30
Nov 19
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Nov 19

Léxico: «porta-algemas | porta-bastão | porta-luvas | fiador»

Afinal era mentira

 

      «Do total de bens, cerca de 90 são itens de fardamento, para o qual as forças de segurança recebem um subsídio do Estado de 50 euros por mês. A palavra mais comum é “porta”, para porta-chaves, porta-algemas, porta-bastão ou porta-luvas. Nessa categoria, há 81 itens comprados. Se juntarmos os fiadores (12), são mais de 90. Há cinco compras de “elásticos pretos”, cinco de pomada, oito lanternas e 20 pares de luvas tácticas, entre outros materiais» («Não há coletes antibala nas facturas que Ventura mostrou no Parlamento», Bárbara Reis, Público, 29.11.2019, p. 14).

      Assim, temos fora dos dicionários porta-algemas e porta-bastão. Quanto a porta-luvas e a fiador, não estão dicionarizados nestas acepções. Em fiador, o dicionário da Porto Editora regista uma acepção bem próxima, mas relacionada com a espada: «correia que liga a espada à mão, quando desembainhada». O termo fiador é mais abrangente, e genericamente designa qualquer corrente ou correia para prender certos equipamentos. Assim, para os apitos também há fiadores.

 

[Texto 12 383]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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29
Nov 19

Léxico: «material particulado»

Também é uma emergência

 

      «Um dos exemplos mais nocivos é o do material particulado inalável [PM, particulate matter, na sigla inglesa], partículas microscópicas que resultam da queima incompleta de combustíveis fósseis [petróleo, gás ou carvão, usados por fábricas e veículos automóveis]» («Crianças, as primeiras vítimas da emergência climática», Jeffrey Kluger, Visão, 28.11.2019, p. 71).

    Já podia estar nos nossos dicionários. A Porto Editora regista particulado («constituído por partículas separadas»), mas se registasse a expressão material particulado ainda seria melhor. A definição de particulate matter que podemos ver no portal da Agência Europeia do Ambiente é mais completa: «A collective name for fine solid or liquid particles added to the atmosphere by processes at the earth’s surface. Particulate matter includes dust, smoke, soot, pollen and soil particles.»

 

[Texto 12 382]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «Mascate | Omã»

Estão trocados

 

      «Portugal conquistou o título de melhor destino turístico do mundo pelo terceiro ano consecutivo pelos World Travel Awards, numa cerimónia que decorreu esta quinta-feira, em Muscat, Omã» («Portugal é o melhor destino do mundo pelo terceiro ano consecutivo», Rádio Renascença, 28.11.2019, 20h03).

      O jornalista não sabe, mas é Mascate. No dicionário da Porto Editora, no verbete mascate, que deriva do topónimo, o erro é no nome do país: «De Mascate, topónimo, cidade capital do Oman». Nunca faltarão erros, é só ir olhando.

 

 

[Texto 12 381]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «nacional-cançonetismo»

Uma espécie de maldição

 

      «Como no final dessa década [1960] de todas as revoluções musicais Eduardo Nascimento decidiu abandonar os palcos (seguindo carreira no mundo da aviação comercial, primeiro na TAP, depois em várias companhias africanas), os portugueses associam-no sempre a esse imaginário cada vez mais distante de um certo nacional-cançonetismo nos últimos anos de um Portugal colonial» («Aquela voz distante», P. D. A., Visão, 28.11.2019, p. 30).

      Até parece que tudo o que se relaciona com Eduardo Nascimento está fora do dicionário da Porto Editora... Já vimos que não registava ié-ié (que também se usa neste artigo), e o mesmo sucede com nacional-cançonetismo.

 

[Texto 12 380]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «desfraldar»

Erro na revista, erro no dicionário

 

      «Os discípulos de Rui Tavares temem que Joacine fralde todas as bandeiras do coletivo, em nome de uma agenda pessoal, conduzindo o Livre ao abismo» («Joacine joinVentura», Visão, 28.11.2019, p. 31). Fraldar só tem que ver com fraldas e fraldão, e, apesar de o Livre ser um partido bebé, não se aplica. Por outro lado, desfraldar também tem que ver com fraldas, o que a Porto Editora parece ignorar.

 

[Texto 12 379]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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O pobre verbo «haver»

E os pobres leitores

 

      «Hajam fundos, já agora. Em Bruxelas, depois de ter visto a sua equipa confirmada pelo Parlamento Europeu, a nova presidente da Comissão Europeia esteve com a Susana Frexes, fugindo à pergunta para muitos milhões de euros: haverá mais fundos europeus, ou é inevitável o corte que António Costa anda a tentar contrariar?» («Quando ouvir dizer mal dos partidos, pense nisto», David Dinis, Expresso Curto, 28.11.2019).

      Este formato do Expresso só é curto no nome, que, no que toca (e não escrevo «tange» para não haver ambiguidades) a erros, é bem grosso. Com que então, David Dinis, é «hajam fundos» que se diz?

 

[Texto 12 378]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | favorito
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Emoções não verbais...

É assim que fala?

 

      «‘Whoohoo’, quantas vezes já usou esta expressão? Certamente já perdeu a conta. Mas ‘Whoohoo’ é apenas uma entre as 24 emoções não verbais que utilizamos no nosso dia a dia para exprimir estados de espírito e aparece 126 vezes nesta conhecida canção dos Rolling Stones que, dentro de dias, completa 51 anos. Foi lançada a 28 de novembro de 1968 e, ainda hoje, se ouve por aí» («“Whoohoo”, quantas vezes já usou esta expressão?», André Rodrigues, Rádio Renascença, 27.11.2019).

      Se pergunta, André Rodrigues, é porque quer mesmo saber. (Não tenho um cabo da GNR à mão, ou nem teria oportunidade de me fazer nenhuma pergunta.) Eu digo-lhe: nunca. Nunca os meus lábios proferiram «whoohoo». Satisfeito?

 

[Texto 12 377]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | favorito
29
Nov 19

Léxico: «hematoencefálico | hematencefálico»

Nenhum dos dois?

 

      «A técnica, que não exige intervenção cirúrgica, permite dirigir os fármacos às zonas do cérebro afetadas pela doença de Parkinson e ajustar as dosagens, “abrindo” por um curto período de tempo, entre duas a quatro horas, antes da administração dos compostos, a barreira hematoencefálica, uma estrutura protetora do sistema nervoso central» («Misericórdia de Lisboa distingue trabalhos de neurocientistas Mónica de Sousa e Fábio Teixeira», Rádio Renascença, 26.11.2019, 22h10). Não o tens, Porto Editora, e ainda por cima é duplo: hematoencefálico ou hematencefálico.

 

[Texto 12 376]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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