21
Nov 18

Léxico: «darfuriano»

Um em milhares

 

      Outra palavra com que deparo todos os meses e não se encontra em nenhum dos nossos dicionários é darfuriano — 1) relativo ou pertencente à região do Darfur, no Oeste do Sudão, e 2) natural ou habitante do Darfur. Lia-a agora mesmo num texto em que se falava de Santa Bakhita, sudanesa darfuriana e originária da paróquia de Nyala.

 

[Texto 10 330]

Helder Guégués às 21:20 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «mina»

Está minado

 

      «Então Jesus disse: “Um homem nobre foi para uma região distante, a fim de ser coroado rei e depois voltar. Antes, porém, chamou dez dos seus servos e entregou-lhes dez minas, dizendo: “Fazei-as render até que eu volte.” [...] Quando voltou, investido do poder real, mandou chamar à sua presença os servos a quem entregara o dinheiro, para saber o que cada um tinha lucrado» («“Porque não entregaste ao banco o meu dinheiro?”», Jornal da Madeira, 21.11.2018, p. 28).

      Pois é... não consta entre as onze acepções registadas no verbete mina no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Na verdade, faltam muitas acepções deste vocábulo, mas não esperava que não acolhesse esta — que era o nome de um antigo peso grego de prata ou ouro, usado como moeda.

 

[Texto 10 329]

Helder Guégués às 19:16 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Como se escreve na Madeira

Esta mancha já não sai

 

      Como é tratada a língua nos nossos arquipélagos? Tem dias. Hoje foi assim: «Há uma tendência crescente nas escolas primárias para levar as crianças para o mundo lá fora, faça chuva ou faça sol, para ter contato direto com o ambiente natural» («Uma abordagem à aprendizagem ao ar livre: Aprendizagens na floresta», Rosa Luísa Gaspar, professora, Jornal da Madeira, 21.11.2018, p. 7).

      Professora de?... Ah, não quero saber. O resto do texto não é, muito longe disso, um primor — na realidade, está abaixo de medíocre —, mas, num professor, ver aquele erro até dói.

 

[Texto 10 328]

Helder Guégués às 18:43 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «colégio»

Também nos falta esta

 

      «No Alentejo, na década de 80, [houve] proprietários de pedreiras que declararam zonas de segurança onde já não havia chão, diz o presidente do Colégio de Engenharia Geológica e de Minas da Ordem dos Engenheiros, Carlos Caxaria» («Pedreiras declararam zonas de segurança onde já não havia chão», José Carlos Silva, Rádio Renascença, 20.11.2018, 19h02).

      Eis outra acepção que os nossos queridos dicionários ignoram. Como sabem, as associações públicas profissionais são, na generalidade dos casos, designadas por ordens e câmaras. Outra denominação possível é colégio, também utilizada em alguns países europeus, mas, ao que creio, no nosso caso é como que a subdivisão por especialidades.

 

[Texto 10 327]

Helder Guégués às 18:07 | comentar | ver comentários (8) | favorito
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Léxico: «descascador/pelador»

Falemos de batatas

 

      Fui comprar, há minutos, um pelador de batatas. Sim, eu pedi à empregada da loja um pelador de batatas, e ela sabia do que se tratava. Imagino, é verdade, que, se alguém for a um concessionário e pedir um Porsche Pamera, o empregado também não hesitará. Só há uma diferença: é que, para mim, as batatas (e as cenouras, porque foi mais para estas que o comprei) têm mais pele do que casca. Reconheço, porém, que está ali na fronteira, e por isso tanto se poderá dizer casca como pele. Também foi importado da China, pois claro, mas é melhor e mais barato do que os que vejo na Gearbest. É até melhor do que os da marca Victorinox. Vamos agora ao dicionário. Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, descascador é somente a «máquina de descascar cereais; debulhadora». Quanto a pelador, ainda é pior: «que ou aquele que péla [sic]».

 

[Texto 10 326]

Helder Guégués às 11:25 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Como se escreve por aí

Valha-nos Deus

 

      «O dados revelados pelo Ministério do Ambiente ao Jornal de Notícias e ao Público não permitem perceber porque motivo não foi respeitado o decreto-lei de 1982. No momento em que foi publicado, já as duas pedreiras laboravam há anos, apenas com uma declaração que fazia prova da titularidade dos terrenos — na altura, a única condição imposta. [...] Há outra dúvida motivada por estes dados do Ministério do Ambiente: se o decreto-lei remonta a 1982, porque motivo as pedreiras só foram licenciadas em 1989, sete anos depois? [...] O último alerta deu-se em 2014, quando a Câmara de Borba, empresários do setor pedreiro e a Direção-Geral de Energia e Geologia se sentaram à mesma mesa para discutir o eventual encerramento da EN 255» («Pedreiras de Borba não cumpriam margens de segurança impostas pela lei», Miguel Videira, TSF, 21.11.2018, 8h50).

      Só é pena não se fazerem também inspecções aos conhecimentos de gramática e léxico dos jornalistas, não é assim, Miguel Videira? Muitos teriam de cessar actividade.

[Texto 10 325]

Helder Guégués às 10:44 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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21
Nov 18

Léxico: «litostático»

Mármores VII

 

     «As fraturas que identificámos», diz Luís Lopes, director do departamento de Geociências da Universidade de Évora, «não se ligavam umas às outras de forma contínua. Isso reporta-se à altura que fizemos a análise, no entanto com a carga litostática, com a massa de rocha, a que se soma a água, mais argilas à superfície com capacidade de absorver a água, toda aquela massa está num esforço contínuo, e pode haver uma propagação das fraturas» («Geólogo: “Tragédia na pedreira era uma questão de tempo”», João Carlos Malta, Rádio Renascença, 21.11.2018, 6h30).

      Nenhum dicionário acolhe o adjectivo litostático. E, contudo, é usado em dois artigos de apoio da Infopédia («pressão confinante» e «deformação (geologia)»). Algo falha aqui redondamente.

 

[Texto 10 324]

Helder Guégués às 07:38 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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