03
Dez 18
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Dez 18

Léxico: «salonista»

Só para alguns

 

      «A sua “fotografia preferida” era a preto e branco, tal como continuou a ser a preto e branco aquela que considerava ser a sua prática “artística” e as imagens com as quais se apresentava a concursos amadores e a exposições salonistas. [...] O [Fotoclube] 6x6 foi fundado por António Rosa Casaco — antigo inspector da PIDE envolvido no assassinato de Humberto Delgado, que tinha a fotografia como um dos seus principais passatempos — e por outros fotógrafos salonistas, como Harrington Sena, Silva Araújo, Fernando Vicente e Nunes de Almeida» («A obra fotográfica de Helena Corrêa de Barros acordou», Filipa Lowndes Vicente, «2»/Público, 2.12.2018, pp. 6-8).

      Nos dicionários, não encontramos salonista. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora acolhe «salonismo», para noutros domínios: «DESPORTO prática de futebol de salão ou futsal». E fotoclube, em que dicionário o podemos encontrar? Em nenhum, parece que só «cineclube» tem direito...

 

            [Texto 10 392]

Helder Guégués às 08:53 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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02
Dez 18

Léxico: «rola-pipas»

Não seria a primeira vez

 

      «A poucos metros dos currais de vinha fica um lugar “imperdível” para quem gosta de estar junto ao mar. Talhadas na pedra natural, as rola-pipas trazem curiosos ao local a qualquer hora do dia. “É incrível como estas marcas ainda perduram na rocha, não é?”, lança a farmacêutica [Susana Vasconcelos] referindo-se às rampas criadas para facilitar o transporte das pipas de vinho para a ilha do Faial» («O vinho nasce da pedra», Irina Fernandes, Revista Saúda, Dezembro de 2018, pp. 40-44).

      Nos dicionários, nem vê-la, e, contudo, ei-la por aí. Ainda aparece por aí alguém a dizer que são stone slipways e que não há termo nosso para o designar...

 

            [Texto 10 391]

Helder Guégués às 17:57 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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As redes

Arte xávega IV

 

      «O aparelho de pesca é constituído por um saco, prolongado por duas mangas, nos extremos dos quais se amarram os cabos de alagem. Uma das extremidades do aparelho fica em terra, enquanto o resto é colocado a bordo da embarcação[,] que sai para o mar, libertando a rede. Terminada a largada, a outra extremidade é trazida para terra, e puxada pelo trator» («Arte xávega. Os passos de uma tradição secular», Mariana Esteves, «B. I.»/Sol, 24.11.2018, p. 25).

      É mais claro do que na definição do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

 

            [Texto 10 390]

Helder Guégués às 16:24 | comentar | favorito

Pesca de cerco e arrasto

Arte xávega III

 

      «A xávega é uma arte de pesca tradicional de cerco e arrasto, praticada em algumas praias da Região [sic] de Aveiro» («Arte xávega. Os passos de uma tradição secular», Mariana Esteves, «B. I.»/Sol, 24.11.2018, p. 25).

      Nunca se diz, na definição do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que se trata de uma pesca de cerco e arrasto. Vamos ver mais.

 

            [Texto 10 389]

Helder Guégués às 16:17 | comentar | favorito
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Léxico: «a zorro»

Arte xávega II

 

      «À chegada do saco, dois homens amarram as chamadas “cordas de bocas”, fechando a boca do saco. Mais do que impedir que o peixe fuja, esta operação previne que a rede que vem “a zorro” se enterre e fique danificada» («Arte xávega. Os passos de uma tradição secular», Mariana Esteves, «B. I.»/Sol, 24.11.2018, p. 25).

      Já vi que não conheces, Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Vamos ver mais.

 

            [Texto 10 388]

Helder Guégués às 16:12 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «porfio»

Arte xávega I

 

      «Já na praia, o saco é esticado e é executada a abertura do porfio, uma espécie de costura, que une as ilhargas do saco, feita com um fio mais fraco, que facilmente é cortado com uma navalha» («Arte xávega. Os passos de uma tradição secular», Mariana Esteves, «B. I.»/Sol, 24.11.2018, p. 25).

      Já vi que não conheces, Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Vamos ver mais.

 

            [Texto 10 387]

Helder Guégués às 15:44 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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02
Dez 18

Léxico: «cabaia/masseira»

Uns retoques

 

      «Apresentam-se ainda objetos do espólio pessoal do escritor, nunca antes mostrados em Lisboa, como o tinteiro em latão, a palmatória de iluminação, a estante giratória, uma masseira bretã (móvel de madeira para amassar pão) — presente de casamento de Ramalho Ortigão — e uma cabaia chinesa (vestuário de mangas largas usado na China), que lhe foi oferecida pelo Conde de Arnoso, além da já referida secretária sob a qual se encontra o baú onde o escritor guardava os manuscritos» («Exposição mostra Eça de Queirós e tudo o que ele tinha “no saco”», Rádio Renascença, 30.11.2018, 22h44).

    O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora define a masseira como o «tabuleiro onde se amassa a farinha para o fabrico do pão». Todas as que conheço — de ter visto, não conhecimento livresco — são como o jornalista as descreve: móvel de madeira para amassar pão. Quanto a cabaia, que o dicionário da Porto Editora descreve como o «vestuário de grandes mangas e aberto ao lado, usado por alguns povos orientais», eu diria que houve troca de adjectivo — para mim, como para o jornalista, as mangas da cabaia são largas, não grandes.

 

            [Texto 10 386]

Helder Guégués às 12:10 | comentar | ver comentários (2) | favorito
01
Dez 18

Léxico: «tafonomista»

Andas próximo

 

      «“O uso efectivo de ferramentas de pedra para corte, afiadas como facas, sugere que os nossos antepassados não se limitavam a apanhar carcaças de animais. Não está claro se, nesta altura, eles caçavam ou não, mas as provas mostram claramente que competiam com sucesso com outros carnívoros por carne e gostavam de ser os primeiros a ter acesso às carcaças de animais”, frisa, em comunicado, a tafonomista Isabel Cáceres, do Instituto Catalão de Paleoecologia Humana e Evolução Social, que participou na investigação» («Ferramentas de pedra indicam que os nossos antepassados chegaram mais cedo ao Norte de África», Filipa Almeida Mendes, Público, 1.12.2018, p. 29).

      Não sejas trapalhão, Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, eu disse «tafonomista», não «taxonomista». Seja como for, já registas «tafonomia» e «tafonómico».

 

            [Texto 10 385]

Helder Guégués às 17:36 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Dez 18

Léxico: «pisoteio»

Segunda chamada

 

      «A EDIA, que continua a financiar o trabalho de monitorização dos núcleos de Narcissus cavanillesii executado pela equipa de biólogos do Jardim Botânico, confirma que “a população da Ponte da Ajuda continua a ser a maior população da Península Ibérica”. Mas chama a atenção para o facto de a sua localização “permitir que as pessoas tomem contacto com a espécie, deixando-a vulnerável à recolha ilegal e eventualmente pisoteio”» («Num reduto no Guadiana resiste a única comunidade na Península Ibérica de uns pequenos narcisos», Carlos Dias, Público, 1.12.2018, p. 19).    

      É a segunda vez que esta derivada regressiva passa aqui pelo Linguagista, e o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, ao contrário de outros dicionários, ainda não a regista.

 

            [Texto 10 384] 

Helder Guégués às 17:24 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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