06
Set 19

Léxico: «australopitecídeo(s)»

Nem homens nem vinho

 

      «Acusaram-se de canibalismo todos os tipos de hominídeos, a começar pelo grupo mais antigo conhecido, o dos australopitecídeos do continente africano, seguido, por ordem cronológica, pelo homem de Pequim» (A Alimentação na Antiguidade, Don e Patricia Brothwell. Tradução de Maria Idalina Furtado. Lisboa: Editorial Verbo, 1971, p. 28).

     Também não gostas deles, Porto Editora? Pobres australopitecídeos. E também não gostas de vinho tranquilo, já percebemos. Abre a mente e as páginas.

 

[Texto 11 929]

Helder Guégués às 11:11 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «expatriado»

Tenho um palpite

 

      «Para os expatriados, Portugal é o país do mundo com melhor qualidade de vida. Os estrangeiros que vivem fora do seu país de origem elegeram Portugal como o melhor país do mundo no que diz respeito à qualidade de vida, segundo a sondagem anual da InterNations» («Portugal tem a melhor qualidade de vida do mundo para os expatriados», Carolina Rico, TSF, 5.09.2019, 11h07).

      Expatriado, para o dicionário da Porto Editora, é a «pessoa que se exilou ou foi condenada a desterro». Corrigimos o dicionário ou a jornalista, que acham?

 

[Texto 11 928]

Helder Guégués às 11:02 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «laicista»

Tão simples

 

      «Em dez anos, o número de países europeus que levantam obstáculos à liberdade religiosa aumentou de cinco para 20. Este processo vem sendo fortalecido “através de fobias várias”, conclui Paulo Mendes Pinto. “Fobias que levam, por exemplo, a que França seja hoje toda como um Estado que ergue grandes restrições à liberdade religiosa, fruto de um extremar das suas posições laicistas que advogam a proibição, muitas vezes, do uso de vestes religiosas» («Condicionar a fé para fazer face ao medo», Margarida Mota, Expresso, 27.07.2019, p. 29).

      Tão simples e relativamente vulgar — e, contudo, não o encontramos no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

 

[Texto 11 927]

Helder Guégués às 10:58 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «semelparidade»

Há quem não saiba

 

      «Resultado do estudo publicado: nas duas épocas de acasalamento que a equipa acompanhou, observou-se que os machos morriam. Esta estratégia de reprodução designa-se “semelparidade” — em que os indivíduos só têm um evento reprodutivo e depois acabam por morrer — e já foi observado em plantas ou peixes. Apesar de este comportamento já ter sido visto nos marsupiais em cativeiro, esta é a primeira vez que se observa na natureza» («Há marsupais [sic] que morrem logo depois de acasalar», Público, 5.09.2019, p. 31).

 

[Texto 11 926]

Helder Guégués às 10:55 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «flebótomo | mosca-da-areia»

Duas de uma vez

 

      «A doença pode ser provocada por várias espécies de parasitas microscópicos do género Leishmania, transmitidos pela picada de moscas-da-areia (flebótomos), que sugam o sangue. Os cães são picados pelos insectos, que depois picam os seres humanos e lhes transmitem o parasita» («A história feliz de 12 cães que se viram livres da leishmaniose», Teresa Firmino, Público, 3.09.2019, p. 36).

      O único flebótomo que a Porto Editora conhece é a «lanceta para fazer sangrias», mas aqui, como se pode ver, é um insecto hematófago. Tal como também não conhece a mosca-da-areia (Phlebotomus spp.).

 

[Texto 11 925]

Helder Guégués às 10:53 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «transatlantismo»

Pois, usa-se

 

      «Desta forma, os britânicos procuram obter uma posição privilegiada no seio da ordem americana, sendo uma das principais vozes do transatlantismo no âmbito da União Europeia» (Política Externa Portuguesa, Tiago Moreira de Sá. Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2016, p. 23).

 

[Texto 11 924]

Helder Guégués às 10:51 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «etnocentrado»

Diz-se

 

      «Em 2007 estavam identificados 40 países com níveis “altos” ou “muito altos” e restrições à liberdade religiosa. Dez anos depois, já eram 52. Um deles é a Rússia, onde, recorda o académico [Paulo Mendes Pinto, coordenador da Área de Ciência das Religiões da Universidade Lusófona], “toda uma narrativa de fausto e glória, marcada por uma visão etnocentrada, encontra na Igreja Ortodoxa a ligação a uma legitimação história [sic] e, assim, fortemente identitária”» («Condicionar a fé para fazer face ao medo», Margarida Mota, Expresso, 27.07.2019, p. 28).

 

[Texto 11 923]

Helder Guégués às 10:49 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «coeficiente»

Mas não é só isso

 

      Apareceu-me aqui num livro o coeficiente de Gini, que é um instrumento estatístico, criado pelo matemático e demógrafo italiano Corrado Gini (1884-1965), para medir a desigualdade de uma distribuição. Que ideia, não, não quero que vá para os dicionários. Apenas estranho que o dicionário da Porto Editora tenha somente isto para dizer do vocábulo coeficiente: «1. condição ou circunstância que coopera para determinado fim; 2. MATEMÁTICA cada um de dois factores considerados num monómio, a uma ou mais variáveis; co-factor; 3. FÍSICA número que mede, para cada substância, determinados efeitos que são característicos da mesma substância».

 

[Texto 11 922]

Helder Guégués às 10:46 | comentar | ver comentários (2) | favorito
06
Set 19

Léxico: «obsidiana»

Revista e aumentada

 

      De obsidiana, palavra do dia, diz a Porto Editora: «PETROLOGIA rocha vulcânica vítrea, geralmente de composição riolítica e coloração negra ou verde-escura, utilizada antigamente no fabrico de espelhos e instrumentos cortantes». Antigamente é quando? No início do século XX ou na Idade Média, por exemplo? E sinónimos, arranjam-se? Proponho: «PETROLOGIA rocha vulcânica vítrea, também chamada vidro dos vulcões, geralmente de composição riolítica e coloração cinzenta, negra ou verde-escura, utilizada desde a Pré-História no fabrico de espelhos e instrumentos cortantes, tais como pontas de setas e facas prismáticas.» E também não custava muito acrescentar, na nota etimológica, que Obsídio era o nome do homem na Etiópia que, segundo Plínio, descobriu esta pedra.

 

[Texto 11 921]

Helder Guégués às 08:41 | comentar | favorito
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