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Linguagista

Léxico: «complicómetro»

Desliguem-no

 

      «Deixe-se disso, homem!... Esta vida tem aspectos curiosos. Há coisas que deviam ser simples desde o princípio do mundo, como as ligações entre homem e mulher. De repente, não se percebe porquê, entra o complicómetro no circuito e aí está tudo ao invés, com reacções que fogem ao nosso entendimento...» (As Árvores Reverentes do Congo, Amadeu Ferreira. Braga: Editora Pax, 1967, p. 215).

      Usa-se todos os dias, e sabe Deus desde quando, mas lá ir para os dicionários é que já é outra conversa.

 

[Texto 10 902]

Léxico: «baquet»

Sièges baquet

 

      «Esta separação no campo do design não é tão evidente no habitáculo, onde é clara a aposta num caráter desportivo e moderno, marcado pelo desenho dos bancos tipo baquet e pelo grande ecrã central tátil de 10 polegadas, próximo da linguagem de design da SEAT» («O primeiro Cupra de raiz: o novo SUV Formentor», Rui Faria, Destak, 27.02.2019, p. 13, itálicos meus).

      Estão na moda, os carros mais ou menos desportivos são equipados com este tipo de assentos e, por isso, a palavra encontra-se cada vez mais. Nada que rale os nossos dicionaristas: nos dicionários bilingues, nem rasto. Valha, por todos (que são poucos), o Dicionário de Francês-Português da Porto Editora: «selha de madeira; baquet à vendanges selha de vindimas». E nada mais. No Trèsor, sem favor: «Siège bas et enveloppant, ressemblant à un fauteuil, employé dans les voitures de course ou de sport.» É que, como é habitual, vê-se muitas vezes mal grafado, com mais um c, «bacquet». Enfim, o desmazelo de sempre. Quanto aos dicionários, até parece que também neles há capelinhas.

 

[Texto 10 901]