05
Ago 19
05
Ago 19

Léxico: «paleontoclimatologista»

Ainda sem lóbi

 

      «O retrato apocalíptico é da Europa, mas estende-se, em maior ou menor grau, ao planeta. E encaixa na conclusão a que chegou um estudo internacional conduzido por paleontoclimatologistas e publicado esta semana nas revistas “Nature” e “Nature Geoscience”: o mundo nunca aqueceu tanto, tão depressa e tão amplamente como agora. E está no período mais quente em 2000 anos» («42,6 ºC em Paris. O mundo bate recordes dos últimos 2000 anos», Ivete Carneiro, Jornal de Notícias, 26.07.2019, p. 31).

      Não, os paleontoclimatologistas ainda não têm o lóbi bem montado, não chegaram aos dicionários. Recentemente, vi uma deste calibre numa tradução, mas inventada pelo autor, com claros propósitos burlescos: «psicossexossociólogo». Ena, ena.

 

[Texto 11 864]

Helder Guégués às 07:13 | comentar | favorito
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04
Ago 19

Léxico: «Anomalia Climática Medieval | Pequena Idade do Gelo»

Para saber mais

 

      «As etapas que os cientistas estudaram são a chamada Anomalia Climática Medieval, o período quente medieval (séculos X a XIII), caracterizado por um período extraordinariamente quente, e a Pequena Idade do Gelo (séculos XIV a XIX), a época das temperaturas baixas. […] Na Pequena Idade do Gelo, entre 1300 e 1850, por exemplo, as temperaturas mais baixas acontecerem durante alguns séculos na Europa e nos Estados Unidos, mas não no resto do mundo» («Temperaturas nunca subiram tão depressa como agora», Rádio Renascença, 25.07.2019, 17h56).

 

[Texto 11 863]

Helder Guégués às 09:35 | comentar | favorito
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04
Ago 19

Léxico: «barra energética | antifumo»

Só fumaça

 

      «São compostos por colete, gola antifumo, apito, lanterna, bússola, garrafa de água, barrita energética e uma mala de primeiros socorros. Proteção Civil pagou 328 mil euros pelos kits» («Kits distribuídos pela Proteção Civil contêm materiais inflamáveis», Rádio Renascença, 26.07.2019, 7h30).

      Mais uma argolada. Cá estamos nós para pagar estas tretas. Avancemos: o dicionário da Porto Editora não regista barra energética (útil ao meu coreano e a todos os vindouros), e antifumo anda tresmalhado em dois dicionários bilingues.

 

[Texto 11 862]

Helder Guégués às 09:34 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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03
Ago 19

Léxico: «vela de balão | spi»

Vela de vante

 

    Está bem que a obra foi traduzida e publicada em 1998, mas já existiam dicionários, e o cérebro humano tinha a capacidade dos actuais. O tradutor viu spinnaker no original, francês, e não esteve para se maçar (e o revisor fez cagada atrás de cagada). Ora, a essa vela de vante utilizada em mareações abertas dá-se o nome de vela de balão, ou spi. Enfim, esta última é apenas um pouco menos rebarbativa. 

 

[Texto 11 861]

Helder Guégués às 12:00 | comentar | favorito
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03
Ago 19

Léxico: «incapitulescência | sinflorescência»

Outro nível

 

      Sim, Porto Editora, registas inflorescência, mas isso é o mais banal, todos fazem. Bah... Se registasses também os termos incapitulescência e sinflorescência, então sim, estarias no topo.

 

[Texto 11 860]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | favorito
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02
Ago 19

Léxico: «stackanovista»

Fazer mais do que se pede

 

      «Trata-se de uma jovem cineasta que procura o rasto de um antigo operário-modelo (stakanovista — de Stakanov, um operário que realizava tarefas superiores às que lhe impunham)...» (Conta-Corrente: 1980-1981, Vergílio Ferreira. Lisboa: Livraria Bertrand, 1980, p. 221). Na Infopédia só o encontramos — com a grafia stackanovista — num dicionário bilingue, grafia que me parece mais correcta, pois no alfabeto cirílico é Стаха́нов. Bem, fazia mais do que lhe pediam — mas ainda viveu 71 anos.

 

[Texto 11 859]

Helder Guégués às 10:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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02
Ago 19

Léxico: «escolopendra | língua-cervina»

Não pode estar bem

 

      No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, a única escolopendra que aparece é um miriápode carnívoro. Ora, em Portugal, a escolopendra mais conhecida é um feto espontâneo (mas também cultivado em jardins e estufas), de nome científico Scolopendrium officinale e nome comum língua-cervina. Acontece que o dicionário da Porto Editora acolhe língua-cervina, mas afirma que se trata da Phyllitis scolopendrium. Tem, forçosamente, de haver aqui algum equívoco. Com falta de verba para uma avença com um consultor científico?

 

[Texto 11 858]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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01
Ago 19

Léxico: «narcotraficante»

Qual marchante

 

      «O Tribunal Central de Instrução Criminal libertou o narcotraficante português Franklim Lobo, em prisão preventiva após mandado de detenção europeu, por não estar fugido à Justiça e não ter sido notificado da acusação por engano do Ministério Público» («Erro do Ministério Público força tribunal a libertar traficante Franklim Lobo», Rádio Renascença, 24.07.2019, 16h02).

      Acho graça à definição de narcotraficante no dicionário da Porto Editora: «que ou pessoa que negoceia em narcóticos ou estupefacientes». Como se se tratasse de alguém que negociasse em gado, marchante. Enfim.

 

[Texto 11 857]

Helder Guégués às 10:00 | comentar | favorito
01
Ago 19

Léxico: «fita do tempo | canarinho»

Consolidadas

 

      «O JN apurou que, para a fita do tempo [o registo temporal dos acontecimentos] deste incêndio que mais meios reúne em Sobral do Campo (Castelo Branco), foi reportada a voz de prisão de Arlindo André, chefe do grupo de Castelo Branco da Força Especial de Bombeiros (FEB), cujos operacionais são conhecidos como “canarinhos”» («GNR dá voz de prisão a chefe dos bombeiros em pleno fogo», Nuno Miguel Ropio, Jornal de Notícias, 24.07.2019, 18h57).

      Já em 2012 chamei a atenção para o uso da locução fita do tempo (que no excerto do artigo acima o jornalista se sentiu na obrigação de explicar), usual entre as forças policiais, e do vocábulo canarinho.

 

[Texto 11 856]

Helder Guégués às 07:00 | comentar | favorito
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