11
Nov 19

Léxico: «galileano»

Lá nos surripiaram o adjectivo

 

      «Mas os modelos eram certamente bem escolhidos: já falámos da escola matemática de Oxford no século XIV, a que se deve o desenvolvimento da trigonometria; quanto a Paris, na mesma era trecentista fora, com Nicolas Oresme, Buridan e tantos outros, o foco dos prelúdios da geometria analítica, da álgebra e da mecânica moderna (galileana)» (Ensaios, vols. 1-2, Vitorino Magalhães Godinho. Lisboa: Livraria Sá da Costa Editora, 1968, p. 215).

 

[Texto 12 260]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «cameral | unicamaral»

Tanta gente enganada?

 

      Coisas estranhas: o dicionário da Porto Editora regista bicameral e unicameral, mas não (porque não?) cameral. Mais: unicamaral aparece demasiadas vezes para não estar correcto: «Em Maio, invocando o programa de 1891, a facção mais radical do Partido exigiu um sistema unicamaral, sem Presidente e sem Senado, ao passo que a maioria dos dirigentes “respeitáveis” eram pelo clássico modelo da III República francesa» (O Poder e o Povo: a revolução de 1910, Vasco Pulido Valente. Lisboa: Moraes, 1982, p. 188). E a Porto Editora não pode ignorar esta questão, pois num texto de apoio da Infopédia («Mustafa Kemal Ataturk») usa o termo «unicamaral». Aliás, mais facilmente esperaríamos, de «câmara», «camaral» do que «cameral», ou não? Seja como for, escritores muito mais cuidadosos do que Vasco Pulido Valente usam esta grafia.

      «O programa do CHEGA não assume se seria favorável a uma solução bicamaral. O facto de querer reduzir o número de deputados para apenas 100 leva a deduzir que não. Se mais dúvidas e questões não houvessem [sic] sobre a adequação desta solução à realidade portuguesa, penso que um sistema simultaneamente presidencialista e unicamaral, seria sempre uma solução desequilibrada, que condicionaria a soberania do poder legislativo, bem como o pluralismo e a democracia» («CHEGA de quê?», Lourenço Pereira Coutinho, Expresso, 31.10.2019, 10h15). O «houvessem» (num historiador!) não o recomenda nem um bocadinho, mas vale pelo resto.

 

[Texto 12 259]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «coro baixo | sarilho | margateira»

Sarilhos, Grandes e Pequenos

 

      «“Três estão ativos nesta mesma igreja de São Francisco, entre eles um órgão congénere ao existente no Cano, com a mesma data, do mesmo construtor, e do mesmo convento, que estava à guarda da Paróquia de Nossa Senhora de Machede, feitos respetivamente para o coro alto e para o coro baixo”, sublinha o departamento de comunicação [da arquidiocese de Évora]» («Évora. Arquidiocese avança com restauro de mais um órgão de tubos», Rosário Silva, Rádio Renascença, 4.11.2019, 9h10).

      Curioso — e anómalo, pois claro — é no dicionário da Porto Editora encontrarmos somente o coro alto. Como é que se dicionariza um e não se dicionariza o outro? Isto é como os Sarilhos Grandes e os Sarilhos Pequenos. A propósito: estes topónimos derivam de um termo (sarilho) que designa um utensílio usado na extracção do sal, e não está nos nossos dicionários. Como também não está, por exemplo, para não sairmos da mesma área, margateira, que era o nome do muro com cerca de metro e meio dos compartimentos para armazenar a água das salinas.

 

[Texto 12 258]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «chouriço»

Não é o que vejo

 

      Não sei porque é que a Porto Editora diz que aqueles sacos cheios de areia ou de serradura em forma de chouriço — e por isso chamados chouriços — servem apenas para impedir que o frio entre pelas janelas. Já os vi mais vezes nas portas do que nas janelas. Eu e toda a gente. Não: portas e janelas. Aliás, também não concordo com os termos em que está redigida a definição: «saco comprido e cilíndrico, cheio de areia, para tapar as fendas das janelas e impedir a entrada do frio e da humidade». Fendas? Frio e humidade?

 

[Texto 12 257]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
11
Nov 19

Léxico: «frontofocómetro | foróptero | mica»

Outra tripla

 

      No sábado, acompanhei uma pessoa a uma óptica e fiquei espantado com o número de instrumentos usados pelos optometristas. Perguntei o nome de alguns, claro, mas não pude interrogar as pessoas exaustivamente. Pouco está nos nossos dicionários. Assim, por exemplo, dois instrumentos desconhecidos: frontofocómetro e foróptero. No entanto, foi o mais simples que cativou a minha atenção: cada uma das lentes não oftálmicas que vemos nas armações expostas chama-se mica, e é nelas que o optometristas (no caso, eram dois, e o segundo, para meu espanto, repetiu todos os procedimentos, todas as medições do primeiro) fazem todas as medições para prepararem as lentas oftálmicas. Já o comprovei até em manuais de formação em Optometria. Dicionários fora dos dicionários.

 

[Texto 12 256]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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