31
Out 18
31
Out 18

Léxico: «biorreceptivo»

Agora é tudo assim

 

      «Um grupo de investigadores está a desenvolver um novo tipo de argamassa, biorecetiva ao crescimento de musgo, que representa uma inovação no setor da construção sustentável» («Edifícios sustentáveis», Destak, 30.10.2018, p. 13). Anda lá perto: biorreceptivo.

 

[Texto 10 222]

Helder Guégués às 08:53 | comentar | favorito
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30
Out 18

Léxico: «chamuça/samosa»

Grande desafio...

 

      «Logo aqui, a primeira diferença: a aplicação do UberEATS dava a opção de escolher entre uma chamuça de carne, de vegetais e de frango, enquanto a Glovo dizia que havia as três, mas não deixava optar. Outra diferença: a Glovo chama-lhe “chamussa”, num claro desafio à língua portuguesa» («Qual o melhor serviço de entrega de comida? Pusemos o UberEATS à prova contra os concorrentes», Manuel Pestana Machado, Observador, 5.12.2017).

      Grande desafio à língua portuguesa, realmente... Sabia o jornalista que há dicionários — não é o caso do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora — que registam a variante «samosa»? (E não seria melhor, em vez de «dava a opção de escolher entre», «permitia escolher entre»?)

 

[Texto 10 221]

Helder Guégués às 10:18 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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30
Out 18

Ortografia: «açoriano»

Pior do que o nome inglês

 

       «O Taste Azores está de volta à Praça Central do Centro Colombo (Lisboa), entre 31 de outubro e 4 de novembro, apresentando 25 empresas representantes da melhor gastronomia açoreana» (Destak, 30.10.2018, p. 2). Não é a primeira vez — e não pode ser a última — que este erro passa por aqui. É açoriano, senhores jornalistas. Açoreana, só a companhia de seguros, mas os nomes próprios não obedecem às mesmas regras, e daí Guégués com dois acentos, Mello como dois ll, e por aí fora. Não entremos na discussão de que sufixo se trata, pois os próprios gramáticos não se entendem, com alguns a afirmarem que é o sufixo nominal -ano, e outros a jurarem que é -iano. ¯\_(ツ)_/¯

 

[Texto 10 220] 

Helder Guégués às 09:59 | comentar | ver comentários (4) | favorito
29
Out 18

Léxico: «cláusula barreira»

Preparemo-nos

 

      «O constitucionalista Jorge Miranda diz que a “cláusula-barreira” que estabelece que os votos não valem nada, [sic] abaixo de um determinado limite não fere a Constituição da República» («Jorge Miranda não é adepto de “cláusulas-barreira” que limitam a representação democrática», José Carlos Silva, Rádio Renascença, 29.10.2018, 19h00).

      Com hífen ou sem hífen (vejo-a mais sem hífen), deve ir para os dicionários, até porque já anda por aí há algum tempo. «O resultado não seria aproximar deputados dos cidadãos mas deixar sem deputados que os representem faixas importantes de eleitores e instituir na prática uma “cláusula-barreira” de cerca de três por cento no círculo nacional e muito mais do que isso nos pequenos círculos» (Sistema Eleitoral Português: Debate Político e Parlamentar, Manuel Braga da Cruz. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1998, p. 211).

 

[Texto 10 219]

Helder Guégués às 21:01 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Aprender com o «Portugalex»

Nem pensariam duas vezes

 

      «Concorda com a mudança da hora?», era a pergunta de hoje no Portugalex. E logo depois: «Tempo ainda para ouvir o economista Pedro Arroja, que nos fala do século XIX. Muito bom dia.» Já vi, vimos todos, escritores, tradutores e revisores — para não falar dos jornalistas — com menos conhecimento da língua. Para muitos, e ai se lhes fôssemos à mão, seria logo «que nos fala desde o século XIX». Ou seria «que nos fala a partir do século XIX»?

 

[Texto 10 218]

Helder Guégués às 17:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «lei-travão»

Para que todos saibam

 

      «A Assembleia da República lançou esta segunda-feira um vídeo em que se explica, em três minutos e 25 segundos, o que é um Orçamento do Estado. O lançamento desta infografia é a primeira de uma rúbrica [sic], “Parlamentês”, com que a Assembleia da República pretende, a partir de agora, “dar a conhecer e simplificar conceitos específicos da actividade parlamentar” e coincide com a abertura do debate do orçamento de 2019 no parlamento. O vídeo “aborda temas como as três funções desta lei, a origem das receitas e o destino das despesas e curiosidades como a lei-travão”» («Sabe o que é um Orçamento do Estado? O Parlamento explica», Rádio Renascença, 29.10.2018, 11h35).

      Lei-travão, que é mais juridiquês, «parlamentês» foi agora inventado, pode e deve ir para os dicionários, pois de quando em quando aí está ela.

 

[Texto 10 217]

Helder Guégués às 15:10 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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29
Out 18

«Nucleótido», de novo

A prova

 

      «As moléculas orgânicas em causa são a guanina, a citosina, a adenina ou a timina (constituintes do ADN, que contém instruções genéticas) e o uracilo (ARN)» («Células humanas têm “arma mortífera” contra cancro», Rádio Renascença, 29.10.2018, 9h12).

      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista o nome de todas estas moléculas. Para comprovar como a definição de nucleótido está incorrecta, basta atentar na definição de uracilo: «BIOQUÍMICA substância derivada da pirimidina que é o componente maior das bases de nucleótidos e do ARN».

 

[Texto 10 216]

Helder Guégués às 10:16 | comentar | favorito