15
Jun 19

Léxico: «anti-soro»

Para terminar

 

      Não há antídoto para o veneno desta víbora, sendo utilizados “anti soros [sic] polivalentes, que valem para várias espécies”. Os efeitos da mordidela podem durar de um a três dias. Aliás, a Organização Mundial de Saúde aconselha vigilância durante 72 horas após a mordidela, segundo conta Martínez-Freiría» («Víbora-cornuda é “tímida” e perigosa. O veneno não é letal, mas é “poderoso”», Susete Henriques, Diário de Notícias, 14.06.2019, 20h23).

      Susete Henriques, com o Acordo Ortográfico de 1990, é «antissoro»; para nós, é anti-soro, que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, salvo melhor opinião, define de forma incompleta: «MEDICINA soro que contém anticorpos e que é usado para dar imunidade a certas infecções ou doenças». Não me parece que o soro antiofídico encaixe na definição.

 

[Texto 11 544]

Helder Guégués às 21:43 | comentar | favorito

Léxico: «cobra-de-ferradura»

Mais comum é esta, e contudo...

 

      «Tratava-se de uma cobra-de-ferradura, uma espécie autóctone, inofensiva para o homem, mas cuja posse é punível a título de contraordenação (variável nos limites mínimo e máximo entre os 249,40 e os 997,60 euros), ao abrigo da Convenção de Berna» («Passeou em Lisboa com uma cobra no braço», R. P., Jornal de Notícias, 26.02.2016, 15h38).

     Também esta cobra-de-ferradura (Hemorrhois hippocrepis), comum de norte a sul do País, está fora do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

 

[Texto 11 543]

Helder Guégués às 21:31 | comentar | favorito
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Léxico: «hematóxico | miotóxico»

Há muito que fazer

 

      «Apesar de ser difícil avistá-la, esta víbora é perigosa. O seu veneno “é hematóxico, leva à coagulação do sangue, provoca danos nos tecidos, hematomas e inchaço” na zona do corpo onde a cobra mordeu. “Se a mordidela for num dedo, o inchaço pode estender-se ao braço todo. É um veneno poderoso, mas não é letal”» («Víbora-cornuda é “tímida” e perigosa. O veneno não é letal, mas é “poderoso”», Susete Henriques, Diário de Notícias, 14.06.2019, 20h23).

      São pelo menos três os aspectos relevantes que faltam na definição de víbora-cornuda no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: veneno hematóxico, pupilas verticais e cabeça triangular. O veneno ofídico classifica-se em hematóxico, neurotóxico, miotóxico e misto. Ora, aquele dicionário, e o mesmo sucede com outros, só regista «neurotóxico».

 

[Texto 11 542]

 

Helder Guégués às 21:11 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «víbora-de-seoane»

Faltas e imprecisões

 

      «A víbora cornuda, ou vipera latastei [sic], “é uma espécie endémica da Península Ibérica”, começa por explicar ao DN Fernando Martínez-Freiría, investigador do CIBIO, Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, da Universidade do Porto. Em Portugal, há duas espécies de víboras, a cornuda, que “está em quase todo o território” nacional, e a Seoane, “localizada no norte do país”, cujo veneno é também tóxico e não letal» («Víbora-cornuda é “tímida” e perigosa. O veneno não é letal, mas é “poderoso”», Susete Henriques, Diário de Notícias, 14.06.2019, 20h23).

      Esta víbora-de-seoane (Vipera seoanei) não está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, e diga-se que a definição de víbora-cornuda podia ser mais precisa, mais completa, sobretudo no que diz respeito ao seu veneno, como veremos já de seguida.

 

[Texto 11 541]

Helder Guégués às 21:02 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Plural dos apelidos, mais uma vez

Vá lá

 

      «Mas já alguma vez aqueles que hoje falam das elites incluíram a Associação Industrial, ou a Confederação da Indústria, os Amorins e os Pereiras Coutinhos, ou os Soares dos Santos, ou os Melos, etc.? Mas certamente que incluiriam a Fenprof e a CGTP» («A nostalgia das causas», José Pacheco Pereira, Público, 15.06.2019, p. 12).

 

[Texto 11 540]

Helder Guégués às 19:41 | comentar | favorito
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15
Jun 19

Léxico: «desmontar»

Está mal

 

      «João Bernardes lembra que a nova agricultura da plantação de abacateiros, no Algarve, e de olival, no Alentejo, obriga a “desmontar grandes porções de terreno, e muitos sítios arqueológicos estão ser destruídos por esta via”. Pelo facto de se tratar de terrenos agrícolas, sublinhou, “não existe qualquer impedimento legal para esse tipo de intervenção”» («Obra quase arrasou o mais antigo forno romano do Algarve», Idálio Revez, Público, 15.06.2019, p. 28).

      Não vejo esta acepção do verbo desmontar em todos os dicionários. Não está, por exemplo, no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Contudo, não é nada de infrequente ou rebuscado. Como pode faltar num dicionário geral da língua?

 

[Texto 11 539]

Helder Guégués às 19:27 | comentar | favorito
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