07
Jan 19

Léxico: «Soajo/Suajo»

Não matem as variantes!

 

      «Serra da região minhota, situada junto à fronteira com a Espanha, na margem direita do rio Lima. Tem a altitude máxima de 1415 metros», ensina-nos sobre a serra do Soajo a Infopédia. Para já, são 1420 metros, medidos por mim. Estou a brincar. O que há para dizer, a respeito disto, é que a Porto Editora devia mencionar que se escreve Soajo ou Suajo, são variantes, é in-di-fe-ren-te. Se não o disser aqui, onde o vai dizer? Bem, di-lo a propósito de um termo comum, soajo/suajo, uma planta herbácea. «Serra do Suajo», leio numa velhinha edição de Portugal: Breviário da Pátria para os Portugueses Ausentes, publicada pelas Edições SNI em 1946. (A continuar a citar edições do SNI, ainda sou convidado para ir ao programa de Manuel Luís Goucha... Vou emendar-me.) 

 

[Texto 10 556]

Helder Guégués às 17:19 | comentar | favorito

Léxico: «corvina-americana/caranguejo-azul»

Hey, Siri

 

      «A corvina americana e o caranguejo azul são duas novas espécies, ambas originárias da costa leste da América do Norte, que invadiram o Guadiana, nos últimos dois anos. “Questiono-me se serão espécies invasoras ou refugiadas”, observa a vice-reitora da Universidade do Algarve (Ualg), Alexandra Teodósio, lembrando que nos EUA estas espécies estão a ser objecto de sobreexploração. [...] A corvina norte-americana ou corvinata real (cynoscion regalis) surpreendeu a comunidade científica em 2016, quando surgiu pela primeira vez no Guadiana» («Invasores ou refugiados?», Idálio Revez, Público, 7.01.2019, p. 21).

      Mais dois para a nossa mesa e para os nossos dicionários: corvina-americana ou corvinata-real (Cynoscion regalis) e siri ou caranguejo-azul (Callinectes sapidus).

 

[Texto 10 555]

Helder Guégués às 13:08 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «ciganofobia/ciganófobo»

Sinal de alguma coisa

 

      «A TVI patrocina o trabalho de Bruno Caetano que não consta da lista da Carteira Profissional de Jornalistas e cuja escolha temática e ângulo de análise são reincidentes no seu teor ciganófobo e na expressão de simpatia por ideias fascistas» («O racismo e o fascismo não passarão!», carta aberta de mais de 300 personalidades que pedem a intervenção do Estado, Público, 7.01.2019, p. 13).

      E a ausência de ciganofobia e ciganófobo de todos os nossos dicionários é sinal de quê? Sim, porque tem de ser sinal de alguma coisa.

 

[Texto 10 554]

Helder Guégués às 09:19 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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07
Jan 19

Léxico: «bimodo/bimodal»

Desconhecido por cá

 

      «A CP lança esta segunda-feira o concurso para a compra de 22 novos comboios. A cerimónia está marcada para o final da manhã, na estação de Marco de Canaveses. [...] No texto sobre o modelo de anúncio do procedimento de negociação para a compra de “12 unidades automotoras bimodo e 10 unidades automotoras elétricas, respetivas peças de parque e ferramentas especiais e a prestação de serviços de manutenção, preventiva e corretiva, acompanhada da prestação de serviços de formação”» («CP lança concurso para comprar 22 novos comboios», Rádio Renascença, 7.01.2019, 6h52).

      O adjectivo bimodal, referido a automotoras, já tenho lido, bimodo é a primeira vez. Nenhum dicionário nosso regista este. No fundo, é semelhante ao bicombustível que recentemente propus, e entretanto foi dicionarizado, à Porto Editora.

 

[Texto 10 553]

Helder Guégués às 08:33 | comentar | favorito
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