28
Out 18

Léxico: «projectista»

Uma nebulosa

 

      A propósito, agora sim, de projectual, a definição de projectista no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora é uma completa nebulosa. Quem fica a saber do que se trata? Para começar, nem sequer é referida explicitamente a área em que haverá mais projectistas — a arquitectura.

 

[Texto 10 213]

Helder Guégués às 15:01 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «projectual»

Mas precisam dele

 

      O professor fala agora sobre as «patologias decorrentes de erros de concepção projectual». Por mim, está tudo bem — mas, e nos dicionários? O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não o regista e, contudo, encontramo-lo num texto de apoio sobre o arquitecto soviético Ivan Leonidov (1902-59). Não o acolhem, mas precisam dele. Está bem, está. (Quase a propósito: projectura também é um bom termo. Vejam a definição.)

 

[Texto 10 212]

Helder Guégués às 14:39 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Léxico: «publicista»

Devia

 

      De publicista, diz-nos o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora que é o «homem que escreve sobre política, economia ou direito público». Mas é um nome de 2 géneros... Enfim, isto foi redigido muito antes das actuais reivindicações sociais. Não é esse, contudo, o ponto que me interessa agora. Na literatura portuguesa oitocentista, tinham a designação típica de publicistas os autores — como Silvestre Pinheiro Ferreira, por exemplo, cujas obras tiveram grande repercussão internacional — que utilizavam o método do estudo comparado da política, ou das constituições. Isto não devia estar nos dicionários? Devia.

 

[Texto 10 211]

Helder Guégués às 13:03 | comentar | ver comentários (2) | favorito

Léxico: «vidro borossilicato»

Artes de maçariqueiro

 

      «O maçarico é aquele instrumento que junta o gás propano e o oxigénio para produzir uma chama azulada com que se trabalha o vidro borossilicato, que é um vidro especial, com que se produzem, por exemplo, os instrumentos de laboratório. Mário tem caixas cheias de tubinhos de vidro de vários tamanhos com que cria, em poucos minutos, miniaturas de animais» («O último fazedor de ampulhetas que podia ter sido futebolista ou cantor», Maria João Caetano, Diário de Notícias, 26.10.2018, 8h44).

      Vidro borossilicato? O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora passa, não sabe do que se trata. Até para a definição de maçarico os lexicógrafos podiam levar daqui informação.

 

[Texto 10 210]

Helder Guégués às 08:47 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «velharada»

Perdido e achado

 

      «Podia ter sido futebolista. Aos 16 anos, era estrela do Marinhense. “Joguei contra os Cinco Violinos”, conta, orgulhoso. “Era eu no meio da velharada toda.” Manuel Soeiro, que tinha sido jogador do Sporting e na altura era treinador, quis levá-lo para Lisboa» («O último fazedor de ampulhetas que podia ter sido futebolista ou cantor», Maria João Caetano, Diário de Notícias, 26.10.2018, 8h44).

      Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, acho que perdeste o verbete de velharada.

 

[Texto 10 209]

Helder Guégués às 08:44 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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28
Out 18

Léxico: «encobrimento»

A própria definição está encoberta

 

      «Há uma coisa», afirmou o Prof. Freitas do Amaral na entrevista que deu à TSF, «para a qual a comunicação social — sem querer criticar ninguém — não tem chamado a atenção. Fazem uma encenação para a devolução das armas e tal, claro que foi uma encenação, claro que visou proteger a pessoa que tinha roubado, porque é que quiseram protegê-la, ainda não se sabe, mas há uma coisa que eu ainda não ouvi ninguém dizer, e isso para mim é o mais importante de tudo: é que quer os oficiais da Polícia Judiciária Militar quer os oficiais da GNR de Loulé quer outros oficiais que estivessem a par disto cometeram o crime de encobrimento da prática de um crime. Eles sabiam que houve um crime de furto de armas, sabiam quem foi e quiseram encobrir. Ora, o encobrimento é crime. Isso não tem estado a ser devidamente realçado e eu acho que tem de ser e tem de dar lugar a outros processos, que é o processo a todas as pessoas que pretenderam encobrir o crime.» Nem sequer é realçado nos dicionários que encobrimento é crime. Como o pintam, até parece uma boa acção. Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, encobrimento é o «auxílio prestado ao criminoso para que este se subtraia à acção da justiça». Digam assim: «DIREITO crime que consiste no auxílio prestado ao criminoso para que este se subtraia à acção da justiça».

