17
Fev 19

Léxico: «báculo/férula»

Não serve para castigar

 

      O báculo, lê-se no dicionário da Porto Editora, é o «bordão alto, geralmente com a extremidade superior em arco, usado em cerimónias litúrgicas pelos bispos e por alguns abades conventuais, como sinal da sua jurisdição». Ah, sim, e então o báculo que o papa usa? E não o usa por ter também o título de bispo de Roma, não, até porque o báculo papal exibe um crucifixo para indicar a sua autoridade sobre a Igreja universal. Também tem o nome de férula papal — acepção que aquele dicionário, e os dicionários em geral, também desconhece.

 

[Texto 10 811]

Helder Guégués às 19:41 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «criptomnésia»

Plágio e memória

 

      «O criptomnésia (ou memória oculta) foi descrita pela primeira vez por Théodore Flournoy, um professor de psicologia suíço. Este termo é utilizado para descrever o plágio inadvertido, ou não intencional. Nesta situação, uma pessoa cria uma obra, pensando ser original, quando na verdade, já tinha sido exposta à ideia, que ficou armazenada na sua memória, em alguns casos durante anos, mas sem ter essa consciência. A ideia não é reconhecida como uma recordação de experiência passada, mas como uma criação inédita» («Será plágio, coincidência ou criptomnésia?», Carina Freitas, médica, Jornal da Madeira, 17.02.2019, p. 14).

     Não são todos os dicionários gerais que o acolhem, o que não está bem, já que o encontramos num simples jornal. Outras prioridades.

 

[Texto 10 810]

Helder Guégués às 19:35 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «repente»

Um brasileirismo

 

      No programa Vozes da Lusofonia, de Edgar Canelas, na Antena 1, a convidada de ontem foi a cantora e multi-instrumentista brasileira Bia Ferreira, que usou a palavra repente num sentido que nós não temos: improviso recitado ou cantado.

 

[Texto 10 809]

Helder Guégués às 19:33 | comentar | ver comentários (2) | favorito
17
Fev 19

Léxico: «micrólito»

E a arqueologia, senhores?

 

      «O termo “megálito”, a propósito, vem do grego “pedra grande” (oposto a “micrólito”, outro termo importante em arqueologia, usado para descrever utensílios de pedra muito pequenos)» (Arqueologia — Uma Breve Introdução, Paul Bahn. Tradução de Alexandra Abranches. Lisboa: Gradiva, 1997, p. 65).

      Atenção, são termos da arqueologia. O dicionário da Porto Editora acolhe, quanto a micrólito, apenas a acepção da petrologia: «cada um dos cristais diminutos, alongados ou tubulares, que constituem a pasta de certas rochas magmáticas». Ora, em arqueologia, micrólito é, como Paul Bahn também afirma, a designação genérica do instrumento lítico, de pequenas dimensões, obtido de pequenas lâminas de sílex ou de quartzo. (Quanto a colherim — sim, ainda não me esqueci —, que alteraram, mas não no sentido em que eu sugeri, que era tão-somente acrescentar que também é uma ferramenta usada pelos arqueólogos, o leitor fica, mais uma infausta vez, a perder.)

 

[Texto 10 808]

Helder Guégués às 19:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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