12
Fev 19

Léxico: «tenébrio»

A proteína do futuro

 

      Na emissão de hoje (reposição) do Ponto de Partida, na Antena 1, Eduarda Maio foi falar com o engenheiro alimentar Guilherme Pereira, da Portugal Bugs. Falaram de grilos, gafanhotos, moscas (a mosca-soldado-negro, Hermetia illucens) e do tenébrio — as larvas, pequenas e amareladas, dos besouros da farinha. Na Infopédia, só em bilingues... Mas também não está na maioria dos dicionários. O pobre Sacconi não sabe de nada, mas o Houaiss (Lisboa, 2003) acolhe-o. O VOLP da Academia Brasileira de Letras regista-o duas vezes (!), talvez para compensar a sua ausência noutros dicionários e vocabulários. Bugou, como diz a minha filha... Enfim, o panorama é mais ou menos tenebroso.

 

[Texto 10 778]

Helder Guégués às 23:06 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «microarranjo»

Biologia molecular

 

      Esperem, isto é interessante... Um teste autossómico de ADN — cada vez mais baratos — com base em microarranjos (microarrays, para a legião de anglófonos que nos segue). Temos de parar por aqui: nenhum dicionário da língua portuguesa, tanto quanto sei, regista microarranjo.

 

[Texto 10 777]

Helder Guégués às 21:22 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «chapeleira»

Não é cabide nem caixa

 

      «Neste DS 7, os pormenores completam a história, com uma profusão de triângulos e losangos, nos interruptores, e em quase todos os botões, triângulos e losangos que se estendem ao exterior à grelha de grandes dimensões e aos faróis, que mais parecem obras de arte em vidro. E que se estendem igualmente ao conjunto ótico na traseira. [...] A bagageira tem 557 litros, com a possibilidade de guardar a chapeleira, debaixo do plano de carga» («DS 7 Crossback – Luxo sobre rodas», José Carlos Silva, Rádio Renascença, 6.02.2019, 15h05).

      O DS 7 Crossback tem chapeleira; o dicionário da Porto Editora destas não tem. Vai sempre a tempo, este globo de lama não acaba hoje — e se acabar não se perde nada de especial.

 

[Texto 10 776]

Helder Guégués às 20:13 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «linha alba»

Sejamos os primeiros

 

      Algum dicionário mais caritativo, que tenha linha, quererá ensinar aos pobres falantes o que significa linha alba? Sim, tem mais do que uma acepção. Linea alba e linea nigra.

 

[Texto 10 775]

Helder Guégués às 20:10 | comentar | favorito
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Léxico: «classismo/classicismo»

O clássico confusionismo indígena

 

      «Confesso que, embora sendo contra o machismo, contra o racismo, contra a homofobia e contra os maus tratos a animais, o meu palato não consegue destrinçar certas subtilezas discriminatórias. Ele consegue, contudo, captar um outro tipo de discriminação, à qual sou bastante sensível, certamente por ter nascido no interior de Portugal e continuar a cultivar lastimáveis hábitos de matarruano: o classismo, ou classicismo (os dicionários admitem as duas formulações), que pode ser definido como a discriminação baseada na classe social» («As algemas de Armando Vara», João Miguel Tavares, Público, 12.02.2019, p. 48).

      Caro João Miguel Tavares, matarruano ou não, estou certo de que vai compreender este raciocínio: para nos referirmos à qualidade do que é clássico, podemos, de facto, usar indiferentemente classicismo ou classismo. Já para nos referirmos às diferenças entre classes sociais, só podemos usar classismo. É preciso saber ler (e também escolher o dicionário certo, sem complicações nem «formulações» demasiado subtis). Agora vamos ver se o Presidente da República não torce a orelha.

 

[Texto 10 774]

Helder Guégués às 11:09 | comentar | favorito
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Léxico: «destralhar»

Ordem! Ordem!

 

      Uma palavra que se vai ouvindo e lendo com muita frequência — e que nenhum dicionário regista — é destralhar. Se Marie Kondo, com o seu método de destralhamento (decluttering, para a legião de anglófonos que nos segue) e o seu ar angelical, aparecesse de repente aqui na minha sala, dava-lhe uma coisinha má. Eu bem quero tudo em ordem, mas quando há duas vontades, é difícil.

 

[Texto 10 773]

Helder Guégués às 10:49 | comentar | favorito
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Léxico: «canicense»

Un xentilicio portugués

 

      «Intriga alguns canicenses que a Estrada Avelino Pinto, de acesso ao Caniço de Baixo e à zona dos Reis Magos, bem como estas imediações, depois de concluída com uma nova asfaltagem, ainda não tenha as linhas divisórias e as zonas de demarcação dos estacionamentos. Faltou a tinta branca?» («Parquímetros à vista nos Reis Magos?», Mário Perestrelo, Jornal de Notícias da Madeira, 25.09.2017, 2h00).

      Intriga todos os canicenses que nenhum dicionário registe o vocábulo canicense. Se não fosse o til, pedíamos aos dicionários galegos para nos incluírem no verbete cañicense, o habitante ou natural da localidade A Cañiza. Adeus, marcho que teño que marchar.

 

[Texto 10 772]

Helder Guégués às 09:35 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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12
Fev 19

Léxico: «ionizador»

O mundo anda mais depressa

 

      «A gama de equipamentos de conforto do veículo foi também alargada para incluir, entre outras coisas, um assistente de condução em situações de engarrafamento, ionizador e para-brisas aquecido» («Nova geração Porsche Macan: SUV compacto desportivo por definição», Pedro Junceiro, Motor 24, 11.02.2019).

      O novo Porsche Macan tem ionizador; o dicionário da Porto Editora, não. (E eu também não tenho, e devia ter. A Xiaomi tem um muito bom, com filtro HEPA, como os Teslas.) Tanto quanto sei, nenhum dicionário regista o termo.

 

[Texto 10 771]

Helder Guégués às 08:48 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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