29
Nov 19

Léxico: «material particulado»

Também é uma emergência

 

      «Um dos exemplos mais nocivos é o do material particulado inalável [PM, particulate matter, na sigla inglesa], partículas microscópicas que resultam da queima incompleta de combustíveis fósseis [petróleo, gás ou carvão, usados por fábricas e veículos automóveis]» («Crianças, as primeiras vítimas da emergência climática», Jeffrey Kluger, Visão, 28.11.2019, p. 71).

    Já podia estar nos nossos dicionários. A Porto Editora regista particulado («constituído por partículas separadas»), mas se registasse a expressão material particulado ainda seria melhor. A definição de particulate matter que podemos ver no portal da Agência Europeia do Ambiente é mais completa: «A collective name for fine solid or liquid particles added to the atmosphere by processes at the earth’s surface. Particulate matter includes dust, smoke, soot, pollen and soil particles.»

 

[Texto 12 382]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «Mascate | Omã»

Estão trocados

 

      «Portugal conquistou o título de melhor destino turístico do mundo pelo terceiro ano consecutivo pelos World Travel Awards, numa cerimónia que decorreu esta quinta-feira, em Muscat, Omã» («Portugal é o melhor destino do mundo pelo terceiro ano consecutivo», Rádio Renascença, 28.11.2019, 20h03).

      O jornalista não sabe, mas é Mascate. No dicionário da Porto Editora, no verbete mascate, que deriva do topónimo, o erro é no nome do país: «De Mascate, topónimo, cidade capital do Oman». Nunca faltarão erros, é só ir olhando.

 

 

[Texto 12 381]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «nacional-cançonetismo»

Uma espécie de maldição

 

      «Como no final dessa década [1960] de todas as revoluções musicais Eduardo Nascimento decidiu abandonar os palcos (seguindo carreira no mundo da aviação comercial, primeiro na TAP, depois em várias companhias africanas), os portugueses associam-no sempre a esse imaginário cada vez mais distante de um certo nacional-cançonetismo nos últimos anos de um Portugal colonial» («Aquela voz distante», P. D. A., Visão, 28.11.2019, p. 30).

      Até parece que tudo o que se relaciona com Eduardo Nascimento está fora do dicionário da Porto Editora... Já vimos que não registava ié-ié (que também se usa neste artigo), e o mesmo sucede com nacional-cançonetismo.

 

[Texto 12 380]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Léxico: «desfraldar»

Erro na revista, erro no dicionário

 

      «Os discípulos de Rui Tavares temem que Joacine fralde todas as bandeiras do coletivo, em nome de uma agenda pessoal, conduzindo o Livre ao abismo» («Joacine joinVentura», Visão, 28.11.2019, p. 31). Fraldar só tem que ver com fraldas e fraldão, e, apesar de o Livre ser um partido bebé, não se aplica. Por outro lado, desfraldar também tem que ver com fraldas, o que a Porto Editora parece ignorar.

 

[Texto 12 379]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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O pobre verbo «haver»

E os pobres leitores

 

      «Hajam fundos, já agora. Em Bruxelas, depois de ter visto a sua equipa confirmada pelo Parlamento Europeu, a nova presidente da Comissão Europeia esteve com a Susana Frexes, fugindo à pergunta para muitos milhões de euros: haverá mais fundos europeus, ou é inevitável o corte que António Costa anda a tentar contrariar?» («Quando ouvir dizer mal dos partidos, pense nisto», David Dinis, Expresso Curto, 28.11.2019).

      Este formato do Expresso só é curto no nome, que, no que toca (e não escrevo «tange» para não haver ambiguidades) a erros, é bem grosso. Com que então, David Dinis, é «hajam fundos» que se diz?

 

[Texto 12 378]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | favorito
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Emoções não verbais...

É assim que fala?

 

      «‘Whoohoo’, quantas vezes já usou esta expressão? Certamente já perdeu a conta. Mas ‘Whoohoo’ é apenas uma entre as 24 emoções não verbais que utilizamos no nosso dia a dia para exprimir estados de espírito e aparece 126 vezes nesta conhecida canção dos Rolling Stones que, dentro de dias, completa 51 anos. Foi lançada a 28 de novembro de 1968 e, ainda hoje, se ouve por aí» («“Whoohoo”, quantas vezes já usou esta expressão?», André Rodrigues, Rádio Renascença, 27.11.2019).

      Se pergunta, André Rodrigues, é porque quer mesmo saber. (Não tenho um cabo da GNR à mão, ou nem teria oportunidade de me fazer nenhuma pergunta.) Eu digo-lhe: nunca. Nunca os meus lábios proferiram «whoohoo». Satisfeito?

 

[Texto 12 377]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | favorito

Léxico: «hematoencefálico | hematencefálico»

Nenhum dos dois?

 

      «A técnica, que não exige intervenção cirúrgica, permite dirigir os fármacos às zonas do cérebro afetadas pela doença de Parkinson e ajustar as dosagens, “abrindo” por um curto período de tempo, entre duas a quatro horas, antes da administração dos compostos, a barreira hematoencefálica, uma estrutura protetora do sistema nervoso central» («Misericórdia de Lisboa distingue trabalhos de neurocientistas Mónica de Sousa e Fábio Teixeira», Rádio Renascença, 26.11.2019, 22h10). Não o tens, Porto Editora, e ainda por cima é duplo: hematoencefálico ou hematencefálico.

 

[Texto 12 376]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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29
Nov 19

Léxico: «sinópia»

Longe das artes

 

      «A sua [de Álvaro Pires] primeira obra documentada em Itália é uma campanha de frescos encomendada em 1410 para as fachadas do Palácio Datini, em Prato, em que trabalhou com outros quatro pintores originários de Florença. Desaparecidos estes frescos, restam as chamadas “sinópias”, os esboços preparatórios que foram descobertos quando o palácio foi restaurado» («O primeiro pintor português tem finalmente a sua primeira exposição no MNAA», Isabel Salema, Público, 28.11.2019, p. 4).

      Nos nossos dicionários, nada. Está explicado no artigo: sinópia é o esboço feito no próprio suporte (estamos a falar de frescos, atenção) e à escala real.

 

[Texto 12 375]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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