03
Set 19

Léxico: «corte»

Ainda por dicionarizar

 

      «Durante uma busca a casa do mais velho, foram apreendidos 400 doses de cocaína, 60 de haxixe, munições de vários calibres, uma balança de precisão, 263 gramas de material de corte, 1127 euros em dinheiro e diversos objetos ligados aos tráfico» («Traficantes apanhados a vender droga na zona histórica», Jornal de Notícias, 4.08.2019, p. 19).

 

[Texto 11 902]

Helder Guégués às 15:25 | comentar | favorito
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Léxico: «rainha-cláudia | ameixa francesa»

As datas que interessam

 

      A ameixa rainha-cláudia não está ausente do dicionário da Porto Editora: «BOTÂNICA variedade de ameixa pequena e esverdeada, carangueja». Mas está incompleto. Falta, pelo menos, o nome científico, Prunus domestica L. ‘Rainha Cláudia’, e um sinónimo mais usado, ameixa francesa. Na nota etimológica, lê-se isto: «Do francês reine-claude, “idem”, abreviatura da expressão prune de la reine Claude, “ameixa da rainha Cláudia”, esposa de Francisco I, rei da França, 1494-1547». Não apenas não concordo que se diga que é abreviatura, como me parece que as datas induzem em erro. Aqui, relevante é o que diz respeito à rainha Cláudia, não ao seu real esposo e primo. Cláudia, duquesa da Bretanha e rainha consorte, nasceu em 1499 e morreu em 1524. Estas é que são as datas que interessam.

 

[Texto 11 901]

Helder Guégués às 15:20 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «aranha | brocante»

Não pertence aos araneídeos

 

      Mas com certeza: no Grande Guégués da Língua Portuguesa regista-se a acepção de aranha como nome na gíria do emblema da arma de Transmissões. Como se sabe, o castelo é o símbolo da engenharia militar, arma que integrou as transmissões até 1960. Quando se autonomizou como arma, as Transmissões mantiveram o castelo, mas acrescentaram-se oito raios de ouro, que simbolizam a transmissão das ondas rádio. Como se assemelha a uma aranha, passou a ser conhecido por este nome. (A propósito, Porto Editora, falta-te também o termo brocante, usado em heráldica.)

 

[Texto 11 900]

Helder Guégués às 15:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «formolizador»

Sob pressão

 

      Estava também exposto (estão expostos 10 % do acervo) uma formolizador da marca Linger. O dicionário da Porto Editora (todos, certamente) define formolizador como o «aparelho para aplicar o formol nas desinfecções», mas devia, no mínimo, explicar que o formol é aplicado sob pressão. É um aparelho constituído por um recipiente metálico ao qual se associam tubos e manómetros que permitem a pulverização dos espaços.

 

[Texto 11 899]

Helder Guégués às 15:13 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «palamenta»

Não encontram

 

      Uma das peças mais interessantes era uma cozinha rodada (que ficaria bem na nossa sala), adoptada pelo Exército em 1948, constituída por duas panelas de pressão, três panelas normais e cestos para palamenta. A combustão era a lenha. O mais curioso é que se podia cozinhar em marcha. Ora, procurem lá esta palamenta nos nossos dicionários — e depois digam qualquer coisa.

 

[Texto 11 898]

Helder Guégués às 15:06 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «almenara»

Isso é metade da história

 

      «HISTÓRIA facho que se acendia na torre do castelo para iluminar ao longe ou dar sinal de alarme». Isso mesmo, é a definição de almenara no dicionário da Porto Editora. Está, porém, incompleta. No Museu Militar de Elvas encontrei, como legenda de uma fotografia de uma almenara, isto: «As almenaras são estruturas em forma de torre e localizadas em pontos altos do terreno, no topo das quais se acendiam fogueiras para durante o dia utilizar o fumo, e durante a noite utilizar a luz, com a finalidade de transmitir informação previamente combinada. Normalmente muito simples: aproximação de embarcação, ou de forças inimigas.»

 

[Texto 11 897]

Helder Guégués às 15:03 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «bornil | molim»

Fora dos dicionários

 

      A Porto Editora ainda não pôs os paleontoclimatologistas a beber vinho tranquilo, mas avancemos. Um pouco mais à frente, no tal museu que tenho vindo a referir, encontrei um bornil colheira ou molim de 1907, feito de couro, cordel de cânhamo e palha. É a peça almofadada em que assenta a canga e os cangalhos para atrelar os muares e asininos à carroça, nora ou arado — mas que andam fora dos dicionários.

 

[Texto 11 896]

Helder Guégués às 14:58 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «bedalha»

Palavra do dia — revista e corrigida

 

      Hoje, a palavra do dia na Infopédia é vedalhas. Nunca se me deparou. Conheço, sim, de a ouvir no concelho da Guarda, bedalha — no singular —, para significar precisamente o mesmo. Ora, não apenas a Porto Editora não regista esta variante, como diz que é um pluralia tantum. Não é, como se pode ver no Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa de José Pedro Machado ou em Cândido de Figueiredo. Originalmente, designava o conjunto de roupas e adornos oferecidos aos noivos para o enxoval. Por extensão de sentido, passou a designar também qualquer oferta ou recompensa. Aliás, é precisamente neste último sentido que a tenho ouvido frequentes vezes.

 

[Texto 11 895]

Helder Guégués às 08:52 | comentar | ver comentários (2) | favorito
03
Set 19

Parelhas e tiro

Conhecimentos que se perdem

 

      Fiquei também a saber que o tiro utilizado para tracção de material ligeiro é constituído por três parelhas (de muares ou cavalos): parelha sota guia; parelha sota do meio; parelha de tronco. Em cada parelha, há o solípede de sela, em que o condutor monta, e o solípede da mão, à direita do condutor e subordinado à sua acção. Alguma vez veremos estes conhecimentos nos dicionários? Alguém se rala com isso?

 

[Texto 11 894]

Helder Guégués às 06:30 | comentar | favorito
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