 

[Texto 10 208]

Helder Guégués às 08:13 | comentar | ver comentários (1) | favorito
27
Out 18

Léxico: «superantigénio»

Mais uma falha

 

      «Um dos seus principais trabalhos é sobre o desenvolvimento de um medicamento contra uma família de toxinas chamada “superantigénios”» («Raymond Kaempfer. Sobreviveu ao Holocausto em criança e agora combate armas biológicas», Teresa Sofia Serafim, Público, 27.10.2018, p. 31).

      Superantigénios ou superantígenos? Não sabemos nós nem tão-pouco os nossos lexicógrafos do que se trata.

 

[Texto 10 207]

Helder Guégués às 23:58 | comentar | favorito
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Tradução: «cabinet»

Ou este

 

      Não sei quê e tal, «o gabinete (cabinet), traduzido como governo nesta publicação», etc. Ao que julgo, esta última é a palavra usada na esmagadora maioria das vezes, ou não? Uma vez por outra, poucas: «E foi essa resposta que textualmente comunicámos a Rosen, acrescentando-lhe alguns esclarecimentos sobre o decreto que fora publicado: não era possível levar mais longe a nossa subordinação a Londres: pedíamos ao gabinete inglês que minutasse as notas diplomáticas portuguesas» (Salazar: estudo biográfico, vol. 1, Franco Nogueira. Coimbra: Atlântida Editora, 1977, p. 144). No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, no verbete gabinete, lê-se esta definição, a que interessa para o caso: «POLÍTICA conjunto dos ministros que compõem um governo; ministério». Estará bem acrescentar-se «ministério» à primeira parte da definição? Não sei. Antes, regista outra acepção do termo: «POLÍTICA sala de trabalho (de ministro, chefe de Estado, etc.)». A minha dúvida: não ficaria melhor nesta acepção o sentido «ministério»?

 

[Texto 10 206]

Helder Guégués às 22:19 | comentar | ver comentários (5) | favorito
27
Out 18

Léxico: «gaioleiro»

Por exemplo, este

 

      Mais um exemplo do que se pode corrigir ou melhorar? Pois bem, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista o vocábulo gaioleiro. Lembrar-se-ão de que foi por minha sugestão que aquele dicionário registou a 5 de Janeiro do ano passado a expressão gaiola pombalina. Neste caso, diz que é um substantivo, e tem duas acepções: «1. aquele que faz ou vende gaiolas; 2. popular construtor de casas em más condições de solidez». Substantivo? Também, mas não só. Popular? Sim, mas não só. Nas faculdades de Arquitectura (e, logo, em dissertações, teses e palestras sobre a matéria), fala-se em edifícios gaioleiros, que são edifícios antigos de alvenaria, muito presentes sobretudo em Lisboa, com elevada vulnerabilidade sísmica. Porquê gaioleiros? Justamente porque se verificou, na sua concepção, uma alteração da gaiola pombalina, com os elementos de solidarização horizontal das paredes-mestras a desaparecerem, e o uso de materiais de construção de qualidade inferior e mão-de-obra menos qualificada. É somente este último aspecto que a segunda acepção do dicionário da Porto Editora vai buscar. Na década de 1930, com o surgimento do betão armado, este paradigma na construção foi, paulatinamente, desaparecendo.

 

[Texto 10 205]

Helder Guégués às 19:29 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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