07
Out 18

Os Távoras

Ainda entra nos eixos

 

      Querem ver que isto, pelo menos isto, ainda entra nos eixos? «Alfredo é uma das pessoas às quais não deve passar indiferente ao visitar Mogadouro. Para ser o “dono” do Castelo da terra só lhe falta a chave da porta, porque a dos segredos ninguém lha tira. Inspira qualquer um a conhecer a terra que foi em tempos propriedade da família dos Távoras e que deixa transparecer sinais deste domínio» («Morreu o último rio selvagem e deu lugar a lagos de água quente», Liliana Valente, «Fugas»/Público, 29.09.2018, p. 5).

      É aí, na Quinta de Nogueira, que se pode encontrar o Monóptero de S. Gonçalo, um pequeno santuário mandado construir pelos Távoras em honra de S. Gonçalo, que foi recentemente classificado como imóvel de interesse público.

 

[Texto 10 052]

Helder Guégués às 15:00 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Léxico: «caurdo»

Entornado

 

       «Primeiro, as colheitas são benzidas. Depois, são celebradas ao longo de cinco dias. É a tradição a cumprir-se na 27.ª Festa das Colheitas de Vila Verde, também conhecida como “um hino ao mundo rural”. Tradição é a palavra-chave, seja na promoção de produtos e usos da terra, seja na animação que a vai acompanhando, com concertos, desgarradas, actuações de ranchos ou tocadores de cavaquinhos e concertinas. Vila-verdenses e visitantes são chamados a recriações de práticas agrícolas, magustos, pisada de uvas, desfolhadas. Há festas dentro da festa, dedicadas ao vinho, ao cogumelo ou ao muito procurado “caurdo” (sopa ou caldo) nas mais diversas declinações» («Do “caurdo” à desfolhada», Alexandre Martins, «Fugas»/Público, 29.09.2018, p. 3).

      É um fenómeno bem conhecido e antigo: caurdo por «caldo», como saurto por «salto», fidaurgo por «fidalgo», etc. Este beneficiou de condições especiais para chegar até nós.

 

[Texto 10 051]

Helder Guégués às 14:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito
07
Out 18

Léxico: «chipar»

É como as bruxas

 

      No Dia Mundial do Animal, a Tarde da Renascença convidou a presidente da associação Animal. Rita Silva respondeu a dez perguntas sobre os direitos dos animais. Centremo-nos numa delas: «É obrigatório pôr chip no meu cão e gato? E registá-los na minha Junta de Freguesia?» «O licenciamento e registo de cães na Junta de Freguesia são obrigatórios (só se podem registar animais chipados). O de gatos é voluntário — a não ser que sejam animais registados no Livro de Origens (LOP). É obrigatório chipar cães nascidos depois de julho de 2008, todos os cães usados na caça e animais P e PP. Não é obrigatório nos gatos, mas é aconselhável» («10 respostas sobre direitos de animais», Rádio Renascença, 4.10.2018, 20h36).

      Ia pedir-vos que não me perguntassem o que são «animais P» e «animais PP», mas agora, depois de pensar e investigar um pouco, já sei a resposta: P é de «perigoso» e PP de «potencialmente perigoso». Lamentável é não estar explicado no artigo. Mas vamos ao que interessa mais: chipar. Ouço a palavra há anos, mas, ao que creio, ainda não está em nenhum dicionário. O mais conveniente, a meu ver, era os dicionários aportuguesarem chip em «chipe». Sim, há já dicionários que deram este passo lógico. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora ainda não o fez, pois o chipe que tem é a ostra perlífera. Feito esse aportuguesamento, o segundo passo — dicionarizar chipar — estaria ainda mais legitimado.

 

[Texto 10 050] 

Helder Guégués às 06:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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