17
Jul 19

Léxico: «acelga | couve-galega»

Não é para esses

 

      Um tradutor quis fazer passar as acelgas do original castelhano por couves-galegas. Sem revisão, o leitor engolia-as facilmente. Foi a menor das suas milhentas inépcias. A celga, ou acelga, portuguesa ou espanhola, é a Beta vulgaris var. cicla, da mesma família dos espinafres e das beterrabas. A couve-galega, que consumimos sobretudo no caldo-verde, é a Brassica oleracea var. acephala. Logo por azar, nas definições destes vocábulos no dicionário da Porto Editora não aparecem os nomes científicos. Todas as ajudas são poucas para os incompetentes (mas um pouco em vão, diga-se), mas os competentes também precisam delas.

 

[Texto 11 797]

Helder Guégués às 15:03 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «interceptor»

Não chega para perceber

 

      «Ainda de acordo com o ministro do Ambiente, que falava aos jornalistas à margem da inauguração da obra do intercetor de Rio Tinto, concelho de Gondomar, a sociedade VianaPolis “custa cerca de 30 mil euros por mês”» («Estado avança com ação contra moradores do prédio Coutinho após as férias judiciais», Diário de Notícias, 17.07.2019, 12h43).

      Aí pelo País deve haver muitos interceptores, mas nos nossos dicionários não há nenhum. Aquele ou aquilo que intercepta, e pronto.

 

[Texto 11 796]

Helder Guégués às 14:13 | comentar | favorito
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Léxico: «transmitância»

Também é mau

 

      Ainda a janela. Agora andamos a discutir a espessura da câmara e os valores da transmitância térmica (valor U). Choque, horror: o dicionário da Porto Editora não regista (mas a Infopédia usa-o) o vocábulo transmitância. Os nossos dicionários também não definem vidro temperado e vidro laminado, por exemplo.

 

[Texto 11 795]

Helder Guégués às 10:57 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «milho-branco»

Isso é mau

 

      Cada vez se vê mais, nos supermercados, e até em pequenas lojas, uma secção com produtos brasileiros, e entre eles embalagens de milho-branco, uma variedade muito difundida no Brasil. Ora, acontece que os nossos lexicógrafos não vão às compras.

 

[Texto 11 794]

Helder Guégués às 09:12 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «musaranho-pigmeu»

Outro nome

 

      Pelo que vejo, o mamífero (micromamífero) mais pequeno do mundo está ausente dos nossos dicionários. Trata-se do simpático musaranho-pigmeu (Suncus etruscus), que tem um comprimento aproximado de 50 mm e come a cada dia o equivalente ao seu próprio peso, cerca de 3 gramas de alimento... Com quaisquer dois ou três mosquitos, fica logo a abarrotar. Mais rigorosamente: com o nome musaranho-pigmeu, o mais divulgado, está ausente, mas encontramo-lo como musaranho-anão-de-dentes-brancos no dicionário da Porto Editora: «ZOOLOGIA (Suncus etruscus) pequeno mamífero insectívoro, da família dos Soricídeos, existente em Portugal, pode atingir cerca de cinco centímetros de comprimento (além da cauda, que pode chegar aos três centímetros) e tem pelagem acinzentada ou acastanhada e focinho pontiagudo».

 

[Texto 11 793]

Helder Guégués às 08:14 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «machona | barotse»

É preciso sorte

 

      «Com o desintegrar da cultura machona, resultante das sucessivas invasões de povos bantos (barotses, changanas, matebeles) e com a machadada final assestada pela chegada dos europeus e com a consequente substituição das velhas instituições políticas do Reino do Monomotapa pelos interesses dos novos conquistadores, os amuralhados deixaram de se construir, face à fuga perante o inimigo» (Moçambique, 1489-1975, Alexandre A. Ferreira. Lisboa: Prefácio, 2007, p. 64).

      Nos nossos dicionários, nem uma palavra sobre os Machonas nem sobre os Barotses. Melhor sorte, no dicionário da Porto Editora, tiveram os Changanas e os Matebeles. É preciso sorte em tudo.

 

[Texto 11 792]

Helder Guégués às 07:18 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «bloco»

Mas não é assim

 

      «João Rodrigues, capitão da seleção nacional de hóquei em patins, reconheceu esta terça-feira no programa As Três da Manhã da Renascença que, “se estivesse do lado dos argentinos, estaria muito frustrado porque mereciam ganhar” a final do Mundial. Mas Portugal teve dois trunfos. […] “Nós sabíamos que tínhamos um grande guarda-redes e baixámos o bloco defensivo, também para o poder proteger, para o poder ajudar, para ele se sentir confiante. A verdade é que resultou em cheio”» («João Rodrigues: “Sabíamos que tínhamos um grande guarda-redes e baixámos o bloco. Resultou em cheio”», Miguel Coelho, Rui Viegas e Inês Braga Sampaio, Rádio Renascença, 16.07.2019, 12h05).

      A única acepção de bloco no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora relativo a desporto diz respeito ao voleibol.

 

[Texto 11 791]

Helder Guégués às 07:16 | comentar | favorito
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Léxico: «quena»

Não música, mas silêncio

 

      Um texto que estou a rever fala da quena (do quéchua kkhéna), a flauta de bisel tradicional da região dos Andes, que vejo noutras obras em português e até em dicionários de música, mas que os nossos dicionários ignoram. Alguém me explica o que andaram a fazer durante décadas?

 

[Texto 11 790]

Helder Guégués às 07:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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17
Jul 19

Léxico: «cóssico | noniano»

Outro engolido pelas brumas

 

      Então, vamos lá ver, o jesuíta alemão Cristóvão Clávio (1538-1612), que estudou em Coimbra e foi um dos grandes cultores nonianos, não usava na sua álgebra os chamados caracteres cóssicos? Mas a palavra não está em nenhum dos nossos dicionários...

 

[Texto 11 789]

Helder Guégués às 07:12 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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