29
Mai 19

Tradução: «livery company»

Escolham

 

      Para o Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora, a livery company é a «corporação londrina com libré própria». E já tenho visto dar-se-lhe o nome de companhia de libré. Serão quê — corporações, guildas? Bem, certo é que, definindo o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora libré como a «espécie de uniforme de lacaios e cocheiros de casa nobre», uma das duas está errada: ou a libré faltam acepções, ou a definição de livery company está errada. Escolham.

 

[Texto 11 444]

Helder Guégués às 23:38 | comentar | favorito

Léxico: «consultadoria | consultoria»

Não é a melhor opção

 

      «No entanto, os seus poderes estavam limitados à consultoria nos planos de investimento e de tarifas de então» (A Financeirização do Capitalismo em Portugal, João Rodrigues, Ana Cordeiro Santos e Nuno Teles. Coimbra: Actual Editora, 2016, p. 126). Evidentemente, devemos preferir as formas mais breves às mais longas, e, assim, preferirmos consultoria a consultadoria. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que regista ambos, só erra num aspecto: só em consultoria remete para consultadoria, mas neste verbete, onde se encontra a definição, não remete nem menciona «consultoria».

 

[Texto 11 443]

Helder Guégués às 20:43 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Os dicionários bilingues

Perdemos todos

 

      Se também os dicionários bilingues da Porto Editora estivessem abertos a contributos, a melhoramentos e correcções imprescindíveis, como todos ganharíamos... Mas não querem. Um exemplo menor: acabei de encontrar a frase «speaking parochially». Decerto, não conhecem o contexto, mas confiem em mim — nenhuma das propostas do Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora se adequa: «1. duma maneira provinciana; 2. com estreiteza de espírito; 3. Tacanhamente; 4. por paróquias».

 

[Texto 11 442]

Helder Guégués às 19:47 | comentar | favorito

Léxico: «tancagem»

Ouviste mal

 

      «Entretanto, precisou, também têm que [sic] decorrer negociações com a ANA – Aeroportos de Portugal, “não só porque este oleoduto tem que [sic] entrar dentro do aeroporto, como vai ser necessário reforçar a capacidade de tancagem que hoje existe no próprio aeroporto”» («​Aeroporto de Lisboa terá abastecimento por oleoduto em 2021», Rádio Renascença, 29.05.2019, 13h18).

      Não, Porto Editora, eu não disse «tanchagem», isso é outra coisa. Tancagem, o armazenamento de líquidos em tanques.

 

[Texto 11 441]

Helder Guégués às 18:52 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «hebefilia»

Ajudem o leitor doente

 

      «A obsessão por Lolita é um sintoma de hebefilia, atração por pré-adolescentes. Na adaptação ao cinema, a idade da protagonista passou de 12 para 16 anos» («Hebefilia é crime», João Pedro Ferreira, «Domingo»/Correio da Manhã, 12-18.05.2019, p. 42). Até na ficção o Correio da Manhã combate o crime. Eh, valentes!

      Agora imaginem uma dessas pessoas obcecadas com o cumprimento da lei, que julgam estar sempre a incorrer em crimes. (Há medicamentos para isto, eu sei.) Consultava o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora e esbarrava na pergunta: «Queria pesquisar hemofilia?» Acolhe, é verdade, efebofilia, mas não esperam decerto que uma pessoa perturbada e acuada pelo medo chegue lá. Também regista, diga-se, lolita, que remete para ninfeta, a rapariga jovem que está nos «primeiros anos da adolescência». Será mesmo? Não é antes na pré-adolescência, como era o caso da doce Dolores Haze? Não custa muito (nem mais) ser rigoroso.

 

[Texto 11 440]

Helder Guégués às 14:27 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «animalista»

Era o que esperava

 

      «No espaço de opinião que ocupa na TSF, Daniel Oliveira sublinhou que “o PAN é um partido animalista, nunca foi um partido ecologista” e explicou que o mesmo foi criado em 2009, por “vegans e budistas new age”, com o nome “Partido dos Animais” e não “Pessoas Animais e Natureza”, como é hoje» («A quarta oportunidade perdida para um partido ecologista português», Sara Beatriz Monteiro, TSF, 28.05.2019, 11h29).

      Esperava ver nos nossos dicionários algo equivalente ao que encontro nos dicionários em língua inglesa: «An animal liberationist.» Mas não, nos nossos fia mais fino, mete filosofia e tudo. Portanto, quando Marinho e Pinto, de quem agora a Europa se livrou, deu os parabéns aos animais, queria dizer aos animalistas. Foi um lapsus linguæ.

 

[Texto 11 439]

Helder Guégués às 14:12 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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29
Mai 19

Léxico: «recentramento | recentragem»

Uma necessária reorientação

 

​      «A recentragem do PS» (Francisco Sarsfield Cabral, Rádio Renascença, 29.05.2019). «Nuno Melo está mesmo convencido de que este recentramento doutrinário é o único caminho que permitirá ao CDS crescer. [...] Mesmo que o recentramento ganhe adeptos, esta não será altura para se falar na sucessão da líder» («CDS sai arrasado e Cristas diz ter “compreendido bem o sinal”», Luciano Alvarez, Público, 27.05.2019, p. 7).

      Ora, no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, nem recentragem nem recentramento. Vêem como faltam sempre muitos? Só o primeiro assoma num bilingue, por sinal um bom verbete. O próprio dicionário andava a precisar de um recentramento, de uma reorientação, o que parece estar a acontecer agora.

 

[Texto 11 438]

Helder Guégués às 07:04 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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