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Linguagista

O AO90 no dia-a-dia

Nem daqui a cem anos

 

      «Os médicos vão passar a ter um guia para atender utentes da comunidade LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais ou Transgêneros e Intersexo). A medida é inédita na área da saúde e pretende dar aos profissionais um guia de boas práticas nos cuidados a pessoas LGBTI» («Médicos vão ter guia para atender utentes da comunidade LGBTI», Sara de Melo Rocha com Sara Beatriz Monteiro, TSF, 1.07.2019, 11h48).

      Duas Saras, e ainda assim o texto ficou doente: «transgênero», hein? E ainda o tal ministro afirmava que as regras do Acordo Ortográfico de 1990 se aprendiam em 10 minutos... Gostava de ler um texto escrito por ele. Ainda hoje os professores — sim, também os de Português — não dominam as regras, e isto depois de acções de formação, guias e outras formas criativas de esbanjar dinheiro público. Tal como estes guias para os médicos — não bastam a experiência e a sensibilidade?

 

[Texto 11 657]

Léxico: «cabeça-de-lista», de novo

O mundo ao contrário

 

      O Acordo Ortográfico de 1990 foi apenas o último abanão nas já tão frágeis certezas ortográficas: «O líder do partido Chega, André Ventura, será cabeça-de-lista por Lisboa nas eleições legislativas de outubro, enquanto o primeiro candidato no Porto vai ser o militar da GNR Hugo Ernano, que em 2008 disparou mortalmente sobre um jovem de 13 anos durante uma perseguição» («Militar da GNR é cabeça-de-lista pelo Porto», Destak, 1.07.2019, p. 4). «A direcção do PSD pôs fim à especulação e assumiu o nome dos seis primeiros cabeças de lista do partido às legislativas. Entre eles há apenas uma deputada — Margarida Balseiro Lopes — e dois homens — Hugo Carvalho e André Coelho Lima» («Seis primeiros cabeça de lista do PSD: quem é quem», Sónia Sapage, Público, 29.06.2019, 17h23).

 

[Texto 11 656]

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