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Dez 19

Léxico: «arcebispo | bispo-de-coroa-amarela»

Por pouco

 

      «As aves marinhas e dos campos agrícolas estão a morrer em Portugal, com perdas de populações que chegam aos 80% na última década, alerta a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA). [...] No relatório aponta-se ainda a ameaça de espécies invasoras introduzidas em Portugal por ação humana, como o arcebispo e ganso-do-egito, que poderão tirar “espaço e alimento” às aves nativas» («Aves estão a desaparecer em Portugal. Perdas chegam aos 80%», 18.12.2019, 14h10).

      De todas as referidas no artigo, apenas este arcebispo, mas mais conhecido como bispo-de-coroa-amarela (Euplectes afer), está fora do dicionário da Porto Editora. Dantes, só no Jardim Zoológico; agora, apesar de ser uma ave africana, anda por aí a volitar alegremente.

 

[Texto 12 506]

Helder Guégués às 10:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «mandibuloacral | acral»

Nem separados estão

 

      «Isla sofre de displasia mandibuloacral e é a única no mundo com esta doença que se caracteriza pelo envelhecimento precoce e pelo tamanho reduzido do paciente, no caso da menina traduz-se em apenas sete quilos de peso» («Conheça Isla, a única menina no mundo com a doença popularizada pelo filme de “Benjamin Button”», Correio da Manhã, 18.12.2019, 10h32).

      Nos dicionários é que nem raspas. Seria bom poder dizer que no dicionário da Porto Editora registam mandibul(o)- e acral, mas não, seria demasiado bom: o último também falta.

      

 

[Texto 12 505]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «lissavírus»

Que raiva

 

      A tradutora, coitada, não sabia e vá de ficar em inglês — lyssavirus. Já estamos habituados. Ora, também o temos em português, lissavírus, só que está indevidamente encafuado em dicionários especializados. Tudo tem consequências.

 

[Texto 12 504]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | favorito
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Léxico: «idiofonia»

É o que ele escreve

 

      O prefaciador (muito conhecido, mas cuja identidade não posso ainda revelar) fala na «idiofonia de improvisados paus de chuva, chocalhos, maracas, gongos, tambores, marimbas».

 

[Texto 12 503]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | favorito
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Pouco contacto com a língua

Falar é fácil

 

      Viram ali mais para trás a referência à Unbabel, a startup portuguesa que «alia inteligência artificial com pós-edição humana»? Então, o que falha quando escrevem no seu sítio da Internet «Traduza emails de clientes com total confiança, desde o primeiro contato à sua resolução»? Falha a inteligência artificial ou a pós-edição humana? Ou ambas? Em Portugal, diacho, só se escreve de uma forma esta palavra: CONTACTO!

 

[Texto 12 502]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | favorito
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Léxico: «exomundo»

Quase um hápax

 

      «Os nomes do planeta extrassolar e da sua estrela foram propostos por Portugal e aprovados pela União Astronómica Internacional (UAI), que lançou uma nova campanha para designar estes “exomundos” no ano em que comemora o seu centésimo aniversário. Os resultados, que ditaram nomes a 112 planetas fora do Sistema Solar e às suas respetivas estrelas, foram hoje divulgados pela UAI, liderada pela astrónoma portuguesa Teresa Lago. [...] A primeira campanha pública promovida pela UAI para nomear exoplanetas decorreu em 2015» («Viriato orbita a estrela Lusitânia e é um planeta gigante a 114 anos-luz da Terra», Rádio Renascença, 17.12.2019, 21h44).

      Sim, quase um hápax, mas há, e sempre houve, vários nos nossos dicionários. Campeão também nisto foi José Pedro Machado, que, contudo, está no céu dos linguistas.

 

[Texto 12 501]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «conectoma»

O conjunto

 

    O termo conectoma (do inglês connectome) surgiu em 2005, cunhado por Olaf Sporns, professor em Ciências Psicológicas e do Cérebro da Universidade de Indiana, EUA. Designa o conjunto das ligações entre os neurónios. Não, caro leitor, não confunda, sinapse é um conceito diferente, designa a região de contacto entre dois neurónios, isto é, a ligação entre dois neurónios contíguos. Já o encontramos, ao termo «conectoma», em várias obras de divulgação científica publicadas em Portugal. Nos dicionários, nada.

 

[Texto 12 500]

 

[Só me deram os parabéns quando publiquei o 500.º texto. Chegar agora ao texto 12 500 é coisa menor.]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «cianobactérias»

Não pode ser

 

      Meu Deus, como é que os nossos dicionários dizem tão pouco das cianobactérias, que já dominaram o planeta e o modificaram? Diz, e começa logo por remeter para cianofíceas, o dicionário da Porto Editora: «BOTÂNICA grupo de algas unicelulares ou filamentosas, caracterizadas por uma coloração azulada; algas azuis». E pronto, se quem consulta o dicionário quer saber mais só tem de ir à aventura por essa Internet fora, tropeçando aqui e ali em erros e em abundante lixo.

 

[Texto 12 499]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Dez 19

Léxico: «tufa»

Mas depois encontramo-lo

 

      E a tufa (como em tufa calcária), onde diabo está nos nossos dicionários? Deriva do latino tophus e designava certos materiais porosos, tanto calcários como vulcânicos, e, actualmente, é usado apenas para depósitos carbonáticos originados em águas continentais.

 

[Texto 12 498]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | favorito
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