31
Out 19
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Out 19

Léxico: «biotinta»

Já aqui a vimos

 

      «Cientistas nos Estados Unidos usaram impressão 3D para fabricar vasos sanguíneos funcionais que poderão vir a ser usados clinicamente em casos de doenças vasculares. [...] A matéria-prima para fabricar este tipo de vasos é biotinta obtida a partir de células da artéria aorta e de uma veia umbilical, que através de uma técnica modificada de impressão 3D foi transformada em aortas abdominais colocadas em seis ratos de laboratório» («Cientistas criam vasos sanguíneos funcionais com recurso a impressão 3D», Rádio Renascença, 22.10.2019, 16h34).

 

[Texto 12 231]

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30
Out 19
30
Out 19

Léxico: «destitutivo»

Isso ainda demora?

 

      «Embora queira “liderar um pedido de congresso destitutivo”, André Ventura, que apoiou Santana Lopes nas diretas, diz que “o resto é com os militantes” e que não se quer envolver numa eventual revolta contra o líder» («André Ventura diz que consegue recolher 2.500 assinaturas para destituir Rui Rio», Rita Dinis, Observador, 18.09.2019, 8h25). Então: constitutivo, destrutivo, devolutivo, restitutivo...

 

[Texto 12 230]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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29
Out 19

Léxico: «wittgensteiniano»

Não é bonito

 

      «Aspecto central da nossa relação com o texto de Agamben é também a percepção da natureza herética de uma linguagem filosófica que, na linha do postulado wittgensteiniano da unidade de ética e estética, se move na esfera de uma consciência da precariedade sobre a qual se funda toda a observação que tem ainda algo do “espanto” antigo frente ao mundo e deixa transparecer a consciência dos limites da linguagem que funda a distinção entre nome e discurso (cf. “Ideia do nome”)» (Ideia da Prosa, Giorgio Agamben. Tradução de ‎João Barrento. Belo Horizonte: Autêntica, 2013, p. 6).

      Wittgenstein (1889-1951), com os seus contributos para a filosofia da linguagem, não merece ver o adjectivo derivado do seu nome no dicionário da Porto Editora? Hum...

 

[Texto 12 229]

Helder Guégués às 15:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «crescente | fermento»

Padeira ufana, gabava?

 

      Se crescente fosse meramente o «fermento que se deita na massa do pão para ela levedar», como podemos ler no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, como é que aquela padeira (de Caíde?) se gabava a José Candeias, da Antena 1, de o seu pão ter apenas água, farinha e crescente? Não pode ser: se crescente fosse como um qualquer fermento químico que se pode agora comprar em qualquer supermercado, uma padeira, e mais a mais uma padeira de 70 anos, não se gabaria de tal.

 

[Texto 12 228]

Helder Guégués às 15:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «golelha | golhelha | golilha | gonilha»

Estão mais ligados

 

      A palavra do dia, na Infopédia, é golelha: «1. popular esófago; 2. popular, figurado conversa; palavreado; tagarelice». Está certo, mas acontece que também existe a variante golhelha e o dicionário não a regista. É ver noutros. Também relacionada, até etimologicamente, temos golilha, que a Porto Editora define assim: «1. argola fixa a um poste, a que se prendiam os condenados pelo pescoço; 2. cabeção com volta engomada». Neste caso, falta uma acepção: também designa o castigo infligido por meio daquela argola. E, por fim, temos, também relacionado, gonilha, que a Porto Editora define assim: «1. ver gravata; 2. regionalismo aquilo que aperta o pescoço». Na realidade, é igualmente sinónimo de golilha.

 

[Texto 12 227]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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29
Out 19

Léxico: «alucinogénio | alucinógeno»

Não é de génio

 

      A grafia é alucinogénio ou alucinógeno, mas aqui este catedrático acha que é «alucinogéneo». De dicionários, só deve conhecer o de Termos Médicos da Porto Editora, no qual, na entrada LSD, se lê isto: «sigla de lysergic acid diethylamide. dietilamina do ácido lisérgico (alucinogéneo sintético muito potente que provoca habituação)». É como o erro «pagem», que, mesmo depois de eu avisar duas vezes, ainda aparece numa entrada de um dicionário bilingue.

 

[Texto 12 226]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
28
Out 19

Léxico: «heroicização»

Mais esta

 

      «Neste trabalho que aqui trazemos é óbvio que nem estamos numa posição de heroicização da figura de Salazar nem na sua diabolização» (O Colonialismo de Salazar, Pedro Miguel Sousa. Lisboa: Via Occidentalis, 2008, p. 7).

 

[Texto 12 225]

Helder Guégués às 16:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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28
Out 19

Léxico: «cuchecucheiro»

Ou é segredo de Estado?

 

      «Por isso o Daio Jaio marcava as desavenças, dizia que pagava a sua dívida mas sem aceitar a morte da filha, desacreditava-se da feitiçaria daquele cuchecucheiro. Civilizava. E queria tirar vinga daquele aldrabão, mas só matando» (Estória do Homem Que Comeu a Sua Morte: e outros contos, Ascêncio de Freitas. Editorial Caminho, 2002, p. 86).

      Por vezes, também se vê a grafia cuche-cucheiro — é o adivinho tradicional em Moçambique, onde Ascêncio de Freitas, ficcionista e jornalista português, viveu por trinta anos. A Infopédia não sabe que este autor morreu († 2015). Ou é segredo de Estado?

 

[Texto 12 224]

Helder Guégués às 16:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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