02
Dez 18

Léxico: «rola-pipas»

Não seria a primeira vez

 

      «A poucos metros dos currais de vinha fica um lugar “imperdível” para quem gosta de estar junto ao mar. Talhadas na pedra natural, as rola-pipas trazem curiosos ao local a qualquer hora do dia. “É incrível como estas marcas ainda perduram na rocha, não é?”, lança a farmacêutica [Susana Vasconcelos] referindo-se às rampas criadas para facilitar o transporte das pipas de vinho para a ilha do Faial» («O vinho nasce da pedra», Irina Fernandes, Revista Saúda, Dezembro de 2018, pp. 40-44).

      Nos dicionários, nem vê-la, e, contudo, ei-la por aí. Ainda aparece por aí alguém a dizer que são stone slipways e que não há termo nosso para o designar...

 

            [Texto 10 391]

Helder Guégués às 17:57 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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As redes

Arte xávega IV

 

      «O aparelho de pesca é constituído por um saco, prolongado por duas mangas, nos extremos dos quais se amarram os cabos de alagem. Uma das extremidades do aparelho fica em terra, enquanto o resto é colocado a bordo da embarcação[,] que sai para o mar, libertando a rede. Terminada a largada, a outra extremidade é trazida para terra, e puxada pelo trator» («Arte xávega. Os passos de uma tradição secular», Mariana Esteves, «B. I.»/Sol, 24.11.2018, p. 25).

      É mais claro do que na definição do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

 

            [Texto 10 390]

Helder Guégués às 16:24 | comentar | favorito

Pesca de cerco e arrasto

Arte xávega III

 

      «A xávega é uma arte de pesca tradicional de cerco e arrasto, praticada em algumas praias da Região [sic] de Aveiro» («Arte xávega. Os passos de uma tradição secular», Mariana Esteves, «B. I.»/Sol, 24.11.2018, p. 25).

      Nunca se diz, na definição do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que se trata de uma pesca de cerco e arrasto. Vamos ver mais.

 

            [Texto 10 389]

Helder Guégués às 16:17 | comentar | favorito
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Léxico: «a zorro»

Arte xávega II

 

      «À chegada do saco, dois homens amarram as chamadas “cordas de bocas”, fechando a boca do saco. Mais do que impedir que o peixe fuja, esta operação previne que a rede que vem “a zorro” se enterre e fique danificada» («Arte xávega. Os passos de uma tradição secular», Mariana Esteves, «B. I.»/Sol, 24.11.2018, p. 25).

      Já vi que não conheces, Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Vamos ver mais.

 

            [Texto 10 388]

Helder Guégués às 16:12 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «porfio»

Arte xávega I

 

      «Já na praia, o saco é esticado e é executada a abertura do porfio, uma espécie de costura, que une as ilhargas do saco, feita com um fio mais fraco, que facilmente é cortado com uma navalha» («Arte xávega. Os passos de uma tradição secular», Mariana Esteves, «B. I.»/Sol, 24.11.2018, p. 25).

      Já vi que não conheces, Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Vamos ver mais.

 

            [Texto 10 387]

Helder Guégués às 15:44 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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02
Dez 18

Léxico: «cabaia/masseira»

Uns retoques

 

      «Apresentam-se ainda objetos do espólio pessoal do escritor, nunca antes mostrados em Lisboa, como o tinteiro em latão, a palmatória de iluminação, a estante giratória, uma masseira bretã (móvel de madeira para amassar pão) — presente de casamento de Ramalho Ortigão — e uma cabaia chinesa (vestuário de mangas largas usado na China), que lhe foi oferecida pelo Conde de Arnoso, além da já referida secretária sob a qual se encontra o baú onde o escritor guardava os manuscritos» («Exposição mostra Eça de Queirós e tudo o que ele tinha “no saco”», Rádio Renascença, 30.11.2018, 22h44).

    O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora define a masseira como o «tabuleiro onde se amassa a farinha para o fabrico do pão». Todas as que conheço — de ter visto, não conhecimento livresco — são como o jornalista as descreve: móvel de madeira para amassar pão. Quanto a cabaia, que o dicionário da Porto Editora descreve como o «vestuário de grandes mangas e aberto ao lado, usado por alguns povos orientais», eu diria que houve troca de adjectivo — para mim, como para o jornalista, as mangas da cabaia são largas, não grandes.

 

            [Texto 10 386]

Helder Guégués às 12:10 | comentar | ver comentários (2) | favorito