23
Jan 19

Léxico: «pictavo/Pictavos»

Extra

 

      Julgou-se nas planícies dos Pictavos. Estava, porém, no seu quarto. (Canábis?) Está bem, Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, registas pictavense, mas no VOLP da Academia Brasileira de Letras encontramos pictavense e pictavo.

 

[Texto 10 644]

Helder Guégués às 23:05 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Léxico: «rusticismo»

Para acabar o dia

 

      O enviado do anjo entrou por uma porta antiga da cidade, uma porta bárbara, até feria a vista com o seu rusticismo de mau gosto. Felizmente não era em Portugal, e não temos de nos envergonhar. Coramos um tudo-nada apenas por não encontrar rusticismo no dicionário da Porto Editora e o vermos — grrrrr! — no VOLP da Academia Brasileira de Letras. Eh pá, têm de turbinar o cérebro com, sei lá, OptiMind. Para começar, têm de registar turbinar.

 

[Texto 10 643]

Helder Guégués às 22:46 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «dárico/darico»

É este o panorama

 

      «Tratava-se de um direito que equivalia mais ou menos à trigésima parte de um dárico.» É uma frase de uma obra de que, por enquanto, não posso falar. (Se descobrirem, parabéns.) O dárico/darico é uma moeda que, com o siglos, representava o padrão monetário bimetálico do Império Persa aqueménida. Não está no dicionário da Porto Editora; mas encontramos ambas as variantes no VOLP da Academia Brasileira de Letras. Rebelo Gonçalves só regista «darico»; José Pedro Machado apenas acolhe «dárico»; Sacconi falhou várias tomas (toma!) de Memofante Forte e também se esqueceu de dicionarizar as duas. Quanto a siglos, não conheço nem sequer um dicionário que a registe.

 

[Texto 10 642]

Helder Guégués às 21:59 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Léxico: «chibaria»

Na literatura já está

 

      «A chibaria nunca viu nascer ninguém», canta Conan Osíris na canção Telemóveis, que vai (vai?) levar ao Festival da Canção. A sonoridade é boa, a letra, enfim... Ora, mas eu vejo chibaria, e há muito, na literatura. Citaria aqui António Lobo Antunes — ALA! —, mas nunca sei onde começam e onde acabam as suas frases, e acabo sempre por desistir. Quem usará palavras como estas? Toda a gente e, se forem escritores, polícias e psiquiatras. Assim, cito Moita Flores: «— Se a matamos, a Polícia põe a chibaria toda atrás do caso» (Segredos de Amor e Sangue, Francisco Moita Flores. Alfragide: Casa das Letras, 2014). Não a encontrar nos dicionários é que está mal, evidentemente.

 

[Texto 10 641]

Helder Guégués às 20:11 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «descomplicado»

Túnel do tempo

 

      O recenseador da obra Diante de Ti, os Meus Caminhos, de Tomáš Halík, diz-nos que o autor tem a capacidade de «passar ao leitor as suas inquietações, a propósito de temáticas por vezes complexas, mas sempre num registo directo e descomplicado, com que o leitor se consiga identificar». Qual é a dúvida de que descomplicado não é meramente particípio, mas também adjectivo? O VOLP da Academia Brasileira de Letras não tem essas dúvidas. Mais: até arranjaram — e eles bem precisam, sinceramente — um descomplicador. Agora com os Bolsonaros à perna, precisam de mais do que de um descomplicador: precisavam de um túnel do tempo que os fizesse desembocar incólumes no ano 2030.

 

[Texto 10 640]

Helder Guégués às 14:18 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Superlua», de novo

Não liguem

 

      «Um fenómeno astronómico passou do Espaço para as redes sociais quando um meteorito caiu na face visível da lua, durante o eclipse da madrugada desta segunda-feira, a “Super Lua Vermelha”. Não é, certamente, a primeira vez que um meteorito colide com o planeta satélite da Terra, mas é a primeira vez que o episódio é filmado» («Do Espaço para as redes sociais. Colisão de meteorito com a Lua filmada pela primeira vez», Sara Beatriz Monteiro, TSF, 23.01.2019, 8h43).

      Daqui a quantas luas os jornalistas saberão que os elementos de formação de palavras não podem ficar assim soltos à maluca? Quando, Sara Beatriz Monteiro? Há quem defenda que se deve escrever «super-Lua», porque Lua é um nome próprio (do que esta jornalista também se esqueceu ou não sabe), e, dado que não se pode escrever «superLua», o correcto é «super-Lua». Bem, estamos de acordo num ponto: não se pode escrever «superLua». Do que se esquece quem aduz esse argumento — do que se esquece Dad Squarisi, do Correio Braziliense — é que a designação em causa é de um fenómeno, como as próprias fases da Lua, o que se escreve com minúscula, e não o nome do satélite da Terra. Q.E.D.

 

[Texto 10 639]

Helder Guégués às 10:52 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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23
Jan 19

Léxico: «privataria»

Eles sabem lá

 

      «A privataria que engorda» (Jornal da Madeira, 23.01.2019, p. 7). Antetítulo: «Roberto Almada fez um trocadilho entre a privatização e a pirataria». Só faltou dizerem que foi o deputado regional bloquista que inventou o neologismo. Enfim, vão dizendo outras barbaridades, e, se lhes chamamos a atenção, malcriadamente nem respondem. Mentalidade insular.

 

[Texto 10 638]

Helder Guégués às 08:50 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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