25
Jun 19

Léxico: «castanha-de-caju»

Se conhecerem

 

      «Depois, algures há entre 2400 e 300 anos, os macacos-prego usaram ferramentas de pedra maiores e mais pesadas para processar a comida. Provavelmente, precisariam delas assim para frutos com casca mais rígida. Por fim, numa fase que se iniciou há 100 anos e se estende até aos dias de hoje, estes macacos voltaram a ter ferramentas mais pequenas, o que deverá estar associado ao processamento de castanhas-de-caju» («Macacos-prego já usam ferramentas de pedra há três mil anos», Teresa Sofia Serafim, Público, 25.06.2019, p. 31).

      Se por acaso conhecerem algum dicionário que não registe o vocábulo castanha-de-caju, avisem. Eu conheço.

 

[Texto 11 616]

Helder Guégués às 20:10 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «macaco-prego»

Mais um prego

 

      «Não é em vão que os macacos-prego abrem frutos e sementes com tanta desenvoltura: afinal, têm a capacidade de usar objectos como ferramentas. [...] O protagonista deste trabalho foi o Sapajus libidinosus, uma das espécies de macacos-prego, devido ao formato do seu pénis. Endémico do Brasil, o Sapajus libidinosus vive sobretudo nas áreas de Cerrado e Caatinga» («Macacos-prego já usam ferramentas de pedra há três mil anos», Teresa Sofia Serafim, Público, 25.06.2019, p. 31).

       O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora ainda não é habitat do macaco-prego, também conhecido por mico-de-topete, e, contudo, é um dos primatas mais comuns da América do Sul.

 

[Texto 11 615]

Helder Guégués às 20:08 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «guitolão»

Já existe

 

    Há instantes, na Antena 1, estavam a falar do guitolão, um instrumento musical ideado pelo guitarrista Carlos Paredes e que mais tarde foi construído pelo mestre guitarreiro Gilberto Grácio. Trata-se de um cordofone, baseado na guitarra portuguesa, mas com um registo mais grave.

 

[Texto 11 614]

Helder Guégués às 09:57 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Guia supremo

Pode ser esta

 

      «O presidente dos EUA assinou uma ordem executiva a impor mais sanções ao Irão em resposta ao drone dos EUA abatido há quatro dias. Donald Trump referiu que a medida pode prolongar-se “durante anos” e vai afetar o guia supremo da República Islâmica, Ali Khamenei» («Novas sanções dos EUA visam o guia supremo», Destak, 25.06.2019, p. 6, itálico meu).

      Ora cá está uma forma de evitar, pelo menos neste caso, a tal palavrinha copiada do inglês que invadiu todos os nossos textos, de jornais a teses de doutoramento.

 

[Texto 11 613]

Helder Guégués às 08:05 | comentar | favorito
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Léxico: «partidarite»

Vamos tratar disto?

 

      «“Leis como estas só não serão aprovadas se os partidos colocarem a partidarite e os seus interesses próprios e eleitorais à frente da organização de um sistema de saúde que privilegie as pessoas e na liderança dos quais esteja a responsabilidade do Estado”, afirmou Carlos César» («Carlos César quer Lei de Bases da Saúde aprovada “sem partidarite”», José Ricardo Ferreira, TSF, 24.06.2019, 23h01).

      Parece que a Porto Editora não quer ajudar o tal coreano que está a aprender português e não encontra este termo no seu dicionário preferido.

 

[Texto 11 612]

Helder Guégués às 07:48 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «plasticrosta»

Nada de bom nos espera

 

      «Investigadores do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) descobriram na ilha da Madeira rochas com crostas de plástico que acreditam poder ser uma nova forma de poluição. Chamada pelos cientistas liderados por Ignacio Gestoso de “plasticrosta”, é composta por polietileno, mas falta ainda saber qual a sua proveniência» («Há “crostas de plástico” a formar-se nas rochas da Madeira», Rádio Renascença, 25.06.2019, 6h28).

      Plasticrosta. Como a situação vai, garantidamente, agravar-se e não melhorar, registemos o termo.

 

[Texto 11 611]

Helder Guégués às 07:36 | comentar | favorito
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25
Jun 19

Léxico: «gramalheira»

Vamos ourar a noiva

 

      «Desse espólio constam cordões que dão três a quatro voltas ao pescoço, colares de contas, borboletas (medalha que se assemelha a um coração invertido), custódias e corações de Viana em filigrana, as luxuosas e ornamentadas gramalheiras e até relógio de bolso com correntes largas em ouro, adorno que os senhores usavam com vaidade» («Havemos de ir a Viana», Filipa Teixeira, Sábado, 11-16.04.2019, p. 126).

      Diz-se gramalheira, gremalheira ou cramalheira e é a peça mais vistosa e valiosa da nossa ourivesaria tradicional, mas não a encontro descrita nos nossos dicionários. Só em «gramalheira» alguns registam a acepção «grilhão; corrente», mas, evidentemente, não chega, até porque se aplica a outros objectos.

 

[Texto 11 610]

Helder Guégués às 07:21 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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