28
Out 19

Léxico: «cuchecucheiro»

Ou é segredo de Estado?

 

      «Por isso o Daio Jaio marcava as desavenças, dizia que pagava a sua dívida mas sem aceitar a morte da filha, desacreditava-se da feitiçaria daquele cuchecucheiro. Civilizava. E queria tirar vinga daquele aldrabão, mas só matando» (Estória do Homem Que Comeu a Sua Morte: e outros contos, Ascêncio de Freitas. Editorial Caminho, 2002, p. 86).

      Por vezes, também se vê a grafia cuche-cucheiro — é o adivinho tradicional em Moçambique, onde Ascêncio de Freitas, ficcionista e jornalista português, viveu por trinta anos. A Infopédia não sabe que este autor morreu († 2015). Ou é segredo de Estado?

 

[Texto 12 224]

Helder Guégués às 16:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «interclassista»

Não se vislumbra nenhum

 

      «Faz falta um partido de direita, interclassista, nacional e combativo, como foi, de início, o PP. Mas pior do que não haver esse partido será a pretensão de refazer o actual partido na base da negação do objectivo de direita que lhe deu origem» (Na Prática a Teoria é Outra, Victor Cunha Rego. Alfragide: Publicações Dom Quixote, 2018, p. 883).

      Há algum bom motivo para a Porto Editora remeter interclassista para os dicionários bilingues?

 

[Texto 12 223]

Helder Guégués às 15:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «trioleto | triolé | monostrófico»

Não podem ficar de fora

 

   «O trioleto, que pode reduzir-se a uma só estrofe (poema monostrófico), e que terá, como sistema estrófico, duas ou mais estrofes (N.º 114), seduziu também os poetas portugueses deste período» (Teoria Geral da Versificação: As Estrofes, os Sistemas Estróficos e a História da Versificação, Amorim de Carvalho. Lisboa: Editorial Império, 1987, p. 342).

      No dicionário da Porto Editora ainda não desembarcaram nem o trioleto (ou triolé) nem monostrófico. Entretanto, já passaram mais de quarenta anos sobre a morte de Amorim de Carvalho.

 

[Texto 12 222]

Helder Guégués às 11:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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28
Out 19

Léxico: «supercontinente»

Hipótese? Verdade científica

 

      «Este supercontinente [Gondwana] começou a desmembrar-se e a Grande Adria foi-se “desprendendo”, assumindo-se como um continente independente, que ficava no território entre os atuais Irão e a região dos Alpes» («Há um continente perdido sob a Europa com o tamanho de quatro Penínsulas Ibéricas», João Pedro Barros, Rádio Renascença, 24.09.2019, 15h45).

   Ao que me parece, para os cientistas, a existência dos supercontinentes já não é — como afiança o dicionário da Porto Editora — hipotética. «Each of several large land masses (notably Pangaea, Gondwana, and Laurasia) thought to have divided to form the present continents in the geological past», diz-nos o dicionário da Oxford.

 

[Texto 12 221]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
27
Out 19
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Out 19

Léxico: «desextinção»

Agora ao contrário

 

      «Pelo menos, [desextinção] já parece estar a tornar-se uma palavra. Técnica e eticamente é impossível fazer isso com os neandertais» [responde Svante Pääbo, biólogo sueco do Instituto Max Planck de Leipzig (Alemanha)]» («“Técnica e eticamente seria impossível ‘desextinguir’ um neandertal”», Andrea Cunha Freitas, Público, 21.10.2019, p. 31). Assim é: «De-extinction, also called resurrection biology, the process of resurrecting species that have died out, or gone extinct», lê-se na ainda conceituada Enciclopédia Britânica.

 

 [Texto 12 220]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | favorito
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26
Out 19
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Out 19

Léxico: «petanca»

Se quiséssemos defini-la melhor

 

      «A petanca é um jogo de origem francesa criado no princípio do século XX, cujo nome vem da expressão ‘pieds tanqués’, que significa pés juntos, isto porque os praticantes devem lançar a bola, que pode pesar entre 690 e 710 gramas, com os pés bem próximos, cravados no chão, e dentro de um arco» («Idosos de Vila Nova de Gaia contrariam a tendência da extinção da petanca», Sábado, 28.09.2019, 8h20).

 

[Texto 12 219]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
25
Out 19
25
Out 19

Léxico: «vergê | marca de água»

Mal definidos

 

      A palavra do dia, na Infopédia, é vergê: «diz-se de um tipo de papel com aparência artesanal, que apresenta marcas de água horizontais e verticais». Está errado: o papel vergê, que toda a gente conhece pelo menos dos convites de casamento e de alguns cartões-de-visita, tem uma textura avergoada, rugosa, não uma marca de água. Muito a propósito se diga que também a definição de marca de água naquele dicionário não é satisfatória: «desenho assinalado no papel por zonas deste com menor densidade (em notas de banco, acções, etc.)». Desenho? Consiste muitas vezes numa inscrição, nome ou marca, apenas: «“Encomendado pelo negociante de arte e editor Ambroise Vollard, Pablo Picasso fez cem gravuras entre 13 de setembro de 1930 e março de 1937, que entraram na história da arte sob o nome de Suite Vollard”, pode ler-se na página da exposição, que lembra que o conjunto surgiu “em 1939 em dois formatos diferentes, um grande (760 x 500 mm) em papel vitela assinado pelo artista com lápis vermelho ou preto, com 50 cópias por placa; e outro mais pequeno (445 x 340 mm) em papel vergê de Montval com a marca d’água ‘Vollard’ ou ‘Picasso’ em 250 cópias”» («Gravuras de Pablo Picasso inéditas em Portugal exibidas no Porto a partir de 30 de maio», Observador, 9.05.2019, 14h59).

 

[Texto 12 218]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito