31
Mai 19

Léxico: «futurista | futurólogo»

Baseados nas tendências actuais

 

      Vamos lá ver: Nicholas Negroponte, o tecnólogo co-fundador do MIT Media Lab, é futurista ou futurólogo? Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, futurista é somente o que segue, nas artes plásticas ou na literatura, o futurismo, o movimento nascido em Itália no dealbar do século XX. Já futurólogo é o que procura prever o estado do mundo ou da humanidade. Em inglês, contudo, futurist e futurologist são sinónimos. Em suma, senhores tradutores, talvez seja boa ideia manter tudo como está.

 

[Texto 11 455]

Helder Guégués às 13:13 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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31
Mai 19

Léxico: «micropagamento | paywall»

O financiamento do jornalismo

 

      O leitor elogiou a recém-inaugurada paywall (a palavra é dele) do sítio da revista, única forma de atribuir valor ao nosso trabalho. Há duas modalidades: micropagamento, muitas vezes a melhor opção, e assinatura. Ora, no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, não encontramos nem micropagamento nem paywall. Não tenho pena que não registe esta última, bem entendido, porque, afinal, se trata de um termo estrangeiro — mas não deixo de estranhar que nem sequer esteja no dicionário bilingue.

 

[Texto 11 454]

Helder Guégués às 11:23 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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30
Mai 19

Léxico: «vestível | ingerível»

É isso que querem?

 

      A Proteus Digital Health está a desenvolver uma série de ingeríveis, monitores em forma de comprimido, que o paciente engole, sem bateria, pois são alimentados pelo ácido do estômago, usados para monitorização interna. No campo da saúde, não faltam vestíveis (a começar pelo mais famoso, o relógio da Apple). Contudo, esta particular acepção de vestível está ainda arredada do dicionário da Porto Editora, e de ingerível nem vestígio. Talvez queiram que usemos wearable e ingestible. Grrrrrr!

 

[Texto 11 453]

Helder Guégués às 22:22 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «telepresença»

Mais esta, da mesma área

 

      Em compensação, dou-te mais esta, para rematar um longo dia: «No lar do Centro Social e Paroquial de Santo António, em Vila Real, circulam já, junto dos idosos, dois robôs de telepresença. O objetivo dos robôs de telepresença é facilitar a comunicação entre os idosos e os seus familiares» («“Olha o robô.” O amigo tecnológico que chegou para ajudar os idosos», Paula Dias e Rita Carvalho Pereira, TSF, 28.01.2019, 12h00).

 

[Texto 11 452]

Helder Guégués às 21:35 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «telerradiologia»

Poupa-nos a isto

 

      Porto Editora, faz favor, diz aqui a este tradutor que se escreve telerradiologia, e não como ele escreveu. (Com três meses de trabalho, não teve tempo para pensar.) A verdade é que, volente o nolente, isto não deixa de nos contaminar. É uma profissão de risco.

 

[Texto 11 451]

Helder Guégués às 21:10 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Tradução: «evidence-based medicine»

O silêncio

 

      O tradutor do livro que tenho à minha frente prefere verter evidence-based medicine por «medicina baseada em provas» e não, como é comum pelo menos entre os médicos, «medicina baseada na evidência». Como escreveu a Professora Isabel Fernandes, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, numa edição de 2014 da Revista da Ordem dos Médicos, a tradução corrente «atraiçoa o sentido do termo inglês “evidence”, o qual reclama, ao contrário do português, para ser incontestado, ser antes provado». Vá, embrulhem. Entretanto, a Porto Editora mantém-se arredada de qualquer posição ou compromisso, pois nem no dicionário bilingue nem no de língua portuguesa acolhe a locução.

 

[Texto 11 450]

Helder Guégués às 20:54 | comentar | favorito

Léxico: «paus | escudos | euros»

O órfão dos paus

 

      À minha frente, na caixa do supermercado, estão dois adolescentes (um mais alto do que eu) com o uniforme do Planalto. As calças do alto — a fazerem lembrar o cotim cinzento das fardas da GNR de antigamente — carecem de um bom palmo de tecido, o que me deixa constrangido. Foram comprar umas porcarias para o lanche. O baixo, com aspecto de órfão dos subúrbios, queixa-se da comida saudável em casa. Brócolos e salmão, por exemplo, quando, ao chegar a casa, só lhe apetece um «hambúrguer bem nojento». O dos tornozelos desnudos pede pormenores sobre o salmão. «Biológico, do Atlântico», esclarece o órfão. Enfatiza: «Salmão biológico, do Atlântico, desse que custa 30 paus o quilo.» Aqui, desliguei, já não me interessava ouvir mais. De qualquer maneira, o mais alto já estava a enfiar o cartão bancário na carteira. Era a minha vez, e pensei: «Realmente, já tenho ouvido usar-se a palavra “paus” para referir também o euro — e não apenas, como se lê nos dicionários, o escudo.» Entretanto, já tinha devolvido dois nãos aos autómatos tatuados que nos atendem e enfiava o cartão bancário na carteira. Era a minha vez de enfrentar a onda de calor lá fora.

 

[Texto 11 449]

Helder Guégués às 19:44 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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30
Mai 19

Léxico: «sensorização»

Não está mal

 

   «Segundo referiu [Marina Brito, investigadora do Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL), em Braga], um dos motivos da conferência [Battery Summit 2030] é conseguir que “seja um passo” para Portugal aderir ao ‘Fet Baterry 2030 Manifesto’, sendo que a comunidade científica “está focada” em quatro áreas de investigação: aceleração da descoberta de novos materiais e interfaces, sensorização inteligente e capacidade de autorregeneração, capacidade de fabrico e capacidade de reciclagem» («Lítio pode ser o petróleo de Portugal? Investigadora diz que sim», TSF, 30.05.2019, 11h32).

      O panorama, desta vez, não é assim tão mau, Porto Editora, só falta dicionarizares sensorização.

 

[Texto 11 448]

Helder Guégués às 15:12 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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