20
Dez 18

Como se traduz por aí

É natural

 

      Barack Obama visitou o Hospital Pediátrico Nacional. Vai daí: «De acordo com o The Washington Post, o diretor executivo e presidente do Sistema Nacional de Saúde Infantil, Kurt Newman, admitiu que a visita do ex-presidente dos EUA vai marcar os pacientes durante muitos anos: “Numa época tão movimentada do ano, quando ninguém quer estar no hospital, o seu calor natural elevou os espíritos destas crianças, dos seus pais e de cada membro da equipa”» («Pai Natal presidencial. Obama visita hospital pediátrico vestido a rigor», Sara Beatriz Monteiro, TSF, 20.12.2018, 9h22, itálico meu).

      Calor natural... Talvez Obama viesse directamente do Havai. Natural warmth. Entretanto, Michelle ficou em casa a escrever a continuação das suas memórias. (Mais 22,90 euros.)

[Texto 10 479] 

Helder Guégués às 12:24 | comentar | favorito
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Léxico: «trotineta»

Génio e lógica

 

      «A mobilidade está a mudar a alta velocidade, algo que no caso de Portugal é mais visível em Lisboa. Não é ainda uma revolução, mas é certamente uma transformação, cuja última evidência são as trotinetes eléctricas (o facto de lhes chamarem scooters, para parecer mais adulto, não apaga o facto de serem trotinetes)» («Os obstáculos das trotinetes», Luís Villalobos, Público, 20.12.2018, p. 49).

      Grande argumento... Elon Musk é um génio. Elon Musk afirma que as trotinetas são infantis. Logo, eu vou afirmar que as trotinetas são infantis. No dicionário da Porto Editora: «brinquedo infantil ou meio de transporte urbano individual, constituído por uma placa montada em duas rodas em linha, e munida de uma haste com guiador que dirige a roda da frente». Já que estamos nisto: será mesmo constituída por «uma placa montada em duas rodas em linha»?

 

[Texto 10 478]

Helder Guégués às 12:04 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «impasse»

Seis anos depois

 

      «Este é o Bairro Municipal João Nascimento Costa, construído em 2001 nas traseiras da Picheleira. Os espaços em que trabalham Pedro Gomes e outros artistas, arquitectos e estilistas ficam numa rua sem nome, chamada apenas “Impasse C”, virada à Avenida Marechal Costa Gomes, ao Alto de São João, Alto do Pina e Quinta do Lavrado, outro bairro municipal, construído para albergar os desalojados da Curraleira» («Na Picheleira, droga e insegurança estão em exposição permanente», João Pedro Pincha, Público, 19.12.2018, p. 16).

      É galicismo, decerto, como outros que entraram na língua. Contudo, se se usa, tem de estar nos dicionários. Há seis anos chamei aqui a atenção para esta incongruência de o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora apenas registar os sentidos figurados (que já vêm do étimo), mas não este sentido. No artigo acima, e no dia-a-dia, impasse também é a via urbana estreita e curta, sem intersecção com outra via.

 

            [Texto 10 477]

Helder Guégués às 08:58 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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20
Dez 18

Léxico: «carpóforo»

Em quem acreditar?

 

      «O jornal adianta que Rocha da Silva “pede o esclarecimento integral não só do estado do carvalho-alvarinho que caiu, mas também sobre as conclusões a que chegaram os peritos e à existência ou não do carpóforo — o fungo que muita polémica gerou depois da denúncia de que o mesmo teria sido retirado por Pedro Ginja, o perito contratado pela Câmara Municipal do Funchal”» («Madeira: Ex-diretor regional de Florestas interpõe ação no DIAP sobre queda de árvore», Cláudia Ornelas, Diário de Notícias, 19.12.2018, 15h43).

      Pois, é o que se lê aqui e ali, que os carpóforos são frutificações de um tipo de fungos denominados basidiomicetas lenhícolas. Eis, porém, que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora o define assim: «BOTÂNICA parte do receptáculo que, em algumas flores, se alonga a partir do cálice e suporta os carpelos».

 

            [Texto 10 476]

Helder Guégués às 08:53 | comentar | ver comentários (1) | favorito