06
Dez 18

Léxico: «boavisteiro»

Têm de esperar

 

      «João Loureiro vai deixar de ser presidente do Boavista. O ainda presidente dos “axadrezados” anunciou ontem que não vai concorrer a mais um mandato. Vítor Murta, até agora vice-presidente, é o único candidato à liderança dos boavisteiros» (Público, 6.12.2018, p. 41).

      Só axadrezado é que já pôs os butes (em Abril do ano passado, por sugestão minha) no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, boavisteiro está de quarentena.

 

            [Texto 10 416]

Helder Guégués às 23:04 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «xenotransplante»

Rigor

 

      «Uma investigação realizada na Alemanha provou agora que é possível transplantar, de forma eficaz, corações de porcos para babuínos, podendo levar a avanços significativos em humanos. [...] O sucesso foi alcançado, dizem os investigadores, através de alterações no protocolo e técnicas usadas nos transplantes de coração entre espécies diferentes (xenotransplantes)» («Babuínos com corações de porco conseguiram viver mais de seis meses», Filipa Almeida Mendes, Público, 6.12.2018, p. 28).

      A jornalista acertou, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora errou: «utilização de órgãos de outras espécies animais para substituir os de um ser humano». Espécies diferentes, como, no caso, entre babuínos e porcos. Não estão aqui envolvidos seres humanos — e houve xenotransplante. Rigor.

 

            [Texto 10 415]

Helder Guégués às 22:16 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «lucaiano»

Onde vivem

 

      Os Tainos foram, sabiam?, um dos primeiros povos com que o navegador Cristóvão Colombo contactou ao chegar ao Novo Mundo, em 1492, nas actuais Baamas – mas também lá viviam os Lucaianos e os Aruaques. Destes três povos, só os Lucaianos vivem fora do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Moram no VOLP da Academia Brasileira de Letras: ✓.

 

            [Texto 10 414]

Helder Guégués às 21:29 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «multiplanetário»

Falta pouco

 

      «Se a humanidade quer ser uma espécie multiplanetária, precisamos de aprender a reproduzir-nos no espaço», afirma Kees Mulder, director-geral da SpaceLife Origin, uma empresa dos Países Baixos que projecta realizar o primeiro parto no Espaço em 2024. É só uma questão de tempo até termos entre nós marcianos e selenitas (lunáticos já temos).

 

            [Texto 10 413]

Helder Guégués às 20:57 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «macroalga»

O desgosto do ficólogo

 

      No Portugal em Directo, na Antena 1, estavam a falar há pouco em macroalgas, um termo que de certeza não é apenas familiar a especialistas em ficologia, e, contudo, não o encontramos nos nossos dicionários.

 

            [Texto 10 412]

Helder Guégués às 14:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «manco»

Só do século XIX

 

      «Os dias a seguir são de retaliações. Depois da revolta, há o castigo. Há uma caça aos cabecilhas do protesto. “Entram às duas da manhã dentro das celas e é porrada nos reclusos. Depois há sanções disciplinares, vão para o manco [solitária] 20/25 dias. Sem recreio e nem visitas”, descreve [Rodrigo, ex-recluso]» («Ex-reclusos contam como nasce e se prepara um motim numa prisão», João Carlos Malta, Rádio Renascença, 6.12.2018, 11h00).

      A explicação do que significa manco não é minha, mas do jornalista, e está certa. Infelizmente, nos nossos dicionários não a vamos encontrar. Encontra-se gíria do século XIX, mas não a deste século que nos foi dado viver.

 

            [Texto 10 411]

Helder Guégués às 11:25 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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O jornalismo que temos

Devem estar a brincar

 

      Agora uma notícia da Madeira: «A estrada que liga a via rápida junto ao túnel de acesso ao Faial até ao centro do Porto da Cruz volta a preocupar os moradores das proximidades e transeuntes. Mesmo em frente à casa onde nasceu um dos homens fortes do 25 de Abril e antigo Presidente da República, general Marechal Spínola» («Estrada Marechal Spínola ameaça desmoronar», Jornal da Madeira, 6.12.2018, p. 5).

      Perante tantas trapalhadas, não me admira que queiram salvar o jornalismo. Eu ajudo de várias formas, mas convinha que o jornalismo se ajudasse a si próprio. Era bom que só tivesse de lembrar que é homem-forte que se escreve. Oh, infelizes! António Sebastião Ribeiro de Spínola não nasceu na Madeira, mas sim na Rua Serpa Pinto, n.º 100, Freguesia de St.º André, em Estremoz, Alentejo (aqui, e lá está a lápide). Muito perto, por sinal, do Regimento de Cavalaria 3 (RC3), onde em 1961 realizou o aprontamento para Angola do Grupo de Cavalaria 345, cujos êxitos contribuíram para que sete anos mais tarde fosse escolhido para governador e comandante-chefe das Forças Armadas na Guiné.

 

            [Texto 10 410]

Helder Guégués às 10:35 | comentar | favorito
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Léxico: «orante»

Desilusão

 

      «A oração é um dos mais relevantes indicadores de religiosidade, mas o estudo mostra que 32,3% dos inquiridos não tem “qualquer prática orante”, mas há 49,3% que o fazem. Entre estes, 81% dos evangélicos afirmam rezar “todos os dias”. No universo dos católicos essa percentagem cai para 35,4%, e há 13% que “nunca rezam”» («Área metropolitana de Lisboa é um “laboratório” da diversidade religiosa em Portugal», Ângela Roque, Rádio Renascença, 6.12.2018, 00h00).

      São 32,3 % sem prática orante e o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora sem orante. E, contudo, nos dicionários bilingues usam-na. Isto é que é uma vida!

 

            [Texto 10 409]

Helder Guégués às 08:49 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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06
Dez 18

Léxico: «raba»

Ainda ficamos sem palavras

 

      Ontem ao fim da tarde, na feirinha ali da Estrada de Benfica, junto ao Baldaya, numa banca vi uma grade com oito enormes rabas a 2,99 euros o quilo. No mesmo instante pensei que aquele tubérculo, resultado do cruzamento da couve com o nabo, não estaria no dicionário da Porto Editora. Muito usado em Trás-os-Montes em cozidos, guisotes, puré de batata, etc., está fora dos dicionários. Qual quê, até guisote, que vejo numa pena como a de Castilho, está ausente de todos os actuais dicionários! Não nos deixam nada.

 

            [Texto 10 408] 

Helder Guégués às 08:34 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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