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Linguagista

Um «vexa» vexatório

Tudo mau

 

      «A deputada socialista, Isabel Moreira, denunciou esta sexta-feira, através do Facebook, uma mensagem violenta e homofóbica de um membro da “comissão política da concelhia do CDS-PP de Barcelos”, Armindo Leite. Na imagem divulgada por Isabel Moreira pode ler-se: “És uma vergonha, fufa de m****, mata-te......”. “Tenciono continuar por aqui, Armindo sexista, homofóbico, criminoso e cobarde. Há mais como vexa. E há mais, mas muito mais como eu. Toda uma multidão do lado da liberdade e da igualdade. ADENDA: fui informada de que o ameaçador pertence à comissão política da concelhia do CDS-PP de Barcelos. Aguardo reações da direção do CDS. Pois é, acho isto intolerável”, esclareceu Isabel Moreira» («Deputada socialista denuncia mensagem violenta e homofóbica de membro do CDS-PP», Correio da Manhã, 30.03.2019, 8h25).

      O CDS tem lá boas peças, tem. Nada desculpa, porém, aquele «vexa», que não passa, em português, de uma forma do verbo «vexar». Para significar o que se pretende ali na frase citada acho-o simplesmente parolo. E aqueles seis pontos? Duplas reticências... E as vírgulas a isolarem o nome da deputada? Andam a estudar muito, vê-se logo.

 

[Texto 11 080]

Tu cá, tu lá

A familiaridade abusiva

 

      Entramos na página da Internet da Ramirez e, solícitos, dizem-nos logo num português dúbio: «Olá! Estamos aqui para ajudar a responder às tuas perguntas.» E tratam-nos logo por tu. Seguem as tendências actuais, agora parece tudo mal traduzido do inglês. Já hoje vi isso num texto que aqui citei da RR, sobre Jimmy Carter. Eis o trecho: «Mas Carter também é muito rápido a sublinhar que nada tem contra quem o faça e não critica antecessores ou sucessores por o terem feito. É perfeitamente legal. Não há nada de errado nisso. Se alguém te quer pagar milhões de dólares para que faças um discurso não há nada de errado» («“Jimmy Carter prova que a decência conta”», José Bastos, Rádio Renascença, 30.03.2019, 8h43). José Bastos, isso em português não é assim. É uma chatice ter de explicar tudo, mas cá vai: «Se alguém nos quer pagar milhões de dólares para que façamos um discurso, não há nada de errado.» Portanto, ó Ramirez, desampara-me a loja, vai dar banho ao cão.

 

[Texto 11 079]