26
Nov 18

Léxico: «ppm», de novo

Coisas estranhas

 

      «Pretende ser tanto alarmante como esclarecedor. O novo livro de Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães chama-se “Armadilha Digital” e conta uma história ficcional que bem podia ser real. [...] “Armadilha Digital”, da coleção “Seguros e Cidadania”, é lançado esta sexta-feira, com presença do inspetor da Polícia Judiciária, [sic] Carlos Cabreiro, diretor da UNC3T – Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica, e o presidente da Associação Portuguesa de Seguradores, José Galamba de Oliveira» («De aventura a armadilha. Os perigos da internet no novo livro [de] Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães», Carolina Rico, TSF, 26.11.2018, 16h40).

      Já viram o arrojo destas siglas? UNC3T! Porque tem três cês, C3. Não seria então melhor UN3CT? Bem, isso não interessa. Porque é que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto ainda não registou a abreviatura ppm, partes por milhão?

 

[Texto 10 363]

Helder Guégués às 21:46 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «edição»

Vamos estar atentos

 

      «He Jiankui, cientista na Southern University of Science and Technology (SUSTech), em Shenzhen, na China, garantiu esta segunda-feira à Associated Press que conseguiu, pela primeira vez, manipular geneticamente embriões humanos, no caso duas bebés gémeas que terão nascido este mês. [...] Entrevistada pela Renascença, Ana Sofia Carvalho, professora de Bioética da Universidade Católica e membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, garante que estamos perante uma técnica de edição do genoma “muito grave”» («Chinês reivindica primeiros bebés geneticamente modificados. Universidade abre inquérito», Tiago Palma, Rádio Renascença, 26.11.2018, 15h55).

      Já tinha reparado, noutras ocasiões, nesta acepção de edição (e do verbo editar), que nada tem que ver com texto. Será influência do inglês? Se for, também não o vejo nos dicionários desta língua. Vamos estar atentos.

 

[Texto 10 362]

Helder Guégués às 21:13 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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«Padebol», de novo

Dizemos nós

 

      Quando sugeri aqui que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto registasse o termo padebol, o que ainda não aconteceu, estabeleci uma analogia com os vocábulos padel, futebol e futevólei para justificar a interposição da vogal. Ora, não foi nada de mais: vi na página da Internet dos Salesianos de Lisboa a palavra softebol, que, sei agora, também o dicionário da Porto Editora regista (remetendo aí para «softbol»). Sendo assim, é claro que tem de ser grafado padebol — mas, por favor, não remetam para padbol. Tem de haver uma remissão mútua. Ah, e só hoje é que soube que o softebol é praticado maioritariamente por mulheres, o que a definição do dicionário da Porto Editora não diz.

 

[Texto 10 361]

Helder Guégués às 20:59 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «taser/taseres»

Já é mais nossa

 

      «Nos Estados Unidos, onde qualquer pessoas pode usar uma arma à cintura, a tecnologia tenta aliar-se à defesa pessoal. A fabricante de armas elétricas Axon modificou os seus taseres de forma a aliar-se a uma tecnologia já existente, por exemplo, em carros. [...] Os taseres usam uma descarga elétrica de alta tensão para imobilizar momentaneamente uma pessoa. Podem causar desde contrações musculares a choque completo, queda e perda de orientação por vários minutos» («Esta arma taser chama a polícia automaticamente quando disparada», Carolina Rico, TSF, 26.11.2018, 13h26).

      Ah, então já vai sendo aportuguesado. Muito bem — mas: sofre do mesmo mal do «basebol». Vamos lá: beisebol e teiser/teiseres. Quem não quiser, paciência, ande desarmado.

 

[Texto 10 360]

Helder Guégués às 17:23 | comentar | favorito

Estreito é

Mas de quê?

 

      «Este domingo, três navios militares da Ucrânia atravessaram a fronteira nacional da Rússia, entraram nas águas territoriais russas, e deslocaram-se no mar Negro em direção ao estreito de Kerch, segundo a assessoria do Serviço Federal de Segurança russo» («Ucrânia convoca gabinete de guerra depois de incidente com a Rússia», Rádio Renascença, 25.11.2018, 20h07). Kerch? Ora, já foram mais portugueses: «“A NATO condena a construção e abertura parcial pela Rússia da ponte no Estreito de Querche que liga a Rússia à Crimeia”, sublinha Piers Cazalet [vice-porta-voz da Aliança Atlântica] no documento» («NATO condena nova ponte que liga a Rússia à Crimeia», Rádio Renascença, 16.05.2018).

 

[Texto 10 359]

Helder Guégués às 11:24 | comentar | favorito

Léxico: «negalho»

Escolham

 

      «Investiu de antemão 200 euros em linhas porque lhe disseram que convém comprar negalhos do mesmo lote. Ficámos a saber, por esta bordadeira, que um negalho do número 612 (bege do bordado Madeira) pode custar 3,70 ou 3,90 euros, consoante a marca» («Ainda há quem se aventure a bordar», Iolanda Chaves, Jornal da Madeira, 26.11.2018, p. 10).

      Pois... O que me leva a crer que, no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, ou falta uma acepção a negalho, ou está errada a definição: «pequena porção de linha para coser».

 

[Texto 10 358]

Helder Guégués às 10:35 | comentar | ver comentários (2) | favorito

Mais pontos de bordado

Fora dos dicionários

 

      «“Posso dizer que aprendi a bordar na Casa do Povo de Câmara de Lobos”, afirma [Daiana Paul] com orgulho. Ponto francês, matiz, caseado, garanitos, ponto de pau, arrendado, ilhó grego, bastidos e ponto chã são os pontos que já domina» («Ainda há quem se aventure a bordar», Iolanda Chaves, Jornal da Madeira, 26.11.2018, p. 10).

 

[Texto 10 357]

Helder Guégués às 10:22 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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26
Nov 18

Léxico: «mata-leão»

Mata que se farta

 

      «Um homem de 38 anos foi morto na tarde de domingo pelo dono do carro que estava a assaltar, na avenida Paulo VI, na zona J de Chelas, em Lisboa. [...] Os dois envolveram-se numa escaramuça, tendo a vítima morrido devido a um golpe de ‘mata-leão’» («Mata ladrão que roubava carro em Lisboa», João Carlos Rodrigues, Correio da Manhã, 26.11.2018, 00h13).

      Excesso de legítima defesa? Correu mal para o senhor ladrão, enganou-se no alvo. Mata-leão: para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, o mais próximo é «mata-borrão», que, enfiado pelas goelas abaixo, imagino que também mate.

 

[Texto 10 356]

Helder Guégués às 08:48 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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