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Dez 18

Léxico: «gueês»

Menos uma

 

      A festa do Timket ou Baptismo do Senhor é celebrada na Etiópia a 19 de Janeiro. Falta pouco. As cerimónias começam na véspera e giram também em torno da Arca da Aliança e das Tábuas da Lei, que acabam por ser o verdadeiro centro da festa. Na verdade, a festa começa na véspera. Os crentes dirigem-se para as igrejas, habitualmente pequenas, e, espontaneamente, formam-se coros entre a multidão. São cantos litúrgicos, alguns em gueês, a antiga língua preservada na liturgia, e outros mais modernos em amárico, a língua franca da Etiópia. Ora bem, se amárico ainda está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, gueês (grafia usada na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, por exemplo) não está. Se a única grafia fosse ge’ez, eu ainda compreendia a sua rejeição, mas assim, não.

 

            [Texto 10 462]

Helder Guégués às 16:43 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «hena»

Ena, pá!

 

      «Até agora, os motivos de preocupação estavam circunscritos às tatuagens temporárias à base de hena, com adição de parafenilenodiamina, corante natural proibido, responsável por reações alérgicas e eczemas de contacto» («Essa tatuagem é segura?», Clara Soares, Visão, 22.11.2018, p. 83).

      Mal se me depara a palavra hena, é logo em tatuagens temporárias que penso. É, por isso, estranho que a definição do vocábulo no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora seja esta: «tintura castanho-avermelhada preparada a partir da casca e das folhas secas desse arbusto e que é usada cosmeticamente em produtos para pintar o cabelo».

 

            [Texto 10 461]

Helder Guégués às 16:13 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Médio-Oeste

É português

 

      «Como Kelly era dono de parte da terceira maior empresa de transportes do Médio-Oeste e Oeste, deve ter sido uma réstia de génio que me levou a tentar conquistar a filha naquele lugar» (Um Sonho Americano, Norman Mailer. Tradução de Eduardo Saló. Lisboa: Livros do Brasil, 1988, p. 7).

      Em quantas traduções não se optou por deixar no original, Midwest? Decerto, ainda há opções mais descabeladas.

 

            [Texto 10 460]

Helder Guégués às 16:02 | comentar | favorito
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15
Dez 18

Como se escreve por aí

É esta miséria

 

      «O vermelho chamou a atenção de todos entre o amarelo dos coletes. Os franceses voltaram a sair à rua pelo quinto sábado consecutivo, mas cinco manifestantes destacaram-se na multidão. [...] Não se tratam de feministas da Femen, como se pensou inicialmente, apesar da semelhança com as iniciativas que costumam levar a cabo. Estas Marianne de casacos vermelhos e peito descoberto são obra da artista luxemburguesa Deborah de Robertis, uma performance simbólica em dia de manifestação por melhores condições de vida na França» («Marianne juntou-se aos coletes amarelos. Quem são as mulheres que fizeram frente à polícia?», Carolina Rico, TSF, 15.12.2018, 13h59).

      Será que aprendem mesmo? Acho que não. E trata-se de uma jornalista, o que não será o zé-povinho.

 

            [Texto 10 459]

 

Helder Guégués às 15:06 | comentar | favorito
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