16
Mar 19

Léxico: «pagaiada»

Tira-lhe o ene

 

      «“Virava muito, era descoordenado”, conta Hélio Lucas, treinador que desde a primeira pagaiada o acompanha» («“Pimenta não andava nos primeiros lugares”», «Domingo»/Correio da Manhã, 16.09.2018, p. 20).

      Pois, «pangaiada» já tu tens, Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: agora tira-lhe o n.

 

[Texto 10 971]

Helder Guégués às 17:49 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Léxico: «galgo-italiano»

Piccolo levriero

 

      Beat, cunhado do primo Jorge, veio a Portugal expressamente para mandar esterilizar a sua galguinha-italiana, cinza, o que cá custa aproximadamente um décimo do que lhe pedem na Suíça. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, só encontramos o galgo-russo, o borzói, e nada mais. Está mal.

 

[Texto 10 970]

Helder Guégués às 17:01 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Aportuguesamento: «cáxer»

Coragem e discernimento

 

      Estive alojado no Belmonte Sinai Hotel, um **** muitos furos abaixo de outros, mas enfim, agora não me vou armar em crítico de hotéis. O que achei curioso foi a palavra-passe da rede sem fios incluir o vocábulo «cacher». Vêem, não escolheram «kosher», mas «cacher», e não terá sido por acaso. Não é ainda a forma que a palavra devia ter na nossa língua, mas estão muito mais próximo disso. Afinal, em hebraico é «cacher» (כשר); kosher é iídiche. Se os nossos lexicógrafos quiserem defender a nossa língua, difundam o mais adequado, na pronúncia, ao original e, na forma, ao português: cáxer. (Claro que, para respeitar a nossa língua, o nome do hotel não podia ser aquele, mas qualquer coisa como Hotel Belmonte-Sinai, mas isso já era pedir demasiado.)

 

[Texto 10 969]

Helder Guégués às 16:36 | comentar | favorito
16
Mar 19

Léxico: «macrófago»

Isso é muito pouco

 

      «Agora, uma equipa de investigadores analisou 20 pénis, alguns de indivíduos infectados, e fez uma descoberta que pode obrigar os investigadores a repensar as suas estratégias de ataque. Na uretra, o principal reservatório de VIH estará numas células do sistema imunitário chamadas macrófagos e não nas células-alvo mais conhecidas deste vírus que são os linfócitos T, escrevem os cientistas num artigo publicado na Nature Microbiology. [...] Não se trata, desta vez, dos populares e muito estudados linfócitos T, mas antes dos macrófagos, grandes glóbulos brancos que respondem a infecções» («Desmascarado novo esconderijo do VIH nos homens», Andrea Cunha Freitas, Público, 14.03.2019, p. 30).

      No dicionário da Porto Editora, lê-se que macrófago é o «leucócito mononuclear de maiores dimensões que o linfócito». No fundo, limita-se a remeter para duas pistas: o falante irá sempre consultar os verbetes «leucócito» e «linfócito», e há-de perguntar a si próprio se será mesmo só a dimensão que os diferencia. Não é, e aí estão até trabalhos académicos que se centram somente no macrófago (como este aqui) a provarem-no.

 

[Texto 10 968]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito