27
Nov 18

Atrofia muscular espinhal

Tipo 1 e tipo 2

 

      «Foi também aprovada, por unanimidade, uma proposta do PEV a definir que “no ano de 2019, o Governo garante disponibilidade financeira para que, nos casos de avaliação médica favorável, seja administrado o medicamento que se destina a tratar a Atrofia Muscular Espinhal, aos doentes com tipo I e com tipo II, em todas as unidades hospitalares do Serviço Nacional de Saúde”» («​Meningite B, Rotavírus, e HPV para os rapazes incluídas no Plano de Vacinação», Judith Menezes e Sousa, TSF, 27.11.2018, 18h31).

      Serão políticos que aprenderam a ler com os jornalistas, já que também usam letra grelada no nome das doenças. Não estou aqui para isso, mas para dizer que, com toda a certeza, se aplica também o que aqui lembrei a respeito da diabetes: «os termos diabetes tipo I e diabetes tipo II foram substituídos por diabetes tipo 1 e tipo 2, respectivamente, com números arábicos em vez de algarismos romanos. E porquê? Ora, simples: “in part because”, argumenta a American Diabetes Association, “the roman numeral II can easily be confused by the public as the number 11”». Nas palavras-passe, evito este algarismo e o i maiúsculo (não uso gestor de palavras-passe).

 

[Texto 10 367]

Helder Guégués às 23:03 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «acondroplasia»

É o que me parece

 

      «Em Portugal há 600 pessoas com displasias ósseas, das quais 400 têm acondroplasia, uma das formas mais comuns de nanismo. A patologia tem como uma das consequências visíveis, [sic] a baixa estatura» («Inclusão fora da moda», Liliana Carona, Rádio Renascença, 27.11.2018).

      Este está onde nem sempre estão os termos médicos, no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «MEDICINA tipo de nanismo em que os membros são curtos, enquanto a cabeça e o tronco têm dimensões normais». Não está mal, mas a mãe do atleta paraolímpico Miguel Monteiro, entrevistada, talvez o explique melhor: «A acondroplasia é um tipo de nanismo onde a principal característica é ter os ossos longos mais curtos.»

 

[Texto 10 366]

Helder Guégués às 22:37 | comentar | favorito
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Léxico: «taser»

Primeiro duvida-se

 

       Falei aqui há dias do aportuguesamento taser/taseres (sim, também sugeri que a grafia fosse teiser/teiseres), que apareceu num artigo. A fabricante, ainda se lembram?, era a Axon. Dá-se o caso de a Axon ser a antiga Taser. We are now Axon. Pois bem, mas também há outras empresas que fabricam este tipo de armas. Logo, a dicionarizá-lo, é como nome comum. É neste ponto que temos de dizer que o verbete no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto pode ter um erro — ou dois. Primeiro: se o grafam com minúscula, qual o sentido de usarem o símbolo de marca registada? Só na etimologia, e com maiúscula, deverá ser assim. Segundo: na definição, diz-se que a arma «dispara um par de eléctrodos pontiagudos». Será mesmo assim, tal como uma abelha larga o ferrão? Hum...

 

[Texto 10 365]

Helder Guégués às 20:44 | comentar | favorito
27
Nov 18

Léxico: «nutracêutico»

Chegará a sua hora

 

      «“Tendo em vista a criação de produtos nutracêuticos com propriedades neuroprotetoras e neurorregeneradoras para uso terapêutico na Esclerose Múltipla e em doenças do foro neurológico e psiquiátrico, a equipa de investigação encontra-se a desenvolver uma nova tecnologia de obtenção de compostos fenólicos (CF) capazes de atuar no Sistema Nervoso Central, que estão presentes em elevado teor nas folhas de mirtilo”, esclarece a equipa de investigadores» («Folha de mirtilo para tratar esclerose múltipla? Investigação está em curso na Universidade de Coimbra», Rádio Renascença, 27.11.2018, 12h03).

      O termo nutracêutico já tinha sido rastreado aqui no Linguagista. Um dia será dicionarizado, nem pode ser de outra forma. E que dizer de neuroprotector e neurorregenerador, que os dicionários também ignoram?

 

[Texto 10 364]

Helder Guégués às 13:36 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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