior gigante do seu tempo, há 200 milhões de anos. Por isso lhe chamaram Ledumahadi mafube, que em sesotho, a língua nativa da região da África do Sul onde foi descoberto, significa “trovoada gigante na madrugada”. É uma nova espécie de dinossauro e foi encontrada na província de Estado Livre daquele país africano» («Novo dinossauro gigante descoberto na África do Sul», Filomena Naves, Diário de Notícias, 27.09.2018, 16h02).

      Pois, Filomena Naves, só que em português o nome dessa língua é sesoto. Não resistem, está visto, a kk, ww, yy nem a hh estranhos à nossa língua. Fatal.

 

[Texto 10 010]

Helder Guégués às 19:42 | comentar | ver comentários (3) | favorito | partilhar
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Castas fora dos dicionários

Já lá estiveram

 

      «Frederico Machado e Ricardo Alves são dois jovens empreendedores apostados em produzir vinho de “qualidade” a partir de [sic] “vinhas velhas”, com mais de 70 anos, na freguesia de Bemposta, no concelho de Mogadouro. [...] As principais castas usadas para vinhos tintos são a tinta gorda, o bastardo, rufete, tinta francisca, ou alvarilhão [sic]. Já para a produção de vinhos brancos há malvasia, verdelho, posto branco, ou bastando [sic] branco» («De vinhas velhas se faz vinho de qualidade», Olímpia Mairos, Rádio Renascença, 27.09.2018, 15h35).

      Mais castas fora do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Ora, tinta-gorda e tinta-francisca (ou tinta-franciscana) encontro-as na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Sim, grafadas com hífen, já que perguntam.

 

[Texto 10 009]

Helder Guégués às 18:20 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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Léxico: «aparelho»

A propósito de desporto

 

      Aparelho: «DESPORTO em ginástica, cada um dos equipamentos em que o atleta executa os exercícios» (in Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora). Sendo assim, esquece-se de uma extensão de sentido: o de especialidade. Simone Biles, por exemplo, em Agosto conquistou o ouro nos quatro aparelhos (solo, salto, paralelas assimétricas e trave) do Campeonato dos EUA, para alcançar o quinto título nacional (um recorde) em seis possíveis.

 

[Texto 10 008]

Helder Guégués às 16:12 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Léxico: «banzo»

O escândalo é outro

 

      Numa loja de desporto, vejo que um banzo de madeira para paralelas assimétricas custa quase 600 euros. Escandaloso? Não. Escandaloso é esta acepção — na realidade, meia dúzia — de banzo não estar registada no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

 

[Texto 10 007]

Helder Guégués às 15:57 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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Léxico: «babismo»

Por pouco, ficávamos sem palavras

 

      «O fundador do babismo, Mirza Ali Mohámede, foi executado em 1850, o que lhe deu a auréola de mártir» (Árabes e Muçulmanos. Greis Sarracenas e o Islão Contemporâneo, quinto livro, Eduardo Dias. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1940, p. 29).

      E não se refere Eça de Queiroz ao babismo mais de uma vez? Pois fiquem sabendo que não o encontram no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, apenas num bilingue.

 

[Texto 10 006]

Helder Guégués às 14:03 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Léxico: «azoia»

Ainda optam por zaouïa

 

     «A outra [tendência do sufismo] admite que dominem soberanamente a imaginação e até a alucinação espiritual, bem como o êxtase: foi a corrente que deu origem aos místicos ascetas dos mosteiros, cujos edifícios o Oriente denomina Cánacas e o Ocidente Azoias» (Árabes e Muçulmanos. Greis Sarracenas e o Islão Contemporâneo, quinto livro, Eduardo Dias. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1940, p. 19).

      Tudo verdade, só que não está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, apenas num bilingue. E o topónimo Santa Iria de Azóia (que no Dicionário de Topónimos da Porto Editora aparece escrito «Santa Iria da Azóia»), donde julgam que vem? Pois, daqui.

 

[Texto 10 005] 

Helder Guégués às 13:06 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Léxico: «mandante»

Para se perceber melhor

 

      «A viúva do triatleta Luís Miguel Grilo foi detida esta quarta-feira pela Polícia Judiciária, avança a edição online do Correio da Manhã. Rosa Grilo, de 50 anos, é suspeita de ser a mandante do homicídio do marido» («Detida viúva de triatleta assassinado», Rádio Renascença, 26.09.2018, 19h46, itálicos meus).

      Seria a primeira suspeita nas cogitações de Miss Marple. A questão, para aqui, é outra: como termo jurídico, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora (e nem todos o fazem) diz-nos que mandante é a «pessoa que confere mandato ou procuração». Contudo, é como termo genérico que vamos encontrar a acepção que se encaixa neste sentido do direito penal: «pessoa que incita outra a cometer certos actos; instigador». O Código Penal, ao que me parece, nunca usa o termo. Mandante é — e esta já é designação que se encontra com frequência — o autor moral. O Código Penal consagra, isso sim, a figura da instigação como forma de autoria. A questão é se os dicionários não deviam definir melhor os termos aceites pelo normativo jurídico-penal, a saber, instigação/instigar/instigador, e pô-los no domínio do direito. 

 

[Texto 10 004]

Helder Guégués às 10:04 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
27
Set 18

Grande Chambre do Tribunal Europeu?

Para dormir ou para chorar?

 

      «“O Estado decidiu não recorrer para a Grande Chambre do Tribunal Europeu. De acordo com a representante de Portugal no TEDH, para esta decisão contribuiu o facto de o acórdão em causa ter sido favorável ao Estado português em quatro das cinco questões que se colocavam”, respondeu o Ministério da Justiça à agência Lusa» («Estado não recorre de decisão do Tribunal Europeu sobre Carlos Cruz», Rádio Renascença, 26.09.2018, 17h38).

      Querem ver que só no Brasil é que se diz Grande Sala do Tribunal Europeu de Direitos Humanos? Muito estranho, tudo isto.

 

[Texto 10 003]

Helder Guégués às 08:26 | comentar | ver comentários (3) | favorito | partilhar
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