24
Jan 19

Léxico: «caxemirense/caxemiriano»

Avançamos ou regredimos?

 

      «Um jovem mirzá caxemiriano decidiu empreender...» Alto! Então o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não dá guarida nem a caxemiriano nem a caxemirense? Está empatado, o que não é honra neste caso, com o Houaiss (Lisboa, 2003) e com o Sacconi. Rebelo Gonçalves e José Pedro Machado acolhem apenas «caxemirense». O VOLP da Academia Brasileira de Letras regista ambos. Queremos comparar-nos aos melhores ou aos piores? Aquele excerto que cito no início é de uma tradução portuguesa dos anos 40. O jovem mirzá ia em demanda da sua... mirzena. Dicionários da minha terra, que fazeis?

 

[Texto 10 649]

Helder Guégués às 23:25 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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O plural, área crítica da língua

Isto é preocupante

 

      «Contactada pelo Público, a assessoria do MAI confirmou que a hipótese de as body cam serem usadas nas fardas está a ser estudada: “A proposta de lei de alteração ao regime jurídico que regula a utilização de sistemas de videovigilância pelas forças de segurança está em fase de conclusão no Ministério da Administração Interna. Estas alterações já integram a proposta da PSP relativa ao uso das designadas ‘body cam’ por parte dos efectivos das forças de segurança, cuja utilização é também objecto de regulamentação. A Comissão Nacional de Protecção de Dados será ouvida no âmbito do processo legislativo.”» («Governo avança com câmaras de vídeo nas fardas dos polícias», Alexandra Campos, Público, 24.01.2019, p. 16).

      Alexandra Campos, deixe lá de copiar os erros da assessoria do MAI — ou também acha que se diz «as body cam»? É que isso, diacho, está mal em português e em inglês. Não percebo. Parece-me elementaríssimo: «Boston police to expand use of body cams among force» (Brooks Sutherland, Boston Herald, 2.08.2018, 12h00).

 

[Texto 10 648]

Helder Guégués às 11:03 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «madridista»

Tem de ser

 

      «De acordo com a Deloitte, o emblema madridista teve um crescimento de 18% na área comercial (356,2 ME) e ultrapassou o Bayern de Munique enquanto clube de futebol mais gerador de receitas naquela vertente financeira» («Há um novo líder de receitas. Manchester United foi destronado no campeonato do dinheiro», TSF, 24.01.2019, 8h27).

      Podia pensar-se que isto são notícias lá da Futebolândia, aonde nem como turista quero ir, quanto mais viver lá, mas não podemos fechar os olhos: há anos e anos que vejo madridista na imprensa portuguesa, o dicionário da Porto Editora tem de lhe abrir as portas.

 

[Texto 10 647]

Helder Guégués às 09:29 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Como se escreve nos jornais

Não dá gosto

 

      «Muito melhor, mais próxima de nós. Ajuda-nos a perceber o que ainda não sabemos, nem vamos saber na vida real, sobre antigos aliados que espetam facas nas costas (conselhos nacionais antecipados), sobre pequenas ofertas ilegais para os cofres exangues dos partidos (de facto, grandes rapinas para alguns tenores dos partidos), enfim, ajuda-nos a conhecer os fios com que se cozem alianças improváveis...» («Barão Negro: ser eleitor obriga a estudos», Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 23.01.2019, 22h12).

      Então agora já nem a crónica do chefe revêem? Ficamos a saber as linhas com que se cose a revisão nos jornais hoje em dia.

 

[Texto 10 646]

Helder Guégués às 09:02 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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24
Jan 19

Léxico: «rotário»

Pois claro

 

      «A terceira [visita] foi nos dias 1 e 2 de novembro, por ocasião das comemorações dos 600 anos dos descobrimentos da Madeira e do Porto Santo e a quarta, já no final do ano, dia 23, para participar num jantar rotário, aproveitando para dar um ‘pulinho’ ao Mercado dos Lavradores» («Entre o ‘estado de graça’ e a queda», Iolanda Chaves, Jornal da Madeira, 24.01.2019, p. 4).

      Se se pode dizer — o que me parece pacífico — «jantar rotário», isso significa que a definição de rotário no dicionário da Porto Editora está errada, porque incompleta: «membro de uma das associações anglo-americanas denominadas Rotary Clubs, que usa como insígnia uma rodinha dourada na botoeira, e que tem por fim estabelecer, no comércio, na indústria e nas profissões liberais, a confiança, a lealdade, a probidade, etc.» É claríssimo que a definição tem de ser algo como «relativo ou pertencente ao Rotary Club».

 

[Texto 10 645]

Helder Guégués às 08:36 | comentar | ver comentários (1) | favorito